Estreia de sonho num festival… de desperdício (crónica)
De um lado, conquistadores de orgulho ferido e, do outro, gansos em desespero, mediram forças numa tarde soalheira marcada por estreias, bolas nos ferros, muito desperdício e… zero golos.
Tanto Vitória, após a derrota no dérbi do Minho, como Casa Pia, ainda sem qualquer ponto (ou golo) na Liga, queriam (muito) vencer, pelo que não surpreendeu a toada de equilíbrio que se fez sentir nos minutos iniciais.
Com duas peças novas no onze, um deles em estreia absoluta (o reforço Sidibe), a formação liderada por Tiago Margarido mostrou desde cedo que queria assumir as despesas do jogo, embora nem sempre tenha conseguido colocar esse plano em prática no primeiro tempo, muito por culpa da boa réplica dos comandados de Filipe Coelho.
Principalmente pelos pés de João Rego, dor de cabeça para a defesa vitoriana e elemento superlativo dos lisboetas, com muita atividade na primeira metade, o Casa Pia conseguiu assustar… e de que maneira.
Já depois de uma enorme contrariedade — André Gomes saiu por lesão e entrou em cena o estreante Mandic —, o jovem cedido pelo Benfica serviu, com um canto cobrado de forma exímia, David Sousa na área, que atirou ao poste.
Esse momento foi o gatilho que tornou a contenda mais animada, já que se seguiu uma sequência de ocasiões em catadupa, antes de Gustavo Correia apitar para o intervalo.
Primeiro, o capitão Samu desperdiçou uma oportunidade de ouro na cara do croata na baliza casapiana, depois foi Zych a intervir, travando um tiro cruzado de Pauwels, e houve ainda tempo para Doucet atirar um míssil ao ferro.
Motivado pelo ascendente, o conjunto vimaranense, que havia sentido algumas dificuldades no último terço, sobretudo pela vasta quantidade de cruzamentos sem efeito para a área, reentrou determinado a marcar cedo. Pé a fundo no acelerador e sufoco ao Casa Pia, com um tremendo volume ofensivo que não deu frutos.
Com Ndoye perdulário, Gustavo Silva com pontaria a mais num livre direto (terceira bola no ferro) e Samu a perder novamente no um para um com Mandic, após toque soberbo do senegalês, não havia quem conseguisse entrar no cofre lisboeta.
Completamente afundada na sua área, a turma de Filipe Coelho quebrou fisicamente e praticamente deixou de existir ofensivamente.
Com uma estreia para lembrar, Mandic voltou a brilhar entre os postes, a ganhar novo duelo cara a cara, desta feita com Gustavo Silva. Desespero nas bancadas do D. Afonso Henriques e no banco, exacerbado pelo lance nos últimos segundos em que David Sousa cortou em cima da linha. Tiago Margarido ainda lançou mais cartuchos para o pressing final, mas o nulo prevaleceu.
0 Dínamo na ala direita dos conquistadores, o internacional romeno parece ter agarrado o lugar no onze ideal de Margarido e percebe-se porquê. Aguerrido e sempre ligado ao jogo, não dá uma bola por perdida e desempenha um papel importante na manobra ofensiva. Doucet também deixou bons indicadores no miolo, sobretudo no segundo tempo, após um arranque algo titubeante.
A cumprir a segunda temporada nos casapianos, sendo que na primeira não somou minutos, o croata de apenas 23 anos foi um autêntico muro e principal responsável pelo ponto conquistado no Minho. Monstruoso nos duelos de um para um com os avançados vitorianos, não tremeu na estreia na elite nacional, quando foi chamado a render o azarado André Gomes. Promete.
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães: Oliwier Zych (6); Tony Strata (6), Thiago Balieiro (5), Ahmed Sidibe (6), João Mendes (5); Lohann Doucet (6), Beni Mukendi (6); Miguel Nogueira (5), Samu (5), Gustavo Silva (6); Alioune Ndoye (5). Arnel Jakupovic (5), Óscar Rivas (5), Oumar Camara (5), Patrick Ouotro (—) e Gonçalo Nogueira (—)
As notas dos jogadores do Casa Pia: André Gomes (5); André Geraldes (6), Khaly (5), David Sousa (6), Pedro Rosas (5); Selvi Clua (6), Lawrence Ofori (5); Kevin Prieto (4), João Rego (6), Benjamin Pauwels (4); Alassana Jatta (4). JP (5), Mohamed El Boukammiri (5), Henrique Araújo (4), João Goulart (5).
Tiago Margarido (treinador do Vitória de Guimarães)
A frustração é grande, produzimos mais do que o suficiente para ganhar o jogo. Temos duas bolas nos postes... está a faltar-nos eficácia. Tentámos de todas as formas. Se estivéssemos aqui até amanhã, não conseguíamos marcar um golo.
Alexandre Santana (treinador-adjunto do Casa Pia)
Jogo muito adulto. Sabíamos que vir aqui ia ser muito complicado, mas estes jogadores só têm esta mentalidade porque acreditam muito no que estamos a fazer. Estamos muito felizes por isso. Quem entrou no jogo teve um grande impacto, porque trabalham no limite.
Artigos Relacionados: