Recuperação de Fresneda, reforço confirmado e as lesões: tudo o que disse Rui Borges
Rui Borges, treinador do Sporting, analisou a vitória frente ao Farense por 3-1, falou da recuperação de Fresneda, das lesões que assolam o plantel e confirmou a contratação de Biel.
— Uma análise à partida e ao golo de bola parada.
— A bola parada é um momento do jogo específico, em que cada vez é mais difícil parar, esta equipa até é das mais difíceis porque tem gente muito fora nesses momentos. Às vezes, tem a ver com quem bate. É o que é, vamos ser algumas vezes competentes, outras nem tanto, faz parte. Estou feliz pelo jogo que fomos capazes de fazer, independentemente de jogarmos com o FC Porto na próxima semana ou não. Fomos competentes no nosso jogo. Estamos no primeiro lugar, onde queremos estar e só dependemos de nós para o manter. Resta-nos ser competentes em cada jogo. Hoje, que era um jogo importante, com uma equipa com um bloco baixo. Não são jogos tão espetaculares ao nível de qualidade de jogo, porque as equipas adversárias são demasiado defensivas e nós tínhamos de ter essa calma. Na primeira parte, em que tivemos essa calma, principalmente, criámos situações de um para um à largura. Fomos muito competentes, tirando nos últimos cinco, 10 minutos da primeira parte, em que baixámos um bocadinho a intensidade nos duelos. Deixámos o Farense fazer o 2-1 e acreditar. O jogo tornou-se cada vez mais perigoso nesse sentido, porque a segunda parte foi exatamente a mesma coisa: nós com bola, bloco baixo, uma equipa preparada o contra-ataque e ataque rápido. Fomos conseguindo ser fortes nas reações à perda, mais na primeira parte até do que na segunda. Mesmo assim, os contra-ataques perigosos são perdas de bola nossas de forma muito fácil e não a tentar furar a área do adversário. Perante aquilo que foi o jogo, acho que merecíamos ter feito o 3-1 mais cedo. Chegou perto do fim, deu mais tranquilidade. Não perdemos o equilíbrio emocional, que era muito importante hoje. Fico feliz com a competência que a equipa teve.
— O Sporting volta a sofrer no final do jogo. É sinal de imaturidade? Já há alguma informação sobre a lesão de Catamo? Pode empurrar Quenda para a direita?
— Quenda tem rendido muito bem à esquerda. Não podem jogar todos à direita, têm de jogar à esquerda e ele tem sido muito competente nesse sentido. Em relação à lesão, não sei. Espero que não seja nada muito grave e que não pare muito tempo. Leve não deve ser, porque teve de sair...
Cada jogo tem a sua história e hoje não vimos o adversário a ter uma iniciativa. O adversário esteve sempre em jogo transição, contra-ataques, ataques rápidos, porque não lhe demos iniciativa em momento algum. É lógico que, durante um minuto ou outro, não podemos andar a pressionar e durante 30 segundos ou um minuto, pode perder-se a posse de bola. Mas mais do que isso não aconteceu no jogo. Baixámos 5-10 minutos na primeira parte, deixámos de acreditar numa outra transição e fomos pouco competentes nesse sentido, perdemos alguma intensidade. Se calhar, por estarmos a ganhar 2-0, perdemos alguma intensidade nos duelos. O golo sai num cruzamento da largura em que fomos muito ‘fofinhos’ no 1 para 1. Mas a equipa foi bastante competente na segunda parte. Perdemos algumas bolas, mas faz parte. São jogos muito perigosos. Às vezes, esquecemos que o Iván [Fresneda] tem 20 anos, o Diomande tem 21, o Inácio tem 23, o Simões, 18, o Quenda, 17, o Harder, 19... Essa maturidade, em alguns momentos do jogo, vai faltar. Faz parte do crescimento deles. Por isso, perante a idade que eles têm, perante até alguma maturidade e qualidade que põem no jogo, não podia estar mais feliz com aquilo que eles fazem. Agora, eles vão perder bolas, eu quero que eles falhem. E falhem muitas, porque assim não alguns se escondem do jogo. Não se esconderam e mantiveram o equilíbrio, principalmente emocional. Dois fatores importantes para este jogo. Mesmo se o jogo estivesse 0-0, era importante mantermos esse equilíbrio. Quanto ao FC Porto: são jogos totalmente diferentes. Em termos mentais, em termos físicos, em termos dos momentos de jogo, o que dá o Porto e o que dá o Farense. Eu analisei o Farense. O Farense joga num bloco médio, só joga assim com equipas grandes. É difícil para nós. Jogou com o Rio Ave na semana passada em casa e perdeu. Dividiu o jogo. Tomara a nós que as equipas dividissem mais os jogos connosco, havia mais espaços. É muito diferente.
