Villas-Boas e a cláusula de rescisão de Farioli: «Um pouco mais caro do que eu»
«Grandes profissionais, com muito talento, valem muito dinheiro», vincou André Villas-Boas ao falar sobre Francesco Farioli, treinador do FC Porto, no The Obi One Podcast, conduzido por John Obi Mikel, antigo jogador do Chelsea, que chegou a ser treinado em Stamford Bridge pelo agora presidente dos dragões.
«É especial. Difícil segurá-lo? Hoje em dia, ao encontrarem os projetos certos, os treinadores tendem a ser mais cautelosos... Este clube oferece estabilidade, condições de treino e a vantagem cultural e competitiva de um grande clube europeu. Os treinadores estão a começar a escolher mais os projetos do que os próprios clubes. A Premier League atrai cada vez mais os melhores talentos, nós disputamos talentos até com os clubes do Championship, mas, pensando na carreira, um técnico jovem como Farioli, aos 37 anos, quer escolher bem o próximo passo. Antecipámos a renovação em dezembro do ano passado, antes de conquistarmos o título. Acreditamos muito nele e ele em nós», assinalou AVB, sem passar ao lado da cláusula de rescisão (20 milhões de euros) do técnico italiano.
«É um pouco mais caro do que eu era quando fui para o Chelsea [por 15 milhões de euros, em 2011]. A cláusula dele é de 20 milhões de euros. Grandes profissionais, com muito talento, valem muito dinheiro. Por isso, fixámos essa cláusula», referiu Villas-Boas.
Numa conversa dominada, de certa forma, pelo período que o dirigente passou em Inglaterra ainda como treinador, Villas-Boas voltou a falar sobre os desafios inerentes à recuperação financeira do FC Porto e do «destino» que cumpriu em 2024, quando foi eleito presidente do emblema azul e branco após 42 anos de Pinto da Costa como figura maior do universo portista.
«Foi o meu destino de vida. Começou quando estava a treinar o Zenit. Uma funcionária do FC Porto mandou-me uma mensagem a dizer que, um dia, eu seria presidente do FC Porto. A partir daí, fui assimilando cada vez mais essa ideia. Candidatei-me em 2024 contra um presidente histórico, que ganhou todos estes magníficos troféus [os troféus internacionais surgem como pano de fundo]. Ganhei as eleições e o meu propósito é servir o FC Porto e deixá-lo melhor do que estava quando assumi», vincou AVB, que não pensa, mais à frente, em voltar a ser treinador.
«Separei as coisas e dediquei a minha vida a este projeto de servir o FC Porto (...) Mas houve um dia que mexeu muito comigo. Estava a preparar-me há dois anos para as eleições e o choque emocional aconteceu quando ganhei e fui ao centro de treinos pela primeira vez, para encontrar-me com Sérgio Conceição. Sentir o cheiro da relva, ver as bolas, a organização... Foi um momento difícil, senti que aquele era o meu lugar. Foi impactante, mas foi só nesse dia», rematou Villas-Boas.