Os jogadores do Casa Pia ficaram naturalmente desiludidos no final do duelo com o Rio Ave. O 1-1 foi insuficiente para a salvação imediata - Foto: PAULO CUNHA/LUSA
Os jogadores do Casa Pia ficaram naturalmente desiludidos no final do duelo com o Rio Ave. O 1-1 foi insuficiente para a salvação imediata - Foto: PAULO CUNHA/LUSA

O ganso ainda acreditou mas, no fim, tudo o vento levou (crónica)

Larrazabal, que já tinha sido o herói do Casa Pia em Guimarães, quase repetia a proeza na última jornada. O Rio Ave, porém, chegaria ao empate que empurra os lisboetas para o 'play-off' com o Torreense

O Casa Pia entrou para a derradeira jornada da Liga a caminhar sobre o arame e foi precisamente sobre o arame que terminou. Num Rio Maior açoitado por um vento inclemente, os gansos não foram além do 1-1 frente ao Rio Ave e carimbaram o passaporte para o purgatório do play-off. Segue-se o Torreense, num duelo de vida ou morte que decidirá se o sonho da Primeira se mantém vivo ou se desvanece após quatro anos de elite.

Sem o comandante do navio, Álvaro Pacheco, a cumprir suspensão no camarote, e sem o faro de Cassiano no relvado, a armada de Pina Manique apresentou-se órfã de referências. A primeira meia hora foi o espelho fiel do medo de falhar: um futebol pastoso, sem clarividência, onde a garra era sufocada pelo nervosismo. Passes curtos que morriam no vento e faltas ofensivas despropositadas revelavam uma equipa que jogava mais com o coração na boca do que com a bola no pé.

LARRAZABAL, SEMPRE ELE

Valeu aos gansos o despertar de Seba Pérez, aos 34 minutos, cujo disparo de longe serviu de sismo precursor. No minuto seguinte, a explosão: Larrazabal, o espanhol que se transformou no herói improvável deste fim de época, desviou com o peito (ou terá sido com o coração?) um canto para o fundo das redes. Era o 1-0 que tirava o Casa Pia do abismo, Larrazabal repetia o selo decisivo que já exibira em Guimarães (1-0).

O golo transfigurou o jogo, mas também expôs as fragilidades. Patrick Sequeira, que brilhara antes do intervalo a travar um Blesa sedento, acabou por ser o vilão de um drama que se queria com final feliz.

Aos 52 minutos, uma saída em falso, desastrosa e extemporânea do guardião ofereceu o empate de bandeja ao mesmo Blesa. Um erro de palmatória que castigava o recuo excessivo de uma equipa que se pôs a jeito.

O Casa Pia ainda tentou a rebelião. Larrazabal, sempre ele, tentou guiar os companheiros como um farol no nevoeiro, esbarrando por milímetros num livre direto e, mais tarde, nas luvas de Van der Gouw. A cadência final foi de sentido único, um assalto desesperado ao castigo do empate, enquanto os ouvidos estavam postos na Pedreira.

MILAGRE E PESADELO

O milagre vindo de Braga até chegou a ser anunciado, quando Pau Víctor, de penálti, fez o 2-1, mas o Estrela da Amadora, num último fôlego aos 90+6’, resgatou o ponto que empurrou os casapianos para o play-off.

O ganso ainda acreditou, bateu as asas com força, mas a tempestade — interna e externa — acabou por levar tudo.

Resta agora a última batalha frente ao Torreense. Em Pina Manique, a esperança ainda não foi soprada para fora do mapa, mas o play-off é um terreno minado onde a margem de erro é, agora, inexistente.

O melhor em campo: Larrazabal (Casa Pia)

Rasgou o fato de gala para voltar a assumir o papel de super-herói do Casa Pia nesta ponta final da época. Depois do golo da vitória em Guimarães, é dele o golo da vantagem dos gansos diante do Rio Ave, o golo que fez sonhar, mas que, porém, se mostraria insuficiente. O lateral espanhol foi exemplo constante da atitude que era necessária num jogo decisivo, mas nem sempre foi bem acompanhado pelos colegas.

Figura: Blesa (Rio Ave)

Que grande reforço de inverno foi Blesa para o Rio Ave. Neste derradeiro duelo, em Rio Maior, foi o primeiro a ameaçar com real perigo a baliza do Casa Pia e seria ele a chegar ao empate, apontando o seu sétimo golo na Liga. Sempre muito ativo, ora no flanco, ora pelo centro, foi claramente o destaque de uns vila-condenses já em pré-férias.

As notas dos jogadores do Casa Pia

As notas dos jogadores do Rio Ave

Van der Gouw (5); João Tomé (5), Gustavo Mancha (5), Brabec (5) e Richards (5); Spikic (5), Nikitscher (5), Ntoi (5) e Bezerra (5); Tamble (5) e Jalen Blesa (6); Papakanellos (4), Olinho (-), Leonardo Buta (-) e Julien Lomboto (-).

Paulo Pinto (treinador adjunto do Casa Pia)

«Dominámos claramente o jogo na primeira parte, mas, no primeiro lance da segunda, o Rio Ave empatou. Estivemos mais perto do 2-1, não conseguimos e depois tivemos azar do que sucedeu noutro campo. Mostrámos ser grande equipa e, se continuarmos neste caminho, vamos ficar na Primeira Liga.»

Sotiris Silaidopoulos (treinador do Rio Ave)

«Na primeira meia hora demorámos a encontrar caminhos e o Casa Pia foi melhor na primeira parte. Mas a segunda foi muito diferente, criámos muitas oportunidades, mas falhámos no instante final. Analisando a época, acho que merecemos mais pontos. E sublinho que foi duro perder jogadores-chave no mercado de janeiro. Há uma base forte para a próxima época.»

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