Árbitro e família sob proteção policial após penálti polémico na Escócia
O árbitro escocês John Beaton e a sua família foram colocados sob proteção policial na noite de quinta-feira, após terem os dados pessoais divulgados na internet. A medida foi confirmada pela Federação Escocesa de Futebol (Scottish FA) e surge na sequência de uma controversa decisão de arbitragem.
O incidente que despoletou a situação ocorreu na quarta-feira, durante o jogo entre o Motherwell e o Celtic. Após consultar o VAR, Beaton assinalou um penálti a favor do Celtic já na compensação, por mão na bola de Sam Nicholson, do Motherwell, na sequência de um lançamento longo para a área.
Kelechi Iheanacho converteu a grande penalidade aos 100 minutos, selando a vitória do Celtic por 3-2 em Fir Park. Este resultado deixou a equipa a apenas um ponto do líder Hearts, antes do decisivo confronto pelo título da Scottish Premiership, que se realiza no sábado em Celtic Park.
Num comunicado duro, a Scottish FA condenou veementemente o sucedido. «A Scottish FA condena nos termos mais fortes possíveis as tentativas de comprometer a segurança dos árbitros», pode ler-se na nota, que descreve este tipo de vigilantismo como «um flagelo no nosso desporto nacional» e agradece a «rápida intervenção» da polícia escocesa.
A federação atribui a escalada de tensão a um ambiente de crescente crítica e intolerância. «Isto é a consequência inevitável do aumento das críticas, da intolerância e da procura de bodes expiatórios demonstrada esta época por comentadores, adeptos, claques oficiais, clubes, jogadores, treinadores e antigos árbitros», afirma o organismo.
A Scottish FA sublinha que os erros acontecem a todos os intervenientes no jogo, mas a reação é desproporcional quando se trata dos árbitros. «Os árbitros não são infalíveis. Serão cometidos erros em campo [...] tal como os treinadores escolhem a equipa errada, os guarda-redes sofrem golos fáceis e os avançados falham a cinco metros da baliza. No entanto, a reação a estas inevitabilidades não poderia ser mais contrastante», reforça
O comunicado alerta que este não é um caso isolado e que muitos árbitros vivem em situações de risco, mas receiam falar: «Não permitiremos que isto se torne a norma. Não permitiremos que uma situação em que os árbitros necessitem de medidas especiais para proteger os seus filhos na escola seja considerada um risco profissional.»
A federação anunciou ainda que procurará «reforçar os regulamentos para proteger melhor aqueles que são essenciais para o jogo» e apelou à reflexão de todos os que contribuíram para criar um «ambiente de intimidação, medo e alarme».