Manchester United esteve a vencer em casa do Tottenham até aos 84 minutos, mas sofreu reviravolta e De Ligt ainda foi a tempo de salvar um ponto. #DAZNPremier

A emoção ficou guardada mesmo para o fim (crónica)

Final louco em Londres leva a empate a dois golos entre 'spurs' e 'red devils', em jogo com três portugueses

Quem disse que um jogo de futebol só tem 90 minutos? Tottenham e Manchester United trataram de mostrar que, até ao apito do árbitro, tudo está em aberto, em mais um jogo de cartaz da Premier League, que terminou com empate a dois golos entre a equipa e João Palhinha e a de Ruben Amorim, Bruno Fernandes e Diogo Dalot.

Mas quem só tenha visto o final do desafio teve uma amostra daquilo que, durante a sua maioria... ele não foi. Muita solidez defensiva e pouco acerto no ataque foram máximas do desafio, que, no primeiro tempo, teve um remate à baliza. O Tottenham, que muito procurou os cruzamentos, encontrou poder defensivo na formação adversária. O Manchester United, que teve menos posse de bola, revelou-se mais perigoso a espaços, em transições rápidas. Richarlison esteve perto de desviar para a baliza aos 16' e, 16 minutos depois, Mbeumo revelou-se decisivo ao fazer, de cabeça, o único golo do primeiro tempo.

O resultado ao intervalo era justo. Poucas finalizações, apenas três para cada lado, eram também fruto da forma como os red devils haviam estancado todas as iniciativas adversárias. No segundo tempo, porém, os comandados de Thomas Frank sabiam que o resultado não era, de todo, benéfico. A ordem estava dada: era preciso fazer muito mais após o descanso.

No espaço de dois minutos, o Tottenham foi mais perigoso do que nos 53' que os antecederam. Aos 54', os homens da casa conseguiram visar pela primeira vez a baliza de Lammens, num remate de Romero que o belga defendeu. Dois minutos depois foi João Palhinha que obrigou o guardião dos red devils a aplicar-se. A barreira do Manchester United continuava erguida, mas agora sem as transições rápidas que faziam tremer a linha mais recuada dos homens da casa.

O remate de Bruno Fernandes por cima foi, aliás, o único momento de verdadeiro destaque do Manchester United durante a maioria do segundo tempo, que, a partir dos 84', mudou completamente de figura. Mesmo estando encostado às cordas, Ruben Amorim não recuou: colocou Sesko em campo, recuou Diallo para a posição de Mazraoui e procurou esticar mais o jogo no ponta de lança. Por esta altura, também já havia entrado Mathys Tel e Destiny Udogie do lado adversário. Dois elementos que se revelaram decisivos para abrirem a porta a um jogo... totalmente diferente.

Suplentes decisivos e herói improvável na reviravolta... que não se aguentou

Se, por um lado, é de elogiar a forma como, uma e outra vez, o Manchester United foi conseguindo estancar os ímpetos do Tottenham, há que destacar também a insistência da equipa da casa na luta pelo golo. A persistência revelou-se amiga dos spurs ao minuto 84, quando, após cruzamento de Udogie, Tel rodou sobre De Ligt e fez o empate. O Man. United tentou reagir, Sesko esteve perto de marcar, mas Van de Ven conseguiu, com um corte espetacular, evitar o remate do esloveno.

Esse lance não deu em golo, mas sim em dor de cabeça para Ruben Amorim. Sem mais substituições para fazer, o técnico português viu os seus comandados reduzidos a 10 quando o ponta de lança ex-Leipzig se lesionou e foi obrigado a deixar o relvado, 30 minutos depois de ter entrado em campo. A capacidade de luta do United diminuiu, o Tottenham cresceu e, já para lá dos 90', eis que surgiu o herói improvável. Richarlison, que até havia tido um jogo pouco conseguido, desviou um remate de Odobert para bater Lammens. Um lance que fez explodir as bancadas do Estádio Tottenham Hotspur: com cinco minutos para jogar e com mais um em campo, o brasileiro havia marcado o golo que, ao que tudo indicava, era o da vitória, o primeiro da conta pessoal desde 20 de setembro.

Uma reviravolta surpreendente que, ainda assim, não surpreendeu mais do que aquilo que sucedeu três minutos depois. A pressão do Man. United resultou em canto e, com Lammens na área, Brennan Johnson deixou fugir De Ligt. Bruno Fernandes colocou a bola ao segundo poste e, com um cabeceamento irrepreensível, o neerlandês voltou a empatar a partida, para espanto de todos os que pensavam que o Tottenham ia vencer um jogo caseiro do campeonato pela primeira vez desde a primeira jornada.

O 2-2 foi mesmo o resultado final, numa partida que decorreu, na sua maioria, com pouca emoção, mas que terminou em total imprevisibilidade. Um ponto para cada lado deixa ambos os conjuntos com 18 pontos, tal como estão, de forma provisória, Liverpool, Sunderland e Bournemouth.