A cabeça de Bednarek e Alberto de Costa a Costa (as notas do FC Porto)
Tal como o histórico Obelix, parece ter caído dentro de um caldeirão de uma qualquer bebida energética: corre, corre, corre. E nunca parece cansado. Porém, embora com quase infinita capacidade física, não teve o mesmo discernimento até final da etapa inicial. Aos 72’, teve um cruzamento belíssimo a oferecer o golo a Borja Sainz, mas o remate de cabeça do espanhol saiu fraco e à figura de Matheus Mendes. Já na compensação, aos 90+1, ofereceu o corpo à bola em cima da linha de baliza, evitando o golo de Nuozzi e festa menos exuberante.
(7) DIOGO COSTA - Estiveram 49 561 espectadores no Dragão para assistirem à festa, mas, no primeiro tempo, quase estiveram 49 561 + 1: Diogo Costa. O Alverca até andou perto da área do FC Porto, até teve um ou dois remates, mas nenhum a colocar em perigo o zero na baliza azul e branca. A segunda parte começou parecida com a primeira, mas, aos 67’, Diogo Costa fez jus a uma das frases feitas do futebol mundial: guarda-redes de equipa grande defende poucas bolas, mas as que defende valem pontos. Aí, no tal minuto 67, teve reflexos tremendos para se opor a um remate ligeiramente cruzado de Figueiredo, desviando a bola para canto. Logo de seguida, mais uma defesa atenta, embora de menor grau de dificuldade. E, até final, mais uma ou duas sem grande perigo.
(6) BEDNAREK - Tinha um título nacional (Lech Poznan, em 2014/2015). Agora tem dois. E para a história fica Jan Kacper Bednarek como o homem que abriu o marcador no jogo que entregaria, por fim, o título de 2025/2026 ao FC Porto. Canto de Gabri Veiga e desvio potente do central polaco. Na segunda parte, andou muito mais envolvido em tarefas defensivas, pois o Alverca libertou-se e quis criar mais perigo junto de Diogo Costa.
(5) KIWIOR - Chegou ao golo antes de Bednarek, mas viu-se depois que lá chegara de forma ilegal, aconchegando a bola com a mão antes do remate fatal. Lance anulado, claro está. Não foi o muro que tem sido ao longo desta época e, por ter visto cartão amarelo aos 38’, seria candidato a sair ao intervalo. Assim foi: Kiwior por Alan Varela.
(5) ZAIDU - Meteu no bolso, nos últimos dois meses, a dupla M&M: Martim e Moura. Há quatro anos, na Luz, fora o herói do último título do FC Porto. Ontem, não foi herói e saiu ao intervalo, após alguns lances mais delicados que não resolveu da melhor forma.
(6) PABLO ROSARIO - Mais fixo do que Froholdt e Gabri Veiga, não entrou bem, com uma perda de bola seguida de escorregadela que poderia ter causado perigo a Diogo Costa. Ultrapassado esse período mais débil, arrancou uma exibição ao nível de muitas outras. Passou a central, após o intervalo, na sequência da saída de Kiwior, mas até se mostrou mais eficaz.
(6) FROHOLDT - Cada um dos três grandes tem o seu nórdico loiro: o Sporting tem Hjulmand, o Benfica tem Schjelderup e o FC Porto tem Froholdt. Que é, à falta de melhor análise, o maior jogador do agora campeão nacional. A primeira parte foi à Froholdt da primeira metade da época, a segunda parte foi um pouco menos preponderante.
(6) GABRI VEIGA - Tentou um golaço do outro mundo: o chamado golo olímpico. A bola saiu-lhe ligeiramente arqueada do quarto de círculo do lado esquerdo e ainda tocou, ligeiramente, no poste mais distante da baliza de Matheus Mendes. Seria um canto direto, talvez uma das melhores formas de o FC Porto chegar à vantagem. Andou depois metido em picardias com Figueiredo e, quase meia hora depois desse canto (quase) soberbo, executou outro, do lado contrário, que apanhou a cabeça potente de Bednarek: 1-0. Após o descanso, esteve bem mais ativo, construindo e destruindo, mas, ainda assim, sem ser influente no jogo ofensivo dos dragões.
(5) PEPÊ - Pareceu mais preocupado com tarefas defensivas na ajuda ao meio-campo do que propriamente em ser o desequilibrador que é tantas vezes. Teve, já a segunda parte ia bem alta, uma jogada de progressão que poderia ter criado perigo, mas tudo terminou de forma inconsequente.
(6) DENIZ GUL - Parece um cavalo de corrida, uma espécie de Alberto Costa do ataque. Forte e rápido, potente e ousado, saudavelmente indisciplinado. Após os dois golos ao Estrela da Amadora, tentava pela segunda vez — Bodo/Glimt e Arouca, em setembro de 2024 — marcar em dois jogos seguidos. Não teve medo de, por vezes, parecer ser ele contra o mundo, tentando sozinho aquilo que nem sempre o FC Porto conseguia de forma coletiva. Não chegou ao golo, mas bem que o merecia.
(5) PIETUSZEWSKI - Só dentro de 18 dias chegará à maioridade, mas sabe-se que tem mais poder físico do que muitos adultos. Tentou muitas vezes a ultrapassagem de Navas à custa da velocidade, mas não esteve ao nível do que, por exemplo, mostrou no jogo da Luz. Saiu pouco depois da hora de jogo, aparentemente por desgaste físico.
(5) MARTIM FERNANDES - Entrou ao intervalo para o lado esquerdo da defesa e limitou-se a cumprir, sem altos nem baixos.
(5) ALAN VARELA - Quarenta e cinco minutos em campo no lugar de Kiwior e na posição de Pablo Rosario. Cumpriu.
(4) BORJA SAINZ (63’) - Era só mesmo encostar quando, aos 72’, o cruzamento de Alberto Costa saiu perfeito para a cabeça do 17 portista, mas o desvio de cabeça saiu fraco e bem à figura de Matheus Mendes.
(5) FOFANA - Um dos homens mais influentes no insuflar de energia na segunda metade da época entrou para os 15 minutos finais da festa, quando já toda a gente estava bem mais preocupada com o apito final.
(-) RODRIGO MORA - Havia Pablo Rosario, Froholdt, Gabri Veiga e, mais tarde, Alan Varela e Fofana, e Rodrigo Mora entrou já pertinho do fim para participar no jogo e na festa.