Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

Vasco Botelho da Costa: «Para minha surpresa, sentimos muito o ambiente»

À Sport TV, técnico do Moreirense reconheceu a superioridade do FC Porto, assumiu culpas pela má entrada no Dragão e deixou um recado claro ao avançado Luís Semedo.

Vasco Botelho da Costa não procurou desculpas para a derrota do Moreirense frente ao FC Porto, no Estádio do Dragão. Na habitual flash interview à Sport TV, o treinador dos cónegos admitiu que o triunfo azul e branco não levanta qualquer tipo de dúvidas e apontou o dedo à ansiedade da sua equipa nos minutos iniciais, assumindo, ainda assim, a sua quota-parte de responsabilidade pelo rumo dos acontecimentos.

«Acho que é um jogo que não tem grande história quanto à justiça e à superioridade do FC Porto. Por isso, parabéns ao FC Porto, foi muito mais forte do que nós», começou por analisar o técnico, dissecando depois o peso do palco na atitude da equipa.

«Acho que sentimos um pouco o ambiente. É algo que até me deixa um pouco surpreendido, não é costume. Nós normalmente jogamos com personalidade, com ambição, mas efetivamente tivemos alguns jogadores que eu acho que não estiveram muito concentrados. Estavam um pouco ansiosos e isso refletiu-se muito nos primeiros 20 minutos de jogo, porque mesmo as bolas que nós perdemos são bolas de péssimas decisões», atirou, antes de puxar a si o ónus da má entrada: «Atenção, o mais provável é a mensagem do treinador durante a semana não ter sido clara o suficiente e, portanto, há responsabilidade da minha parte nesse aspeto.»

O plano tático delineado, que passava por «tirar as referências» aos dragões jogando sem um ponta de lança fixo e evitando o jogo longo, acabou por esbarrar nos erros na hora de sair a jogar. Com o 2-0 no marcador ao intervalo, Vasco Botelho da Costa sentiu a equipa mais solta na etapa complementar, aproveitando também o facto de o adversário ter baixado ligeiramente a agressividade na pressão.

O 'puxão de orelhas' a Luís Semedo

Um dos momentos de maior destaque nas declarações prendeu-se com a situação de Luís Semedo. Num jogo com poucas opções no banco, o avançado nem sequer foi a aquecimento. Questionado sobre se o jogador estaria condicionado fisicamente, Vasco Botelho da Costa assumiu ter sido uma opção puramente técnica, justificando-a com a necessidade de colocar o coletivo em primeiro lugar.

«O Luís é um dos meninos desta equipa que eu conheço desde os 7 anos, andava ele nos Pupilos do Exército a jogar no Benfica a fazer golos a torto e a direito. É um jogador que eu adoro, mas que tem de entender que nós somos um grupo, e o grupo vai estar sempre acima da individualidade. Estamos aqui para ajudar todos a crescer e às vezes fazê-los crescer é tomar decisões complicadas», explicou de forma perentória.

Apesar de lidar com um plantel fortemente assolado por lesões nesta fase da temporada, o treinador recusou refugiar-se no papel de vítima. Para o técnico, as contrariedades não são motivo de frustração, mas sim etapas de aprendizagem.

«Focarmo-nos nos problemas nunca é hipótese, não nos leva a lado nenhum. De que é que serve eu estar-me a lamentar que tenho menos um, menos dois, menos três, que não tenho jogadores para uma determinada posição? Tivemos de nos reinventar», sublinhou, recordando a excelente campanha dos cónegos: «Já conseguimos a manutenção a 10 jornadas do fim, mas ao mesmo tempo somos muito ambiciosos. Temos de nos focar nas oportunidades, nas soluções, e estas dificuldades só me vão fazer crescer mais.»