Rúben Dias frente à Espanha
Rúben Dias frente à Espanha

«Orgulhoso de quê?»: Ricardo Quaresma arrasa Martínez e 'bate boca' com Rúben Dias

Antigo internacional português diz que falta identidade e discute com central a tática do jogo frente à Espanha

Após a eliminação de Portugal do Mundial 2026, com derrota por 0-1 frente à Espanha, Ricardo Quaresma não poupou nas críticas ao selecionador Roberto Martínez e à exibição da equipa nacional.

O antigo internacional português questionou o «orgulho» manifestado pelo técnico espanhol e considerou a prestação lusa «muito pouco» para o talento existente.

«Orgulhoso de quê? Eu ainda não entendi esse orgulho que ele tem», começou por questionar Ricardo Quaresma, em declarações à LiveModeTV. «Esteve na Bélgica com uma geração fantástica e nunca deu nada. Chega aqui a Portugal com uma geração incrível, ainda não deu nada. Ganhámos uma Liga das Nações. Vamos ficar felizes com uma Liga das Nações? Para mim é curto», desabafou.

A saída de Roberto Martínez era, assim, inevitável. «Há coisas que me revoltam. Se não tivéssemos talento e qualidade, estava tudo certo. Mas tens talento e qualidade enorme!», afirmou, sublinhando que a falta de identidade da equipa é responsabilidade do treinador: «A identidade é culpa de quem? Do treinador. Eu ainda não descobri a tática certa para jogar».

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Analisando o jogo decisivo no Dallas Stadium, Quaresma apontou a lesão de Nuno Mendes como um ponto de viragem que permitiu à Espanha crescer na partida. No entanto, a sua análise foi mais profunda, criticando a falta de atitude da equipa portuguesa. «Ainda hoje, entregaste o jogo desde o início ao fim à Espanha. A Espanha a controlar o jogo todo, a fazer o que queria (...) e nós a andar ali sem vontade, sem alegria, muito lentos», lamentou.

O antigo internacional português também distribuiu responsabilidades pelos jogadores, afirmando que «não deram o que tinham de dar», descrevendo um meio-campo «muito fraco» e uma «defesa perdida». Ainda assim, o foco principal das suas críticas manteve-se no selecionador. «O Martínez a mim nunca me encheu o olho. Meteu 50 táticas, nenhuma deu certo. E está aí a prova», concluiu, antes de acrescentar: «Saímos com a seleção que toda a gente dizia que era a melhor de todos os tempos... mas melhor de todos os tempos em quê? O que é que fizeram? O que ganharam?».

Discussão com Rúben Dias

Durante a mesma transmissão, Quaresma confrontou diretamente Rúben Dias, que considerou a partida contra a Espanha «um dos melhores jogos» de Portugal em termos de equilíbrio. O antigo extremo discordou.

«Não concordo muito com o que estás a dizer. Desde o início até agora, acho que vocês podiam dar muito mais», respondeu Quaresma ao defesa-central. «Senti que jogaram muito para trás e para os lados, com muita posse de bola, mas sem procurar a profundidade. Remataram pouco à baliza e criaram poucas situações de golo, à exceção dos últimos cinco minutos. A posse de bola, por si só, não ganha jogos».

Por sua vez, Rúben Dias defendeu que, ao contrário da Espanha, que tem um conceito de jogo unificado, em Portugal é difícil encontrar um equilíbrio. «Tu passaste tempo suficiente nesse contexto para perceber tudo o que envolve a seleção: diferentes personalidades, diferentes mentalidades a tentarem juntar-se. O Bernardo falou nisso, temos excelentes individualidades, mas não temos um conceito de jogo como o da Espanha. Eles pensam todos da mesma forma, saem todos da mesma fornada. Nós temos de ir em busca desse equilíbrio, e isso não é fácil, porque cada jogador pensa de maneira diferente.»

«Temos de tirar o máximo partido das qualidades dos nossos colegas de equipa...», interrompeu Quaresma. «Temos o Rafael Leão, o Neto, o [Francisco] Conceição, jogadores capazes de partir para o um para um e desequilibrar o adversário. Não se trata apenas de ter posse de bola e andar a trocar passes. Temos de jogar mais para a frente...»

Rúben Dias continuou: «Cada um tem a sua opinião, mas acho redutor iludir as pessoas e passar a mensagem que não fazemos porque não queremos... Jogámos da forma que jogámos para encontrar equilíbrio. Loucura não traz nada de positivo. A loucura faz-nos correr atrás da bola e para sítios que não dominamos. Precisamos de ser objetivos; é isso que procuramos. Não pode ser 'pum, pum, pum, tudo para a frente'. Queremos dar o nosso melhor. E volto a dizer: foi o nosso melhor jogo frente à Espanha desde que estou na Seleção.»

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