Mikel Merino chegou a pensar que não estaria no Mundial mas em seis minutos tornou-se o herói espanhol. Instagram Mikel Merino
Mikel Merino chegou a pensar que não estaria no Mundial mas em seis minutos tornou-se o herói espanhol. Instagram Mikel Merino

A 'fiesta' de Merino, o herói improvável que deixou Portugal fora do Mundial (fotos)

Esteve seis minutos em campo, o suficiente para colocar Espanha nos quartos de final. Desde janeiro jogou 28 minutos devido a lesão mas, em Dallas, ofereceu uma lição de resiliência e, no final, não esqueceu Pamplona e as festas de San Fermin

Mikel Merino tornou-se o herói da Espanha ao marcar o golo tardio que colocou a seleção nos quartos de final do Mundial, culminando uma notável recuperação de uma grave lesão. O golo, que selou a vitória sobre Portugal, foi uma recompensa pelos sacrifícios e determinação do jogador.

O momento decisivo surgiu já perto do final do tempo regulamentar. Merino, que estava em campo há apenas seis minutos, sofreu uma falta à entrada da área. Demonstrando uma frescura física que contrastava com o cansaço dos restantes jogadores, levantou-se rapidamente e marcou o livre de forma expedita. A bola passou por Fabián Ruiz e Ferran Torres antes de regressar a Merino, que, já dentro da área, bateu Diogo Costa. A euforia espanhola tomou conta do jogo em Dallas.

A celebração foi familiar e despercebida para muitos. Merino correu para a bandeirola de canto, repetindo o festejo que o seu pai, Ángel Miguel, realizara 33 anos antes ao marcar um golo da vitória pelo Osasuna. Desta vez, o gesto foi dedicado não só ao pai, mas também ao seu filho Marco, de apenas dois meses, que ainda mal viu devido aos compromissos com a seleção nos Estados Unidos.

Este golo representa um círculo completo para o jogador nascido em Pamplona, onde ontem começaram as famosas festas de S. Fermin que Hemingway imortalizou em 'O sol nasce sempre (Fiesta)'.

Instagram Mikel Merino
Mikel Merino celebra vitória espanhola sobre Portugal

Vestido de branco e vermelho, tal como os seus conterrâneos nas festas de San Fermín, tornou-se o herói espanhol e, no balneário, não esqueceu a fiesta da sua terra, com o pañuelico, o lenço vermelho amarrado ao pescoço, traje obrigatório.

O filho Marco também surgiu com o lenço, em fotos partilhadas pela mulher, Lola Liberal.

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A presença de Merino no Mundial esteve em sério risco. Uma fratura de stress no pé deixou-o de muletas durante dois meses e limitou a sua participação a apenas 28 minutos de jogo desde janeiro. «Quando me falaram da lesão, pensei que não estaria no Mundial, mas aqui estou», confessou o jogador.

Durante a recuperação, Merino esteve isolado e imobilizado, mas nunca desistiu. O apoio da sua esposa, Lola, foi fundamental. «Foi incrível vê-la, grávida de sete ou oito meses, a ajudar-me a subir as escadas», recordou, admitindo que foi um período difícil para ela.

«Quando isto acontece, lembramo-nos de tudo: das coisas boas e das más, de tudo o que temos em casa», afirmou Merino. «A lesão, não ver o meu pequenino crescer: usei isso como força para dar o meu melhor. Isto é o produto do trabalho árduo que a minha família sempre me incutiu. Fiz a minha parte. Estou muito feliz por ter acontecido novamente no último minuto».

Com o lenço vermelho de San Fermín ao pescoço, o herói espanhol deixou uma mensagem final: «Desfrutem. Celebrar com os entes queridos é a coisa mais bonita da vida».

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