O desespero de Prestianni - Foto: Miguel Nunes
O desespero de Prestianni - Foto: Miguel Nunes

«Ao fim de seis meses no Benfica só queria voltar à Argentina»

Prestianni revela como Di María e Otamendi foram fundamentais para se aguentar em Lisboa nos piores momentos

Atualmente, Gianluca Prestianni sorri com o rendimento e regularidade que tem tido no Benfica, nos últimos meses e que lhe valeram até a convocatória para a Seleção principal, no último estágio antes da convocatória para o Mundial. O argentino tornou-se habitual escolha de Mourinho para o onze e leva três golos e duas assistências em 34 jogos esta época.

Mas a felicidade em Lisboa não tem sido uma constante para o extremo de 20 anos. Ao ponto de, em entrevista à Telefe, ter assumido agora que quis deixar as águias e voltar à base pouco depois de ter assinado pelos encarnados.

«Foi demasiado difícil. Só tinham passado seis meses e eu já queria voltar à Argentina. Por sorte, logo a seguir vieram as férias, mas regressar depois outra vez foi muito complicado», relatou.

Além da infelicidade que assume agora que sentia devido à adaptação e à falta de minutos, a maneira de ser do jogador, que admite ser muito reservado, deixou-o numa luta interna que tornou tudo ainda mais difícil.

«Não falava com ninguém para não mostrar à minha família que estava mal, porque eles sofrem com isso. Gosto de mostrar quando estou feliz, mas quando estou triste prefiro guardar para mim e não demonstrar para descarregar só quando estou sozinho. É uma coisa minha. Desde miúdo que sou assim», nota, antes de apontar a importância de Di María e Otamendi nesse momento de dificuldade.

«Depois tive uma ocasião em que me lesionei, o Ángel [Di María] viu-me triste e a chorar e veio falar comigo. Eu confessei-lhe que queria voltar à Argentina, que não aguentava mais e ele ajudou-me muito. Convidava-me para comer a casa dele, com a família e isso ajudou-me muito. O Otamendi também me apoiou muitíssimo. Por isso acho que é graças a eles que superei isso e agora estou aqui na seleção», realça.

Prestianni recebeu tatuagens feitas por Otamendi e Di María (Instagram Prestianni)
Prestianni recebeu tatuagens feitas por Otamendi e Di María (Instagram Prestianni)

Porém, a mágoa daquilo que sentiu nos primeiros meses no Benfica marcou-o tanto, que quando questionado sobre o que mudaria se pudesse voltar atrás, a resposta foi imediata.

«Talvez ficar mais seis meses no Vélez. Fui [para o Benfica] no início do ano e penso que teria desfrutado mais se tivesse ido só a meio do ano», apontou.

Olhando para o futuro, o jogador de 20 anos não esconde que a presença no Mundial passou a ser objetivo e que será no Benfica que vai lutar por esse desejo.

«Daria tudo para estar no Mundial. Até aquilo que não tenho. Mas tenho de me manter tranquilo a trabalhar no Benfica para ver se a oportunidade surge. Acho que estou a fazer muito bem as coisas no Benfica, tudo o que me pede o treinador».

Sobre este estágio na seleção principal, Prestianni relatou um episódio curioso pelo respeito extra que a presença de Lionel Messi lhe impôs e no qual foi vítima de uma tentativa de boicote de… Otamendi.

«Tinha muito receio de perder uma bola. Por exemplo, fizemos um meiinho, em que eramos dez contra três, ou algo assim, e se perdesse as duas primeiras bolas ia dar cabo de mim. Eu se falhar dois passes fico muito chateado. Odeio falhar passes fáceis. Tinha medo nesse sentido», introduziu, antes de revelar o resultado.

«Correu-me muito bem. Só perdi uma bola porque o Otamendi me atirou com muita força de propósito, mas tirando isso correu bem», disse, orgulhoso, antes de sublinhar a importância de ter ao lado o capitão das águias neste momento.

«Ele está sempre comigo no Benfica. Eu aprendo muito com ele e sigo os conselhos que me dá, e deixa-me mais tranquilo tê-lo ao meu lado na seleção», finalizou.