A surfista portuguesa Yolanda Hopkins na Ericeira 2025. Foto Pedro Mestre
A surfista portuguesa Yolanda Hopkins na Ericeira 2025. Foto Pedro Mestre

Yolanda Hopkins terá de surfar na Nova Zelândia

WSL mexeu no calendário do Circuito Mundial em 2026 e retirou a etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul, por questões económicas e faltas de apoios, substituindo-a por Many Bay, na cidade de Raglan

A World Surf League anunciou que a Nova Zelândia passou a integrar o calendário do Championship Tour (CT) de 2026, com a prova a decorrer de 15 a 25 de maio. A icónica onda esquerda de Manu Bay, em Raglan, será a quarta etapa do circuito, que celebra o 50.º aniversário com um novo formato.

A competição em Raglan, na região de Waikato, reunirá os 36 melhores surfistas masculinos e as 24 melhores surfistas femininas, entre as quais Yolanda Hopkins, que se tornará na primeira portuguesa a integrar a elite do surf mundial. Até agora apenas Tiago Saca Pires e Frederico Morais haviam chegado a CT. Segundo o comunicado da WSL, a escolha da nova localização foi recebida com entusiasmo, tanto pela organização como pelos surfistas.

Esta mudança a três meses do arranque do Mundial, marcado para 1 de abril, em Bells Beach, Victoria, na Austrália, implicou igualmente alterações na ordem de algumas provas, mas não na de Ribeira d'Ilhas. Jeffreys Bay surgia como a sexta etapa no calendário apresentado em julho, no entanto, Manu Bay passa a ocupar a quarta posição no campeonato, com a passage por Saquarema, no Rio de Janeiro (Brasil) a ser agora a sexta prova, depois de Punta Roca, em El Salvador.

«Estamos entusiasmados por receber esta nova localização no CT no 50.º ano do World Tour», afirmou Ryan Crosby, CEO da WSL, que destacou o apoio do governo neozelandês. «Sendo uma onda esquerda de qualidade, Manu Bay, em Raglan, é uma excelente adição ao circuito», acrescentou.

A inclusão de uma onda esquerda foi particularmente elogiada pelos campeões mundiais de 2025. O brasileiro Yago Dora manifestou a sua satisfação: «Estou muito feliz com a adição de uma onda esquerda manobrável no circuito. Há muito tempo que pedíamos para ter uma no calendário e finalmente conseguimos!». Por sua vez, a australiana Molly Picklum mostrou-se «superentusiasmada por ter uma prova não muito longe de casa», sublinhando que «a cultura e o modo de vida da Nova Zelândia são uma lufada de ar fresco».

A Nova Zelândia já tem um historial na organização de eventos de surf de elite, incluindo etapas femininas do CT em Taranaki entre 2010 e 2013. Ben Kennings, diretor executivo da Surfing New Zealand, considerou o evento «um momento histórico para o surf em Aotearoa», nome maori para o país. «Será o maior evento de surf alguma vez realizado na Nova Zelândia, trazendo os melhores surfistas do mundo à nossa onda mais icónica», disse.

Para atribuir os wildcards da prova, a SNZ organizará no início de maio de 2026 o evento de qualificação «Backdoor King and Queen of the Point», onde o melhor surfista masculino e a melhor surfista feminina garantirão a sua entrada na etapa do CT.

A temporada de 2026 terá um calendário de 12 etapas, de abril a dezembro, começando na Austrália e terminando no Havai, com o Pipe Masters. O formato foi alterado, com a eliminação das rondas não eliminatórias para aumentar a competitividade desde o início. Após a nona etapa, o número de competidores será reduzido, como é habitual, para 24 homens e 16 mulheres. Abu Dhabi (Emirados Árabes) e Peniche figuram como as duas etapas após o cut, mantendo-se a prova portuguesa como a única disputada na Europa. Os títulos mundiais serão decididos com base nos nove melhores resultados de cada surfista.

Para acomodar a entrada de Raglan, a etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul, foi retirada do calendário. Ryan Crosby explicou a decisão: «Fizemos o nosso melhor para que J-Bay funcionasse em 2025, mas o apoio financeiro não existe para a tornar viável este ano». O CEO da WSL lamentou a saída de «uma das melhores ondas do mundo», mas garantiu que a organização continuará a «explorar formas de regressar no futuro».

A World Surf League (WSL) já revelou o calendário para o Championship Tour de 2026, confirmando uma estrutura que visa a sustentabilidade da modalidade a longo prazo.

De acordo com Crosby, a organização tem como objetivo principal garantir o sucesso do surf profissional e assegurar que os melhores surfistas do mundo dispõem de uma plataforma para continuar a desenvolver o desporto nos próximos anos.

«O nosso objetivo é preparar o surf profissional para o sucesso a longo prazo e garantir que os melhores surfistas do mundo têm a plataforma para continuar a fazer evoluir o desporto durante muitos anos», afirmou Crosby, acrescentando que «alcançar este objetivo exige a tomada de decisões que priorizem a saúde geral do negócio».

O calendário para 2026 apresenta eventos com um número reduzido de participantes, embora todos os atletas do Championship Tour compitam pelos títulos do Pipe Masters.

WSL Championship Tour 2026

1.ª, etapa – Bells Beach, Victoria, Austrália (1 a 11 de abril)
2.ª, etapa – Margaret River, Austrália Ocidental, Austrália (16 a 26 de abril)
3.ª etapa – Snapper Rocks, Queensland, Austrália (1 a 11 de maio)

4.ª, etapa – Raglan, Nova Zelândia (15 a 25 de maio)
5.ª, etapa – Punta Roca, El Salvador (5 a 15 de junho)
6.ª, etapa – Saquarema, Rio de Janeiro, Brasil (19 a 27 de junho)

7.ª, etapa – Teahupo’o, Taiti, Polinésia Francesa (8 a 18 de agosto)
8.ª, etapa – Cloudbreak, Fiji (25 de agosto a 4 de setembro)
9.ª, etapa – Lower Trestles, San Clemente, Califórnia, EUA (11 a 20 de setembro)

10.ª, etapa – Surf Abu Dhabi, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos (14 a 18 de outubro)
11.ª, etapa – Peniche, Portugal (22 de outubro a 1 de novembro)
12.ª, etapa – Banzai Pipeline, Havaí, EUA (8 a 20 de dezembro)