Vitória SC — Assim é difícil...
1 — Chamei à minha última crónica 'Reinício'. Queria apelar para uma entrada em setembro pondo para trás um início nada auspicioso. Este domingo, no jogo em casa contra o Casa Pia, era o momento de dar corpo a essa sensação de reinício. Não fomos capazes. E assim é difícil…
Em Guimarães habituámo-nos a batizar o Vitória como 'o pai dos pobres', querendo com isso significar que sempre que um clube está desesperado de pontos, no fundo da tabela classificativa a precisar desesperadamente de quem o ajude, lá aparece o altruísta Vitória, sempre disponível a ajudar os mais necessitados. Tem sido assim em muitos momentos da nossa História.
Na mais recente, quem não se lembra da derrota em casa com o Farense (1-2), na penúltima jornada do campeonato que nos estragou a quarta qualificação europeia consecutiva, permitindo ao Farense poder-se salvar em casa: o que não conseguiu e perdeu na última jornada com o Santa Clara (1-2) em sua própria casa.
Agora, recebemos a única equipa com zero pontos, que conseguiu conquistar fora de sua casa os seus primeiros pontos. Altruísmo, solidariedade, amor ao próximo. É um fado que temos.
2 — Sobre o jogo em si: eu que apelei nestas linhas que o Vitória se apresentasse em Braga com a linha Beni-Doucet no meio-campo defensivo (que me parecia adequado para as características desse jogo), não compreendo que tenha sido escolhida essa dupla, de dois médios defensivos, num jogo em casa contra o último classificado que precisávamos de vencer; são dois belíssimos jogadores mas nenhum deles traz verticalidade ao jogo, ambos têm maior dificuldade na progressão, em esticar o jogo da equipa. Não compreendo essa opção.
Talvez por isso, embora mantendo um domínio avassalador, houve muito menos caudal ofensivo do que nos outros dois jogos em casa. Do mesmo modo, não compreendo a sacralização do Samu.
É um jogador de que todos gostamos, é um capitão e um atleta respeitado, mas que está visivelmente em baixo de forma. Se a produção ofensiva depende muito da atuação deste falso n.º 10 que, quando é necessário, passa a ser segundo avançado, não se percebe o tempo que Tiago Margarido demora a ver o que toda a gente vê em campo. Os atletas são homens, têm momentos, e nem todos os momentos são positivos.
Para isso mesmo é que a Direção municia o treinador com alternativas, é para poderem ser utilizadas. Até para manter motivados aqueles que aguardam por uma oportunidade.
3 — Por último, o fecho de mercado. Penso que o presidente Rui Rodrigues, bem como o seu diretor desportivo, Fernando Meira, fizeram as apostas adequadas ao fazerem a leitura correta das carências do plantel.
Como já por aqui fui dizendo, a posição de ponta de lança e de médio-ofensivo são claramente as menos bem preenchidas e as que tinham menos alternativas. As contratações de Jakupovic e de Alanzinho, não sendo as ideais prospectivamente na perspetiva etária/potencial de venda, são as possíveis e sobretudo as adequadas para as carências do plantel.
A administração do clube fez bem o seu papel, dando a Tiago Margarido alternativas sólidas e com créditos firmados para as posições onde o plantel estava claramente deficitário.
Temos agora um plantel fechado, de maior dimensão até do que seria desejável (não esquecer que a sobrevivência financeira do Vitória depende da ascensão de jogadores da equipa B para o que é preciso haver espaço), mas com alternativas bastantes para poderem fazer o seu trabalho. É o que agora podemos esperar.