Farioli tem desafio de superar exigências elevadíssimas de uma época que se espera de renovação do título e uma boa Champions — Foto: CATARINA MORAIS/KAPTA+
Farioli tem desafio de superar exigências elevadíssimas de uma época que se espera de renovação do título e uma boa Champions — Foto: CATARINA MORAIS/KAPTA+

Os melhores reforços

O FC Porto soube atacar a nova época com uma política de contratações tão boa como a da temporada anterior, com a vantagem extra de ter conseguido manter na equipa as suas principais figuras. A Minha Tribo é o espaço de opinião de Jorge Nuno Oliveira, jornalista e adepto do FC Porto

A espada de Dâmocles que pendeu sobre os clubes foi finalmente embainhada, para descanso de treinadores e dirigentes, e desconsolo dos empresários.

Terminado este período de transferências, o FC Porto é, de longe, o clube que melhor se reforçou. Vejamos: Fofana regressou para robustecer um meio-campo que conhece de olhos fechados; Inbeom Hwang vem dar mais qualidade, inteligência e capacidade de decisão à zona nevrálgica do jogo; Souza garante uma alternativa sólida ao lado esquerdo da defesa, fragilizado pela lesão de; Santiago Gimenez e André Silva são os pontas de lança que faltavam ao ataque azul e branco; Gabriel Mec é o jovem extremo irreverente que vai dar agilidade e profundidade imprevisível à equipa campeã nacional.

Mas os reforços do FC Porto não se ficam por aqui. A estes nomes que vêm somar qualidade, temos de acrescentar Diogo Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Alberto Costa, Victor Froholdt, Gabri Veiga, Pablo Rosario, Alan Varela, Pepê, William Gomes, Samu ou Oskar Pietuszewski, entre muitos outros, que consolidam um plantel forte, estável e com um rendimento desportivo de excelência.

O FC Porto soube atacar a nova época com uma política de contratações tão boa como a da temporada anterior, com a vantagem extra de ter conseguido manter na equipa as suas principais figuras. E dos reforços da época passada, apenas Moffi saiu por decisão técnica. Fofana, que havia regressado ao clube de origem, voltou ao Dragão. É um sinal claro de estabilidade e de continuidade do trabalho iniciado há um ano.

Se, em 2025, estávamos a construir uma nova equipa, que custou muitos milhões de euros, em 2026 estamos a garantir que os campeões nacionais vão manter a sua identidade, a sua força e a sua coesão enquanto grupo vencedor. Esta foi, de longe, a melhor estratégia entre todos os clubes portugueses ao longo do mercado de transferências.

O grande desafio

A UEFA Champions League começou sexta-feira para o FC Porto. O jogo com o Moreirense mostrou uma equipa que teve a garra e a qualidade suficientes para dar a volta ao resultado, mas que revelou, também, um grupo que já tinha a cabeça e as pernas no jogo desta terça-feira com o Manchester City. A primeira parte foi lenta e pouco intensa e foi preciso esperar pelo golo de Bednarek e pela segunda parte para vermos uma equipa à Porto, pressionante, intensa e asfixiante. Como parecem longínquos os jogos com o Arouca ou o Académico de Viseu, em que vimos uma equipa poderosa, fisicamente imponente e totalmente dominadora. Esses tempos acabaram.

Agora, vem aí o grande desafio de Francesco Farioli para esta época 2026/27: superar as exigências elevadíssimas de uma temporada em que se espera que os campeões renovem o título e façam uma boa UEFA Champions League.

Vai ser difícil, mas não será impossível. Se, no ano passado, o que se pedia ao FC Porto era que resgatasse o caminho das vitórias na Liga, hoje pede-se mais, muito mais. Daí, a importância extrema desta política de contratações cirúrgica, que garantisse a estabilidade indispensável do plantel e reforçasse os setores menos sólidos. Foi o que aconteceu.

Farioli tem hoje uma equipa mais rica e profunda do que a que desceu o Douro e subiu os Aliados em maio. Mas isso não basta. E o treinador campeão nacional tem entre mãos a maior tarefa de todas: mobilizar e motivar todos os jogadores para todos os desafios em todas as competições. Sem esquecer, naturalmente, as prioridades desportivas do clube.

O primeiro passo

Não estou a gostar nada deste clima de crispação e guerrilha institucional entre alguns clubes portugueses de topo. Parece que ainda continuamos a confundir rivalidade com inimizade e a julgar que quanto mais alto se grita mais razão se tem. É o contrário.

Por isso, reitero o apelo que aqui deixei há quinze dias a André Villas-Boas: dar o exemplo pela positiva e abrir caminhos de diálogo e cooperação positiva entre clubes. Sem isso, o futebol em Portugal vai continuar a ser, apenas e só, um espaço de gritaria e em que prevalece a agressividade e o insulto.

Não vou, evidentemente, pronunciar-me sobre os comportamentos de outros clubes. Apenas me interessa, neste espaço, falar do que o meu FC Porto deveria fazer para dar o exemplo e um sinal de entendimento. Também não interessa, neste momento, saber quem atirou a primeira pedra ou o primeiro insulto. Se mantivermos um clima de retaliação, tudo piora. O que realmente interessa é quem vai ter a capacidade de reconstruir um ambiente saudável de entendimento e colaboração institucional entre clubes que têm todo o interesse em encontrar caminhos comuns.

Eu, como portista, quero ganhar sempre, quero derrotar sempre o Sporting e o Benfica. Mas isso significa que tenha de insultar os clubes rivais? Não, pelo contrário. Significa que tenho de os respeitar enquanto adversários e tudo fazer para ser melhor do que eles em campo e conquistar jogos e títulos com lisura e desportivismo.

Será assim tão difícil? Ou será que os dirigentes desportivos estão obrigados a vergar-se perante adeptos que apenas veem ódio onde apenas deve existir rivalidade?

Vamos deixar a gritaria para as bancadas, as picardias para os adeptos tribais (como eu!) e a elevação de atitudes para quem tem a obrigação de ter atitudes elevadas.

Razão e emoção

Cabeça Fria, Coração Quente é o título de um livro ilustrado na capa com uma foto de Abel Ferreira, o temperamental e genial treinador português, com sucesso estrondoso no Brasil. E, na verdade, seria difícil encontrar uma conjugação mais feliz: a imagem de Abel Ferreira associada à expressão 'cabeça fria e coração quente'.

Mas o livro não é apenas sobre as polémicas e escaldantes conferências de Imprensa que o treinador português tem dado no Palmeiras. Escrito por Allan Percy (autor de uma abundantíssima bibliografia), o livro analisa ao detalhe a importância do controlo emocional e do pensamento estratégico no sucesso de um jogo de futebol ou, até, em muitos momentos da vida.

Percy apoia-se em reflexões de muitos pensadores universais para justificar a sua tese: o equilíbrio entre razão e emoção é a chave do sucesso. Neste caso, aplicado ao futebol. O livro relata também situações reais de jogadores de futebol que souberam manter a cabeça fria em momentos cruciais de grande tensão emocional, com resultados brilhantes.

Cabeça Fria, Coração Quente, de Allan Percy. Vale a pena ler.

Froholdt

Uma palavra final para Victor Froholdt, que nunca se nega ao choque, mesmo que isso lhe custe alguns jogos de descanso forçado.

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