Selecionador de França fala da derrota por 4-6 frente à Inglaterra

Zidane entra para combater o «ambiente insuportável»

Está para breve a oficialização do novo selecionador. Para trás fica um Mundial 2026 cheio de sombras: Deschamps não conseguiu gerir um balneário partido

Falta muito pouco para a Federação Francesa de Futebol anunciar a contratação de Zinedine Zidane para o cargo de selecionador nacional, substituindo Didier Deschamps, que esteve 14 anos no lugar. Pela frente, o antigo craque terá a obrigação de reverter o «ambiente insuportável».

«Vou dizer com franqueza: minha decisão [de sair] não foi por minha causa. Porque o clima estava insuportável, e toda a atenção estava voltada para mim. Não foi uma decisão precipitada, pensei nisso muito bem. Desde que anunciei minha saída, as coisas melhoraram bastante para a seleção francesa», afirmou o campeão do mundo em 2018, à M6.

O clima esteve longe de ser saudável em todo o Mundial. Segundo o L'Équipe, os jogadores ficaram desagradados com algumas decisões da federação do ponto de vista logístico, apelidadas de «mesquinhas» no âmbito do rigor orçamental imposto por Philippe Diallo, líder do organismo.

O desgaste foi aumentando à medida que o tempo passava e um balneário composto por tanto talento foi, afinal, um plantel composto por muitos grupos que se separavam, sem criar uma dinâmica coletiva. Prova disso foi ausência dos habituais jantares ou almoços de convívio.

Sem nunca o ter assumido de forma pública, Didier Deschamps desabafou a fontes próximas de que nunca conseguiu impedir a criação destas ilhas, que reúnem altos interesses individuais. Segundo os mais recentes relatos, o técnico sentiu-se desapoiado pelos responsáveis federativos na luta contra esta lógica de fações.

Do ponto de vista tático, técnico e gestão de expectativas também se apontaram falhas. Muitos jogadores terão ficado desagradados com a pouca utilização, já em encontros em que o resultado estava aparentemente garantido, e a titularidade de Dembelé também foi posta em causa. No jogo da meia-final frente à Espanha, o menor rendimento do Bola de Ouro no momento das transições defensivas terá sido tema quente, embora foi na partida da disputa do terceiro e quarto lugares, diante da Inglaterra, que tudo aqueceu, inclusive uma discussão entre Cherki e Deschamps.

Por este motivo, o selecionador recusou a homenagem que a Federação Francesa de Futebol quis prestar-lhe após a participação no Mundial 2026. Mesmo com um legado rico composto por um Mundial (2018), uma presença na final de 2022, uma presença na final do Euro 2016 (perdida para Portugal) e uma Liga das Nações (2021), o campeão do mundo em 1998 como jogador estava farto.

Segue-se Zizou, conhecido pelo perfil conciliador e capaz de gerir os egos mais inflados.

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