Volta ao Algarve 2026: a hora de João Almeida
João Almeida é reconhecido e assumido candidato à vitória na Volta ao Algarve, que arranca quarta-feira de Vila Real de Santo António, para cinco etapas a cumprir pelas melhores equipas de ciclismo do mundo a prometerem emoção. Depois do segundo lugar em 2025, então batido por Jonas Vingegaard no contrarrelógio final com chegada ao Alto do Malhão, o cenário muda este ano: sem o dinamarquês e a poderosa Visma-Lease a Bike em cena, o corredor da UAE Emirates sobe naturalmente ao topo da hierarquia dos favoritos.
Tal como na temporada passada, o ciclista natural de A dos Francos chega ao Algarve vindo da Volta à Comunidade Valenciana, onde voltou a abrir o ano com um segundo posto - desta feita atrás de Remco Evenepoel. O belga apresentou-se com maior ritmo competitivo, mas as indicações deixadas por Almeida em solo espanhol reforçam o estatuto de homem a bater, num lote onde sobressai o antigo companheiro de equipa Juan Ayuso.
O espanhol, de apenas 23 anos, inicia um novo capítulo na Lidl-Trek, formação que também estreia o canadiano Derek Gee, quarto classificado no Giro 2025 e protagonista de uma saída envolta em polémica da entretanto extinta Israel-Premier Tech.
Almeida contará com um bloco de luxo ao seu dispor. Entre os apoios, surgem os compatriotas António Morgado — fresco de uma segunda vitória consecutiva na Clássica da Figueira -, Ivo Oliveira e Rui Oliveira. A estes juntam-se nomes de peso como Brandon McNulty, já em evidência neste arranque de época, e o trepador austríaco Felix Grossschartner, que volta a cumprir a dobradinha Figueira-Algarve.
O duelo com Ayuso promete marcar o tom da corrida, mas não esgota a lista de candidatos. A Red Bull-BORA-hansgrohe apresenta-se com o jovem alemão Florian Lipowitz, terceiro no Tour 2025, ao lado do colombiano Daniel Martínez, vencedor da Algarvia em 2023.
A INEOS surge igualmente bem apetrechada: o britânico Oscar Onley e o francês Kévin Vauquelin escolhem o Algarve para iniciar a temporada, numa equipa que inclui ainda Filippo Ganna — forte candidato ao triunfo no contrarrelógio — e Thymen Arensman, vencedor de duas etapas no último Tour.
Entre as novas figuras a seguir está também Paul Seixas. O francês de 19 anos, vencedor da Volta ao Futuro, estreia-se na temporada como esperança maior da Decathlon, acompanhado pelo norte-americano Matthew Riccitello, quinto na Vuelta 2025 e recente vencedor da Volta à Provença.
Pontos quentes, 'crono' e Altos do costume
A 52.ª edição da Volta ao Algarve traz uma novidade que promete mexer com a corrida desde o primeiro dia: a introdução dos chamados pontos quentes, sprints bonificados concentrados em pouco mais de um quilómetro, que atribuem três, dois e um segundos aos três primeiros a cruzar o risco.
A estreia faz-se logo na etapa inaugural, com este setor instalado num troço de empedrado em Vila Real de Santo António, a 24 quilómetros da habitual chegada a Tavira — onde tudo aponta, ainda assim, para um desfecho em sprint num pelotão compacto.
Na quinta-feira, a estrada inclina-se a sério. A Fóia surge como primeiro grande teste para os homens da geral, no final de 147,2 quilómetros com partida em Portimão. Pelo caminho, o pelotão enfrenta a Picota e o Alferce, além de uma contagem de terceira categoria em Casais.
Antes do assalto final haverá novo ponto quente — desta feita com dois sprints bonificados — a anteceder os decisivos 8,9 quilómetros da subida à Fóia, o ponto mais alto do Algarve, a 902 metros de altitude. A meta coincide com uma contagem de primeira categoria, abordada por uma vertente renovada que apresenta rampas até 14%.
As diferenças entre favoritos poderão ganhar outra expressão na terceira etapa, na sexta-feira, com um contrarrelógio individual de 19,5 quilómetros em Vilamoura.
Os sprinters terão nova oportunidade na tirada seguinte, que liga Albufeira a Lagos ao longo de 175,1 quilómetros, incluindo uma primeira passagem pela meta a 32,7 quilómetros do final.
Como manda a tradição, será o Alto do Malhão a fechar as contas da classificação geral, no ponto alto da etapa decisiva - depois de uma primeira abordagem que servirá de aperitivo para o duelo final.