Patrice Evra, antigo capitão do Manchester United, e José Mourinho, ex-treinador do Real Madrid
Patrice Evra, antigo capitão do Manchester United, e José Mourinho, ex-treinador do Real Madrid - Foto: IMAGO

«Vinícius? Lembram-se quando Mourinho deslizou de joelhos em Old Trafford?»

Patrice Evra defendeu o jogador do Real Madrid, que acusou Prestianni, do Benfica, de racismo, e recordou situações em que também foi vítima. «Em Itália atiravam-me bananas e faziam sons de macaco...»

Patrice Evra foi a mais recente personalidade do mundo do futebol a comentar o alegado caso de racismo de Prestianni a Vinícius Júnior e colocou-se do lado do brasileiro, criticando também as declarações de José Mourinho, que afirmou que o jogador do Real Madrid não deveria ter festejado daquela maneira na Luz.

O internacional francês, que esteve numa situação semelhante do extremo há mais de uma década, em que acusou Luis Suárez de racismo num duelo entre Manchester United e Liverpool, não recordou essa situação, mas sim uma em Itália quando era mais jovem e foi alvo de vários insultos racistas por parte de adeptos nas bancadas.

«O problema não é o futebol quando se trata de racismo, é a sociedade. É difícil mudar, é preciso haver leis sérias em vigor. Isso sempre aconteceu comigo, quando eu tinha 17 anos, as pessoas na Itália atiravam-me bananas e faziam sons de macaco. Não é algo novo, e não entendo por que isso ainda acontece», começou por dizer, em entrevista à Stake.

«Espero que Gianni Infantino esteja a levar estas coisas muito a sério, mas não me surpreende que isso esteja a acontecer, porque é um problema social. As pessoas estão a pedir ao Vinícius Júnior para não comemorar da maneira que ele comemorou... por favor! Lembram-se quando José Mourinho deslizou de joelhos em Old Trafford?», questionou o francês, exigindo mudanças drásticas.

«Nós amamos futebol e as pessoas devem poder comemorar como quiserem. Vinícius e a sua equipa precisam de combater este problema de uma forma diferente, porque as pessoas vão culpá-lo. Precisamos de conter essas pessoas. O futebol não é a solução, acho que o governo precisa de começar a criar leis firmes sobre isso e as pessoas precisam de ser educadas. Eu sempre digo que ninguém nasce racista, é mais uma questão de educação. É um trabalho enorme, eu tentei lutar contra isso», concluiu.