A ausência de «coisas estranhas», outros regressos e tudo o que um Farioli «sem segredos» disse
Francesco Farioli fez, na sala de Imprensa do Dragão, a análise à vitória (3-1) do FC Porto diante do Benfica na noite deste domingo, em jogo da 7.ª jornada do campeonato. Com esta vitória, os azuis e brancos alargam a vantagem para os seus rivais: cinco pontos para os encarnados e seis para o Sporting.
— Era esta a noite no Dragão que queria ter? Quão importante foi o regresso do Samu e do Pietuszewski?
— Nunca planeamos a parte final, porque nunca sabemos como o jogo pode correr. O que tentamos fazer é estar focados minuto a minuto, bola a bola, na nossa melhor versão. Acho que esta noite tivemos momentos em que fomos realmente positivos. Depois do cartão vermelho, tivemos um momento em que talvez não estávamos no nosso melhor caminho, perdemos um pouco as referências e, no final de contas, estes resultados são realmente importantes. O caminho vai ser muito longo, por isso os rapazes merecem aproveitar esta noite. Assim que voltarmos, vamos trabalhar devidamente, porque temos uma longa caminhada pela frente. Estamos muito felizes pelo regresso do Samu e do Pietuszewski. Este jogo foi mais uma vitória que tem muitos heróis. O Gabri, nos últimos dois dias, teve alguns problemas e não estava 100% apto. Ontem à noite, até à meia-noite, o Álvaro, nosso chefe de fisioterapia, esteve em casa dele a trabalhar para o colocar pronto. O impacto que esta dedicação e este trabalho tiveram foi enorme. O facto de ter o Samu de volta diz muito. Ele estava a dar os parabéns a toda a equipa médica e de performance, especialmente ao Pedro, que esteve muito tempo com ele para o pôr pronto. Somos uma equipa que precisa de todos. O Pietuszewski também regressou. Jogámos muitos meses sem ele e sabemos a falta que nos fazia. Estamos muito felizes por tê-lo de volta e agora é tempo de tentar recuperar os outros jogadores que estiveram fora nos últimos dias.
— Marco Silva disse que em Portugal se consegue condicionar a arbitragem antes, durante e depois, ao contrário do que acontece em Inglaterra. Concorda?
— Não sei, porque nunca trabalhei na Premier League, por isso não posso fazer comparações. Acho que o que disse na semana passada, de ‘haver coisas estranhas, foi algo que senti. Esta noite não houve coisas estranhas. Esteve tudo bastante bem. Nunca é fácil conduzir um clássico com esta tensão, mas acho que tudo correu da melhor maneira possível.
— O FC Porto é melhor quando sobe as linhas e tenta pressionar o opositor?
— Nós queríamos pressionar e manter a pressão como fizemos no início do jogo, quando estávamos 11 contra 11, em que tivemos grandes momentos e recuperámos muitas bolas. Quando eles ficaram com 10 jogadores, houve um momento em que começaram a sobrecarregar o lado esquerdo com muitos atletas. O Rafa jogou muito mais por dentro do que habitualmente faz e o Pavlidis vinha para dentro, por isso quase não jogavam com ninguém no lado direito. Esta disposição criou alguma confusão, porque é um cenário pouco natural. Com a mobilidade, a qualidade e a capacidade que têm para se movimentarem à procura da bola e encontrarem combinações curtas, não era fácil saltar e chegar a tempo. Foi isso que aconteceu. Não foi por não querermos, mas sim porque era difícil chegar. Ao intervalo conseguimos focar-nos, levámo-los para a frente para ajustar algumas coisas. Estamos a falar de uma grande equipa, que veio aqui com uma sequência de 55 jogos imbatíveis no campeonato, por isso acho que o resultado de hoje tem um valor especial se colocarmos tudo em consideração.
— Leva cinco clássicos na Liga e não perdeu nenhum. Qual é o segredo?
— Não há segredos. Preparámos todos os jogos com a mesma atenção, o mesmo desejo de ser competitivos, de ter a mentalidade certa, de ser capazes de fazer o nosso jogo, de pressionar muito forte e de sofrer quando é o momento de sofrer. Hoje tivemos esse momento e isso diz muito sobre o espírito deste grupo. Numa das primeiras ações da primeira parte, onde perdemos a bola, reagimos com muitos jogadores a fechar a baliza e houve um corte em cima da linha, com dois jogadores a saltarem quase acima da barra, a porem a cara em cada bola. Às vezes, estes elementos no futebol são um pouco subestimados, mas este grupo tem muitas destas qualidades, o que ajuda a compensar momentos de dificuldade ou algumas limitações. Resta-me dar os parabéns aos jogadores. O que está feito está feito. Agora temos uma longa jornada pela frente, com muitos jogos e várias competições. Vai ser muito importante reequilibrar a equipa, recuperar os jogadores e ajustar o plantel para que, após a pausa para as seleções, estejamos na forma certa e com todos prontos para ajudar.
— Qual é a importância de ter já cinco pontos de avanço para o segundo classificado.
— Vamos jogo a jogo e não gastamos energias em cálculos ou projeções. Claro que é importante estar onde estamos, mas há tantos jogos por disputar que seria ridículo fazer análises a longo prazo.
— O André Silva mostrou que tem condições para se manter como titular, apesar da recuperação do Samu?
— Fez um grande jogo. Às vezes, é difícil avaliar o trabalho sem saber os detalhes que são exigidos do nosso lado, mas, como treinador, sinto-me com muita sorte por ter um jogador com esta qualidade, personalidade, compreensão do jogo e espírito de equipa.
— Comparando este FC Porto com o do ano passado, considera que é uma equipa mais forte?
— Primeiro, acho que não faz sentido fazer comparações, porque nós somos diferentes, os nossos opositores e concorrentes são diferentes, assim como os jogadores e os treinadores. Duas equipas juntas investiram mais de 200 milhões no mercado, por isso não faz sentido fazer esse tipo de análise. Se precisamos de tirar uma lição da época passada, é a importância do equilíbrio da equipa. Há uma linha muito ténue que passa por ter os jogadores prontos a jogar, evitar lesões e ter o plantel protegido para todas as competições, pois a realidade é que vamos ter vários jogos com um nível de exigência muito elevado. Um exemplo é o Nehuén Pérez, que esteve fora durante um ano, voltou, fez um grande jogo contra o Manchester City, mas não conseguiu recuperar completamente e sofreu uma lesão grave num treino. Há momentos na época em que um pequeno detalhe pode mudar tudo, por isso temos de estar cientes disso e ter internamente as respostas para recomeçar após a pausa para as seleções com margem para gerir os momentos de dificuldade.
— A decisão do Marco Silva de passar para um 4-2-3-1 surpreendeu-o? O que procurou com o ajuste do posicionamento do Froholdt?
— Quando eles estavam a defender, já estávamos à espera disso. Foi semelhante à forma como geriram certas situações no passado, por isso antecipámos esse cenário. Com a bola, foi algo que já conhecíamos e tínhamos enfrentado. O que foi difícil após o cartão vermelho foi defender e ter uma pressão adequada sobre a bola, porque eles sobrecarregaram muito o lado esquerdo. Estavam lá com muitos jogadores e era difícil chegar a tempo com toda a gente. O Prestianni jogou vários momentos nas costas do William e eles não tinham largura no lado esquerdo. Com a mobilidade e a capacidade que eles têm para combinar e encontrar soluções interiores, conseguimos levar o jogo para o intervalo razoavelmente bem. Infelizmente sofremos o golo a seguir, mas a nossa reação depois disso foi muito positiva.