Zidane não treina desde a saída do Real Madrid, no verão de 2021, e tem sido associado à seleção francesa
Zidane não treina desde a saída do Real Madrid, no verão de 2021, e tem sido associado à seleção francesa

Contrato de Zidane para suceder a Deschamps força mudança na lei francesa

Iminente contratação do novo selecionador de França está condicionada por uma nova lei que impõe um teto salarial de 450 mil euros brutos anuais. FFF necessitará de uma autorização especial do Ministério dos Desportos

Com o final do ciclo de catorze anos de Didier Deschamps no comando da seleção francesa, que se conclui no próximo sábado no Mundial 2026, o nome de Zinédine Zidane surge como o mais provável sucessor. No entanto, a formalização do contrato enfrenta um obstáculo legal significativo: a «lei sobre a governação do desporto profissional».

Esta nova legislação, que abrange diversas áreas, incluindo a remuneração de dirigentes e funcionários das federações desportivas, estabelece um limite salarial de 450 mil euros brutos por ano, segundo o L'Équipe. A decisão foi tomada a 8 de julho por uma comissão mista do Senado e da Assembleia Nacional. Contudo, a lei prevê a possibilidade de uma derrogação concedida pelo Ministério dos Desportos para salários superiores a este teto.

O texto legal aguarda agora a sua adoção formal em sessão pública, prevista para 20 e 21 de julho, antes de ser publicado no Jornal Oficial. Assim, caso o contrato entre Zidane e a FFF ainda não tenha sido assinado — a federação recusa-se a confirmar —, será imperativo obter a aprovação de Marina Ferrari, a Ministra dos Desportos, da Juventude e da Vida Associativa. A alternativa, que parece pouco provável, seria Zidane aceitar um salário quase dez vezes inferior ao de Deschamps.

A FFF poderia, teoricamente, assinar o contrato antes da promulgação da lei para evitar o controlo ministerial, mas tal manobra seria vista como uma demonstração de força e poderia ser mal interpretada. Questionada esta quarta-feira no canal France 2, a ministra Marina Ferrari considerou Zidane «um bom perfil» para os Bleus, mas manteve a prudência. «Sabe, não compete ao Ministro dos Desportos posicionar-se sobre a escolha do selecionador», disse.

Apesar desta declaração, ao conceder ou não a derrogação salarial, a ministra desempenhará um papel decisivo na nomeação não só do selecionador, mas também de alguns dos seus adjuntos, cujos salários também deverão exceder o limite de 450 mil euros. Esta situação tem gerado surpresa entre vários observadores, que veem nesta disposição legal uma forma de o poder político influenciar a escolha do selecionador, uma prática frequentemente criticada noutros países.

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