Contrato de Zidane para suceder a Deschamps força mudança na lei francesa
Com o final do ciclo de catorze anos de Didier Deschamps no comando da seleção francesa, que se conclui no próximo sábado no Mundial 2026, o nome de Zinédine Zidane surge como o mais provável sucessor. No entanto, a formalização do contrato enfrenta um obstáculo legal significativo: a «lei sobre a governação do desporto profissional».
Esta nova legislação, que abrange diversas áreas, incluindo a remuneração de dirigentes e funcionários das federações desportivas, estabelece um limite salarial de 450 mil euros brutos por ano, segundo o L'Équipe. A decisão foi tomada a 8 de julho por uma comissão mista do Senado e da Assembleia Nacional. Contudo, a lei prevê a possibilidade de uma derrogação concedida pelo Ministério dos Desportos para salários superiores a este teto.
O texto legal aguarda agora a sua adoção formal em sessão pública, prevista para 20 e 21 de julho, antes de ser publicado no Jornal Oficial. Assim, caso o contrato entre Zidane e a FFF ainda não tenha sido assinado — a federação recusa-se a confirmar —, será imperativo obter a aprovação de Marina Ferrari, a Ministra dos Desportos, da Juventude e da Vida Associativa. A alternativa, que parece pouco provável, seria Zidane aceitar um salário quase dez vezes inferior ao de Deschamps.
A FFF poderia, teoricamente, assinar o contrato antes da promulgação da lei para evitar o controlo ministerial, mas tal manobra seria vista como uma demonstração de força e poderia ser mal interpretada. Questionada esta quarta-feira no canal France 2, a ministra Marina Ferrari considerou Zidane «um bom perfil» para os Bleus, mas manteve a prudência. «Sabe, não compete ao Ministro dos Desportos posicionar-se sobre a escolha do selecionador», disse.
Apesar desta declaração, ao conceder ou não a derrogação salarial, a ministra desempenhará um papel decisivo na nomeação não só do selecionador, mas também de alguns dos seus adjuntos, cujos salários também deverão exceder o limite de 450 mil euros. Esta situação tem gerado surpresa entre vários observadores, que veem nesta disposição legal uma forma de o poder político influenciar a escolha do selecionador, uma prática frequentemente criticada noutros países.