— Dentro daquilo que perspetivávamos, o Biel é um jogador com características muito próprias. Acreditamos que pode acrescentar ao Sporting algumas coisas que não temos. É um jovem que vem com fome de se mostrar na Europa e nós queremos isso. Dentro do que nos pode oferecer, vai fugir um bocadinho daquilo que nós temos. É mais um para ajudar estou feliz que ele faça parte da nossa família, acima de tudo. Em relação ao Harder... é um miúdo. Tem 19 anos, mas por vezes parece um miúdo de 15, porque é aquele miúdo de futebol de rua. Precisamos mais de jogadores de futebol de rua. E tem coisas boas, porque, apesar de, em alguns momentos, faltar-lhe alguma maturidade pela idade não sente muita pressão de substituir o Viktor, que está de fora e que, apesar de tudo, é um jogador marcante no Sporting e no Campeonato Português. Podia sentir essa pressão se não fosse da forma que é. Acrescenta muita energia, essa paixão ao jogo, à equipa. É importante em alguns momentos e tem trabalhado imenso nas dificuldades dele, mesmo em termos defensivos, alguns pequenos pormenores. Tem sido fantástico nesse sentido, estou feliz por tudo o que ele tem dado. É um miúdo feliz, transmite felicidade para todos nós. Lá está! Essa falta de maturidade, em alguns momentos, é positiva para ele.
— O Fresneda fez um golo. Sente que o recuperou física e animicamente?
— Acho que está, aos poucos, a ser recuperado nesse sentido. É um miúdo de 20 anos que passou quase um ano e meio sem jogar. As expectativas sobre ele eram enormes, se calhar dele próprio, até. As expectativas estavam altas. Não correspondeu, porque não jogou durante quase um ano e meio. É normal que a confiança baixasse, que desconfiasse dele próprio. É natural em todos nós. A maior confiança que lhe podíamos dar é que ele está a jogar. Vai falhar, tem 20 anos. Volto a dizer, vai falhar imenso. Fico feliz pelo primeiro golo dele. Vai crescer, vai ganhar mais maturidade e confiança. É muito tempo sem jogar. Joga numa equipa grande, primeira classificada, com uma pressão enorme. Por tudo o que isso engloba para um miúdo de 20 anos, está muito bem. Não podia estar mais feliz com a resposta de todos eles.
— Daniel Bragança parece ter saído com queixas. Morita e Gyokeres, que estavam em dúvida, também não estiveram no banco. Consegue deixar algumas palavras para tranquilizar os adeptos?
— O Dani penso que foi uma pancada, acho que não passa disso. Em relação ao Viktor e ao Morita, é muito dia a dia. Amanhã podem estar bem e começar a treinar, como podem não estar confortáveis nesse sentido. É esperar. Acredito que possam estar disponíveis. Hoje talvez tenhamos perdemos o Geny. É importante ter cada vez mais jogadores disponíveis.
— Esta lesão e a falta de experiência podem levar a atacar o mercado? Porque é que o Sporting jogou com os laterais muito por dentro?
— Essa opção foi no sentido de obrigar os nossos laterais a andar por dentro. O Iván acaba por fazer golo. Mais do que isso, era o Fresneda provocar diagonais e criarmos situações de 1 para 1 com o Geny, com o Quenda, com o Maxi, se fosse o Quenda por dentro, porque a equipa adversária é muito compacta, muito baixa, muito... Pouco espaço interior, muito pouco espaço. Era criar situações de 1 para 1 no corredor e tentar explorar os homens mais fortes que temos para isso. Em relação às lesões e ao mercado, volto a dizer: queremos recuperar os nossos. No mercado, não sei se vem mais alguém ou não, não estamos focados nisso, para ser honesto. O Biel era um alvo que vimos, conseguimos. É seguir e focar no Porto.
— O Alisson é jogador da UD Leiria, não vou comentar. Em relação ao Rui Silva, é jogador da seleção portuguesa. É um guarda-atletes mais maduro, mais velho do que os que temos, mas estou feliz com todos. O Rui é mais experiente pela sua idade, mas estou tranquilo, jogue quem jogar.
— Está convencido com Fresneda e Eduardo Quaresma a lateral-direito ou ainda está à espera de um milagre no último dia do mercado? A entrada de Matheus Reis foi já para preparar a partida no Dragão?
— O Matheus foi uma leitura que fizemos. O Dani estava a cair um bocadinho em termos físicos. Tentámos criar ali coisas diferentes, manter um bocadinho mais de equilíbrio com o Matheus, dar a largura com o Maxi. Estava focado no Farense, não estou focado no Dragão. O único milagre que eu queria era que estivessem todos disponíveis, que estão no plantel, mas está difícil.
— Qual é a importância dos centrais na construção do Sporting?
— Os centrais são cada vez mais importantes. O guarda-redes também é importante na primeira etapa de construção e os centrais não fogem a isso. Principalmente com estas equipas de blocos baixíssimos, em que os centrais vão construir para o lado do meio-campo. Às vezes, querem jogar bem demais. Dar um pontapé na frente, às vezes, não é mal jogado. Faz parte do processo de crescimento deles. Esses dois [Diomande e Inácio] são dois centrais muito, muito, muito bons. O Zeno [Debast] também o é. O St. Juste também fez grandes jogos. Agora não está a jogar porque teve a lesão e acabou por dar o lugar. Nesse sentido, estou muito feliz com o que todos os centrais dão. O Quaresma está adaptado, mas também sabemos muito bem aquilo que ele dá por dentro. O Zeno, e há poucos dias diziam que era a maior promessa a nível da Europa, tem uma qualidade muito acima da média com bola. Nós temos conseguido adaptá-lo ali no meio-campo. E tem correspondido muito bem. Mas todos os centrais dão garantias na construção. Têm essa qualidade. Estamos numa grande equipa e a qualidade tem de existir desde o guarda-redes até ao avançado.