Anísio Cabral foi o 'salvador da Pátria'. Foto Miguel Nunes

Anísio, o toque de Midas que transforma em ouro (as notas do Benfica)

O jogo estava difícil, o Benfica lutava contra o Alverca e contra os nervos que a arbitragem estava a provocar em jogadores, técnicos e adeptos, quando um miúdo de 17 anos entrou e, como se fosse a coisa mais simples do mundo, meteu a bola dentro da baliza ribatejana. Em grande estilo, ainda por cima...
Melhor em campo: Anísio Cabral (8)
Foi, sem dúvida, a figura deste Benfica-Alverca. Em primeiro lugar porque resolveu o jogo. Depois porque fê-lo na primeira vez em que tocou na bola, executando com maestria, sob marcação, um cabeceamento difícil, após cruzamento da esquerda de Samuel Dahl. Anísio, depois de ter marcado ao Estrela da Amadora, quando os encarnados já estavam na frente por 3-1, com a vitória garantida, um belo golo, foi desta feita chamado por Mourinho para a fogueira que ardia com labaredas altas, em que se transformara a receção dos encarnados ao Alverca. O ‘Special One’ deu-lhe a responsabilidade de resolver o jogo e o miúdo de 17 anos não desiludiu o ‘mister’. Ficou ainda a certeza de que o Benfica, contra equipas muito fechadas, precisa de dois pontas-de-lança. O golo salvador surgiu quando Pavlidis e Anísio estavam em campo em simultâneo.  

5 Trubin — Sem culpas no golo dos ribatejanos, o guarda-redes ucraniano esteve bem no que fez, quer a segurar remates de meia-distância, que a lançar longo com o pé e a mão ou a mandar no jogo aéreo. Apenas um passe de risco para Sidny, aos 19 minutos. 

4 Sidny — Joga muito bem, dá tudo o que tem, possui uma excelente meia-distância e colocou tudo isto ao serviço do Benfica, frente ao Alverca. Faltou-lhe, contudo, lembrar-se que a primeira missão de um defesa é defender e deixou demasiadas vezes desguarnecido o seu setor, incluindo o lance que deu o golo dos forasteiros. 

6 Tomás Araújo — Sempre certo, com bom timing a desarmar, e com velocidade para dar profundidade à defesa encarnada. Ensaiou alguns passes longos, uma das suas especialidades. 

6 Otamendi — Mais uma noite em que foi o patrão do Benfica, rigoroso nos cortes (aos 20 minutos tirou o pão da boca ao Alverca) e a arrastar dois defensores contrários nos lances de bola parada a favor do Benfica. Num deles, aos 67 minutos, subiu ao terceiro andar mas o cabeceamento saiu ao lado. 

6 Dahl — O defesa sueco fez um jogo de menos a mais. Começou demasiado hesitante, executando cruzamentos que foram peras-doces para os defensores ribatejanos. Com pouca iniciativa, deixou as principais despesas do ataque para Schjelderup. À medida que a partida foi caminhando para o fim, mostrou-se mais confiante e arrancou um belíssimo cruzamento no lance do golo de Anísio. 

7 Aursnes — O canivete-suíço do Benfica fez um jogo muito competente, que teve nota artística em dois passes, aos 29 e 55 minutos, para Prestianni e Pavlidis, que os desaproveitaram. Recuperador de bolas e ao mesmo tempo iniciador de muitas jogadas, o norueguês teve ainda a versatilidade suficiente para derivar para lateral direito, primeiro, fazendo a seguir a ala desse lado quando António Silva se juntou a Tomás Araújo e Pavlidis.   

5 Leandro Barreiro — O que lhe sobrou em luta e entrega faltou-lhe em inspiração (ou capacidade para executar alguns números mais exigentes). A equipa cresceu após a sua saída. 

6 Prestianni — O jovem argentino tem tudo para vir a ser um grande jogador. Porém, ainda não o é, alternando, ao longo dos 90 minutos coisas muito boas – como a jogada em que acertou com a bola na cabeça do guarda-redes do Alverca – com jogadas em que quebra a sequência de jogo da sua equipa. No deve e no haver, o saldo é positivo, e tende a sê-lo ainda mais, assim consiga definir melhor o último passe.  

6 Rafa — Um bom regresso à titularidade do Benfica, apesar de ainda não ter os 90 minutos nas pernas. Posicionou-se bem entre linhas, procurou combinações com Pavlidis, e assinou uma belíssima trivela que Schelderup aproveitou para recargar, fazendo o 1-0. Aos 48 minutos ainda fez a bola bater no poste da baliza do Alverca, numa finalização de fino recorte. 

7 Schjelderup — Finalmente o jovem norueguês começa a justificar as sucessivas apostas que foram feitas nele. Tivesse o Benfica outra presença na área e das muitas situações que construiu teria saído mais alguma coisa. No golo que marcou estava no sítio certo à hora certa e teve duas jogadas (a segunda deu o golo de Pavlidis anulado pelo VAR) de primeira água. Promete.  

5 Pavlidis — Não foi a noite mais inspirada do matador grego, e esse facto ficou ilustrado aos 55 minutos, quando falhou, a passe de Aursnes, um golo cantado. Quando tem de jogar entre três centrais, a vida torna-se difícil, e se procura a bola recuando ou caindo nas alas deixa o Benfica sem presença na área. 

6 Sudakov — O internacional ucraniano entrou numa fase escaldante da partida e conseguiu colocar alguma ordem na casa, criando condições para o sufoco final que o Benfica deu no Alverca. Mostrou-se também útil, já depois do 2-1, a esconder a bola dos adversários. 

4 Bruma — Faltou-lhe ritmo para acelerar o que o Benfica precisava. Depois da vantagem foi generoso defensivamente. 

5 António Silva — Foi juntar-se a Otamendi e Tomás Araújo, garantindo segurança para a baliza de Trubin.  

4 Barrenechea – Teve um trabalho essencialmente defensivo, sem conseguir soltar-se para lançar o contra-ataque.