Jogadores espanhóis celebram o golo de Mikel Merino que eliminou Portugal do Mundial - Foto: IMAGO

A diferença que faz saber jogar com o banco (as notas de Espanha)

De la Fuente resolveu jogo fechado com soluções que iniciaram o jogo como suplentes

Unai Simón iniciou o jogo com 519 minutos sem sofrer golos em Mundiais e aumentou o recorde para 609. O bom posicionamento bastou-lhe para travar remate de Ronaldo aos 12’, mas aos 37’ teve de se esforçar bastante mais para travar um primeiro remate de Félix e a recarga de Cristiano Ronaldo. Na 2.ª parte não teve de fazer qualquer defesa.

Na defesa, esteve muito bem acompanhado por Porro, que fez um corte decisivo para a trave após bomba de Nuno Mendes, aos 42’.

No setor onde se previa que tudo ia ser resolvido, Rodri foi dono e senhor dos tempos. É ele quem permite à equipa respirar e até quem a faz acelerar, como lançamentos teleguiados, como o passe que encontrou Ferrán e desequilibrou a defesa lusa e o jogo, aos 90+1.

Pedri, por outro lado, teve em cima um polícia a tempo inteiro – João Neves ou Bruno Fernandes - e a influência no jogo espanhol eclipsou-se. Aos 61’ surgiu à entrada da área a rematar, mas Veiga desviou para canto.

Mais à frente, Baena esteve no momento mais bonito da 1.ª parte, quando um remate dele colocadíssimo obrigou Diogo Costa a uma defesa daquelas para emoldurar. Voltou a perder no duelo com o guardião luso aos 65’.

Do outro lado, Lamine Yamal teve mais um encontro com Nuno Mendes, que voltou a fazer-lhe a vida muito difícil. Aos 16’, lançado por Rodri, arrancou um remate em arco que Diogo Costa sacudiu a custo, mas pouco mais se viu dele. Surgiu mais interventivo no início da 2.ª parte, perdeu um primeiro duelo com Nuno Mendes e ao segundo arrancou, ultrapassou-o, o que o fez lesionar-se na perseguição. Com a saída do ‘carrasco’ soltou-se e mostrou um nível mais semelhante ao que se lhe vê no Barcelona, ajudando a Espanha a encostar Portugal às cordas.

Melhor em campo: Mikel Merino (8)

Entrou ao minuto 85. Resolveu o duelo ibérico no Mundial seis minutos depois. Bastaram-lhe oito toques em 14 minutos, incluindo compensação para ser figura. Simples e eficaz. Como simples e eficaz foi também o movimento que fez para aproveitar o espaço criado pelo movimento de Ferrán Torres, antes de fazer o que ninguém parecia capaz: derrubar a muralha Diogo Costa.

Dos pés de Dani Olmo nasceu quase todo o perigo do ataque espanhol no primeiro tempo. O passe genial a isolar Oyarzabal aos 8’ foi um aviso de que não convinha dar-lhe muito espaço, e aos 29’, só a atenção de Renato Veiga o impediu de isolar Lamine.

Na frente, Oyarzabal testou a atenção de Diogo Costa com um remate de fora da área logo no terceiro minuto. Cinco minutos depois, não aproveitou passe genial de Olmo que o deixou isolado e rematou ao lado, desperdiçando a segunda oportunidade de que dispôs no jogo.

Aos 75’, saiu para dar lugar a Ferrán Torres. E percebe-se a opção pelo avançado do Barcelona. Entrou para desconcertar a defesa lusa com ataques constantes à profundidade, sobretudo em diagonais curtas, e foi de um contra-movimento dele que nasceu o golo decisivo. Arrastou Rúben Dias da linha recuada, abrindo espaço para a entrada de Merino, colocando-lhe uma bola perfeita para a finalização do companheiro.

As notas dos jogadores de Espanha

Unai Simón (6); Pedro Porro (6), Pau Cubarsí (6), Aymeric Laporte (6) e Marc Cucurella (6); Rodri (8), Pedri (5) e Dani Olmo (7); Lamine Yamal (6), Mikel Oyarzabal (5) e Álex Baena (6); Ferrán Torres (7), Merino (8), Fabian Ruiz (6) e Borja Iglesias (-).

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