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Vistos negados e acusações à FIFA: a passagem tensa do Irão pelo Mundial 2026
A eliminação do Irão do Mundial 2026 foi selada de forma cruel, com um golo aos 90+6 minutos no jogo entre a Áustria e a Argélia a ditar o afastamento da equipa de Taremi, que terminou a sua participação sem qualquer derrota: empates com Nova Zelândia, Bélgica e Egito.
A equipa iraniana, que assistiu ao desfecho do seu grupo a partir de Tijuana, no México, viu a qualificação fugir-lhe por entre os dedos nos últimos instantes. No encontro entre austríacos e argelinos, bastava que houvesse um vencedor para o Irão seguir em frente como um dos melhores terceiros classificados. Aos 90+3', um golo de Riyad Mahrez colocou a Argélia a vencer por 3-2, resultado que apurava os iranianos. Contudo, aos 90+6', Sasa Kalajdzic, no seu primeiro toque na bola, fez o 3-3 final, garantindo a passagem de ambas as equipas e eliminando o Irão. A suspeita de resultado combinado instalou-se de imediato no seio da equipa persa.
Este desfecho amargo foi o culminar de uma participação surreal, marcada por inúmeras dificuldades. A comitiva iraniana enfrentou a negação de vistos a 11 dos seus membros pela administração Trump, o que resultou em viagens relâmpago para os jogos nos Estados Unidos com tempo de treino muito reduzido. A isto somaram-se uma mudança de última hora do local de estágio, tensões com exilados iranianos em solo americano e controvérsias relacionadas com o Pride de Seattle, evento contestado pela República Islâmica.
A frustração já se tinha instalado após o empate com o Egito, um jogo que terminou com um golo anulado por milímetros e uma bola na trave na compensação. Para se apurar, o Irão dependia de outros resultados: precisava que o Gana vencesse a Croácia, mas aconteceu o oposto. Depois, necessitava que o Uzbequistão não perdesse com a República Democrática do Congo, mas a equipa africana conseguiu a reviravolta. A última esperança residia no Áustria-Argélia, que terminou da forma mais dolorosa.
Após o jogo com o Egito, os jogadores iranianos deixaram uma mensagem num quadro tático no balneário em Seattle, afirmando que o futebol é também um «teste de carácter», numa clara alusão ao tratamento recebido durante o torneio, que incluiu controlos de segurança rigorosos e longos atrasos em viagens.
No final, Mehdi Taremi, avançado ex-FC Porto, não escondeu a sua revolta, classificando toda a situação como «um desastre». O atacante, que também representou o Rio Ave, acusou a FIFA de não ter resolvido os problemas logísticos e mencionou que o presidente Gianni Infantino, apesar de ter prometido ajuda, não alterou a situação.
«É um Mundial desastroso. Um desastre. A FIFA tem de resolver todos os problemas aqui, mas, infelizmente, não resolveu nada desde o início. O senhor [Gianni] Infantino veio ao nosso balneário no primeiro jogo e disse que era apenas o começo, mas ainda não temos cá o nosso pessoal da logística. Eles não têm visto. Como jogadores profissionais numa competição profissional, isto não está certo... não é justo... se para a FIFA é justo, ótimo para eles. Mas não é justo. Quem nos quer ajudar... ninguém ajuda. Ninguém», referiu, depois do empate com o Egito.