Uma casa parcialmente submersa na zona ribeirinha de Vila Nova da Rainha, Azambuja, devido à subida do caudal do Rio Tejo - Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Uma casa parcialmente submersa na zona ribeirinha de Vila Nova da Rainha, Azambuja, devido à subida do caudal do Rio Tejo - Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Alerta vermelho na bacia do Tejo: Proteção Civil aconselha populações ribeirinhas a abandonar casas

Previsão de cheias

O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, fez, esta quinta-feira, um apelo urgente para que as populações das zonas ribeirinhas do Tejo abandonem as suas habitações e procurem locais seguros. O alerta surge na sequência das previsões de um aumento intenso e rápido do caudal do rio, uma situação que não se verificava com esta magnitude desde 1997.

Numa conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, foi ativado o alerta vermelho para a bacia do Tejo. Mário Silvestre sublinhou a gravidade da situação, comparando-a a um episódio ocorrido há mais de duas décadas.

«Desde 1997, aproximadamente, que não tínhamos um episódio destes na Bacia do Tejo e no Rio Tejo. E, portanto, isto implica cuidados por parte da população ribeirinha que estão habituados a este fenómeno, mas desde 1997 que não temos um fenómeno potencialmente com esta dimensão», declarou o comandante.

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A subida abrupta do caudal é justificada pela elevada descarga das barragens espanholas de Alcântara e Cedilho, que estão a debitar cerca de 7 mil metros cúbicos por segundo para o Tejo. Este volume, combinado com as ocorrências nas bacias hidrográficas portuguesas, pode elevar o caudal total para «a ordem dos 9 mil metros cúbicos por segundo».

Face a este cenário, o apelo à população é claro e preventivo: «Aquilo que se recomenda a todos é, preventivamente, retirem as coisas das suas casas, coloquem-se em segurança, abandonem as casas, ou seja, vão para locais seguros sempre que possível. O comportamento seguro neste momento é crítico para que se possa passar por este episódio sem termos vítimas a lamentar».

Entre os efeitos esperados contam-se inundações em zonas urbanas, cheias, deslizamentos de terras, piso escorregadio e a formação de lençóis de água.

Foram também deixadas recomendações específicas para os condutores, alertando para o perigo de atravessar estradas inundadas. «É crítico que não o façam. Pare em local seguro e elevado, longe das linhas de água», avisou Mário Silvestre, explicando que «30 centímetros de água para a maior parte dos veículos, é igual ao veículo ficar parado dentro de água por aspiração da mesma». Aconselha-se ainda que se evitem túneis, ribeiras e vales.

A Proteção Civil recomenda ainda que, em caso de evacuação, as pessoas levem consigo apenas o essencial, incluindo medicação regular. Foi também feito um apelo para manter as crianças afastadas das linhas de água, proteger os animais e evitar a aproximação a zonas de risco para fotografar ou filmar o fenómeno, especialmente junto às descargas das barragens.