Alverca: «Na 4.ª jornada perdemos com o Benfica e o Samuel Soares foi o melhor em campo»
Fevereiro de 2025. A maioria do capital da SAD do Alverca é vendida por Bruno Vicintin à Universe Big Seven, grupo de investidores dos quais Vinícius Júnior faz parte. Um mês depois, José Miguel Albuquerque, advogado especializado no direito desportivo, aceita sem demoras o convite para assumir a liderança da nova SAD dos ribatejanos. Com base num passado já frutuoso, o objetivo e fazer mais e melhor no futuro
— Porque aceitou iniciar esta aventura no Alverca em março de 2025?
— Essa parte é muito fácil, porque sou apaixonado pela indústria, pelo desporto, em particular pelo futebol. O convite surgiu na sequência da aquisição da maioria do capital da SAD por novos investidores. Houve uma sequência de conversas, entrevistas, para nos alinharmos naquilo que eram as nossas ideias. E entendemo-nos muito depressa: eu com os novos investidores, também com o Pedro Alves, o nosso diretor-geral para o futebol, porque era importante que entre mim, o Pedro e a nova administração houvesse uma ligação fluida. Essas conversas correram sempre muito bem e, portanto, foi um entendimento fácil. E foi assim que as coisas começaram.
— Qual foi o maior desafio que teve nessa fase inicial, que se calhar não esperava encontrar?
— Eu acho que sempre que se entra num clube, eu diria até se for conduzir qualquer empresa, há sempre surpresas. Há sempre decisões que foram tomadas e cujo contexto nós não podemos conhecer porque não estávamos dentro desse processo decisório e, portanto, podem ser difíceis de compreender. Havia uma forma de estar com a qual eu não me identificava, que procurámos organizar a partir da época 25/26. Agora, entrando em março, quisemos deixar claro a toda a gente, fosse da estrutura técnica ou administrativa, que não ia acontecer uma revolução de um dia para o outro, que não iam acontecer uma série de despedimentos ou de reajustes, que íamos aprender a trabalhar uns com os outros e que ia haver esta fase de adaptação que teve os seus desafios, mas que no final correu bem porque terminou com a subida de divisão.
— O Alverca fez um campeonato relativamente tranquilo, estando quase sempre algumas posições acima do lugar de play-off e garantiu a manutenção a três jornadas do fim: a última época superou as expectativas?
— Chegar a maio com a manutenção garantida superou as nossas expectativas. Era obviamente um objetivo, conseguimos isso o quanto antes, mas estávamos preparados para, se fosse preciso, sofrer um bocadinho mais. E a verdade é que tivemos a felicidade, a sorte e a competência de chegar a maio com esse objetivo garantido e poder ir ao Estádio do Dragão sem termos qualquer pressão de resultado. É algo que superou um bocadinho as nossas expectativas. Os campeonatos nunca são tranquilos, há muito equilíbrio. Nós tivemos um início muito difícil, um calendário difícil, um grupo todo novo, que também dificultou essa abordagem. Começámos em Moreirense, fizemos um belíssimo jogo, perdemos 1-2 com uma decisão de um fiscal de linha que foi um erro, que nos anulou um golo que seria o nosso 2-1. Mas jogámos contra uma equipa com jogadores experientes, que estavam muito mais preparados para começar uma 1.ª jornada do que nós. Ainda assim, deixámos uma belíssima imagem. Depois tivemos o SC Braga em casa, um jogo altamente enganador, que perdemos por 0-3 com as duas primeiras grandes oportunidades do jogo a serem nossas. Empatámos na Amadora e depois perdemos com o Benfica em casa, na 4.ª jornada, num jogo em que o Samuel Soares foi titular e foi o melhor jogador em campo, na minha opinião. Isso diz qualquer coisa sobre a forma como o Alverca esteve nesse jogo e sobre as dificuldades que o Alverca já causou ao Benfica na 4.ª jornada. Tínhamos então um ponto, mas tínhamos bons indicadores competitivos da evolução da nossa equipa.
— Qual é o objetivo para a próxima temporada: assegurar a manutenção ou melhorar o 11.º lugar?
— É sempre assegurar a manutenção. Sabemos qual é o estado do nosso clube, não vamos contratar 30 e tal jogadores, mas também não podemos contratar só cinco. Isto faz parte de uma trajetória evolutiva e de crescimento. Temos ainda de fazer reajustes ao nosso grupo, estabilizar um conjunto de jogadores e isso vai passar novamente por uma transformação que é importante. E eu tenho expectativas de ver um campeonato mais equilibrado com as equipas que sobem. O Marítimo é um clube grande, tem um estádio muito difícil de visitar para toda a gente. Eu acho que o Académico de Viseu é uma estrutura muito bem organizada, com uns bons investidores por trás e estou à espera de ver um Académico a chegar com força à Liga. E se nós temos duas equipas que chegam bem à Primeira, isso implica que todos os outros que lutam pela manutenção como nós, vão ter mais dois adversários de peso que de alguma forma este ano não tivemos no Aves SAD e no Tondela. O nosso objetivo é esse: manutenção, manutenção, manutenção. A partir do momento em que a consigamos, olhamos para cima, mas se ficarmos abaixo do 11.º e na Liga à mesma, está tudo bem.
— E qual o aspeto que acha mais necessário o Alverca melhorar já para a próxima época?
— Nós temos muita coisa para melhorar ainda. Infraestruturas, a gestão de despesas que fazemos, mas essas também elas estão muito associadas a infraestruturas. O Alverca tem um campo de treinos a finalizar a sua construção, o relvado vai estar pronto a ser usado a partir do dia 20 de julho e, portanto, isso traz uma melhoria muito grande da qualidade de vida da organização, do dia-a-dia da gestão da equipa. O Alverca está a mudar também o seu relvado principal, no início do campeonato certamente está finalizado. Depois serão necessários fazer ainda alguns ajustes no estádio. Eu gostava muito de conseguir mudar o quanto antes a nossa zona corporate, melhorar a experiência do adepto e dos nossos parceiros. Não sei se consigo fazer isso já este ano, mas se não, será no próximo. Gostaria muito de adaptar uma zona do estádio para incorporar uma zona própria onde os nossos jogadores pudessem dormir, descansar e desfrutar em dia de jogo, assim poderíamos estagiar na nossa casa. Estamos a terminar uma zona específica também para os jogadores, o staff técnico e também administrativo terem as suas refeições, com um chef privado.