FC Porto, Sporting e Benfica: três caminhos para o título
Aépoca está a começar e existem, historicamente, três grandes candidatos ao título. Cada um com o seu contexto específico e com uma forma de atuar que define quem os lidera. Trabalhar bem e preparar bem a época, em Portugal, não é sinónimo de vitória, tal a diferença entre estes três clubes e todos os outros. Mas o que diferencia estes três candidatos? O que está cada um a fazer para criar as condições necessárias para ser campeão?
FC Porto: seguir o método
Uma SAD tem sempre como principal objetivo alcançar rendimento desportivo. Para que isso aconteça, é fundamental que as várias áreas do clube estejam interligadas e em sintonia. O FC Porto de Villas-Boas tem esta característica. Quem vê a equipa dentro do relvado percebe que ela é o espelho da forma como o clube/SAD está a trabalhar.
Existe uma mensagem única e transversal ao clube. Todas as áreas que compõem o universo azul e branco têm como missão criar as melhores condições para que a equipa tenha rendimento desportivo. No relvado, Farioli personifica muito bem esta mentalidade: metodológico, racional, frio e seguro das suas ideias. Analisando o contexto do FC Porto, percebemos ainda um pormenor importante. Apesar do alívio financeiro criado no último ano, as dificuldades não desapareceram e o FCPorto continua muito pressionado.
Por este motivo, é fundamental que a gestão financeira continue a ser prudente, cautelosa e eficaz. A eficácia transfere-se também para as aquisições. O FC Porto, até ao momento, mexeu pouco no mercado. Contratou apenas André Silva, a custo zero, e Hwang, por 4,5 milhões de euros. Precisa de mais soluções para outras posições, mas bate de frente com três questões importantes. A primeira é que o plantel manteve-se praticamente o mesmo, o que faz com que a urgência seja menor, embora seja necessário aumentar a qualidade das soluções em algumas posições.
A segunda prende-se com a política salarial: o FC Porto não quer contratar jogadores que aumentem o orçamento de uma forma descontrolada, até porque, se ultrapassar o teto salarial, terá de suportar no futuro as exigências daqueles que estão a terminar contrato.
Por fim, a ausência de vendas faz com que a abordagem seja ainda mais cautelosa. Do lado negativo, percebo que o contexto do FC Porto se enquadre quase na perfeição em Farioli. Contudo, a sua forma de gerir acaba por retirar espaço a jogadores que podem acrescentar magia e capacidade de desequilíbrio. Por este motivo, o FC Porto poderá ter de sacrificar o talento de Mora com uma venda que permita contratar jogadores com o perfil que o treinador pretende. Todas as decisões trazem consequências e, neste caso, no FC Porto, a forma escolhida para atingir o êxito não passa pela magia de Mora.
Sporting: antecipação
Este ano podemos falar de um fim de ciclo no Sporting. As saídas de Hjulmand, Morita, Trincão e Diomande, às quais se podem juntar Pote e Daniel Bragança, confirmam isso mesmo. Esta forma de gerir pode ter vários argumentos.
No capítulo financeiro, pode ter existido a perceção de que, pela idade dos jogadores em questão, este era o momento certo para os vender. Em simultâneo, tratam-se de alguns dos jogadores com maiores vencimentos do plantel. Ou seja, o Sporting consegue encaixar boas vendas e reduzir o orçamento.
No capítulo desportivo, há duas ideias subjacentes. A primeira é a de que os jogadores podem ter querido dar um salto financeiro nas suas carreiras. A segunda é a de que a administração entendeu que deveria contratar sangue fresco e criar a base para os próximos anos do leão.
Pela positiva, o Sporting conseguiu contratar jogadores de qualidade, mais novos e com menores vencimentos, de uma forma atempada. Claro que esta estratégia acarreta um risco enorme pela saída de tantas referências. Como se viu nos dois primeiros jogos, em que a equipa adormeceu durante largos períodos, existe qualidade, mas será necessária uma atitude competitiva superior para poder vencer títulos. Esta antecipação é sinónimo de sucesso desportivo? Obviamente que não. Mas demonstra uma direção que tem um plano definido e que sabe colocá-lo em prática.
Benfica: a crença em Marco Silva
A chegada de Marco Silva foi a única mudança numa estrutura de futebol em modo zen. A contratação do treinador é a grande esperança de uma administração perdida desportiva e financeiramente. O mercado deste ano está, mais uma vez, a demonstrar isso. Numa pré-época exigente e numa equipa com várias lacunas, a ajuda da administração, até agora, é muito reduzida. A antecipação de cenários não existiu, nem desportivamente nem financeiramente.
A ausência da Liga dos Campeões não foi devidamente acautelada e, neste momento, o clube está com muitas dificuldades para ir ao mercado. A contratação de Kaminski é mais um exemplo do que não deve ser feito. Pouco critério e um investimento injustificado. A ideia de Marco Silva de que não se deve contratar apenas por contratar está a ser utilizada por Rui Costa como se fosse sua.
Aqui, a questão é que a urgência vai aumentando e, conforme o mercado se aproxima do fim, o peso negocial do Benfica vai diminuindo, porque todos sabem que o Benfica precisa de contratar. A má antecipação e a abordagem tardia ao mercado têm esta consequência óbvia. Esta forma de gerir torna muito difícil reduzir o orçamento da equipa.
Pelo contrário, os jogadores que chegarem vão exigir aquilo que os que cá estão recebem. A má gestão do passado, a incapacidade de antecipar cenários e as abordagens ineficientes ao mercado fazem aumentar a pressão e a insatisfação dos adeptos. Na realidade, pouco mudou no Benfica, a não ser a esperança de que Marco Silva consiga solucionar todos os problemas dentro e fora do relvado.
Regressou às competições profissionais e já leva duas vitórias em dois jogos realizados na Liga 2.
No regresso a Alvalade, os adeptos assobiaram a entrada do avançado colombiano em campo. A mensagem que passa é que não basta fazer golos é também necessário ter compromisso.