André Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: IMAGO

Villas-Boas arrasa Sporting: «No Dragão, assistimos a mais um episódio de pequenez»

Presidente do FC Porto voltou a lançar alfinetadas ao rival leonino, voltando a referir-se ao «manto verde», abordando a polémica do clássico de andebol e os «ataques pessoais e profissionais» a Francesco Farioli

O Sporting volta a estar no olho do furacão de críticas tecidas por André Villas-Boas na mais recente edição da revista Dragões, publicada esta quinta-feira e na qual o presidente do FC Porto não poupa o clube de Alvalade, disparando em várias direções, desde o futebol ao andebol, tocando em polémicas recentes.

«Há quem ande a vender a ideia de que 'se o VAR existisse mais cedo' teriam ganho mais títulos no seu clube de coração. É um lamento recorrente e revelador. Revelador porque, com VAR ou sem VAR, houve uma realidade que esses 'lesados' tiveram de engolir: no seu tempo, o FC Porto ganhou a Taça dos Campeões Europeus, ganhou a Champions League, venceu a Taça UEFA, ganhou a Liga Europa e foi vencedor da Taça Intercontinental por duas vezes! Foi campeão nacional, bicampeão, tricampeão, tetracampeão, pentacampeão. E esse trauma, pelos vistos, não passa. Dá coceira. Incomoda. E é por isso que no Dragão assistimos a mais um episódio dessa pequenez: a escolha de uma entrada discreta, pela porta das traseiras, para evitar encarar de frente o peso da História do FC Porto. Quando a História pesa, alguns preferem não a enfrentar. Nós convivemos com ela todos os dias, porque fomos nós a construí-la com o nosso suor e a exigência que nos distingue, algo que, para esses, será sempre inalcançável, com VAR ou sem VAR», dispara Villas-Boas, numa alusão à polémica que antecedeu o recente clássico da 2.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, em que o Sporting pediu acesso ao balneário por um local diferente do habitual — no corredor principal, estavam em exposição os troféus internacionais levantados pelo FC Porto.

«A esse desconforto junta-se o episódio do FC Porto-Sporting no andebol. E aqui deixo uma mensagem clara: o FC Porto está absolutamente tranquilo e a cooperar com a justiça», garante AVB, prosseguindo: «Está bem documentado sobre tudo o que aconteceu, o que foi feito e o que não foi. E os intervenientes que optaram pela injúria e pela tentativa de manchar a instituição responderão por isso até às últimas consequências. No FC Porto, a defesa do clube não é uma reação emocional: é uma posição firme, sustentada e documentada. E quem escolhe atacar a instituição terá de pagar o preço dessas escolhas. Tudo isto chegou ao ponto de mendigarem reuniões urgentes ao mais alto nível político. E, quando o desporto chega a este nível de degradação, convém que o país perceba a dimensão do problema ou o complexo de inferioridade de alguns. O que vimos depois foi o retrato de um tempo estranho: cartilhas lidas no papel por um presidente, para não falhar a narrativa dos seus conselheiros de comunicação, e um aparelho de comunicação permanentemente mobilizado para fabricar perceções, como se o futebol fosse um estúdio e não um jogo», dispara o dirigente máximo azul e branco, visando Frederico Varandas.

André Villas-Boas fala, também, sobre um «fenómeno que se tem vindo a registar» esta época: o da deturpação de opinião pública. «Mas este fenómeno que se tem vindo a registar esta época acontece não só com o FC Porto, mas também com os árbitros que, inadvertidamente, erram contra o Sporting. Nos canais afetos ao manto verde, os árbitros são dissecados em todas as suas decisões, como se um erro fosse uma traição ao clube de Lisboa e como se a pressão pública fosse um instrumento legítimo de 'correção' do jogo. Isto, sim, parece ser o novo “sistema” do futebol português: condicionar perceções, condicionar ambientes, condicionar decisões. Hoje é o episódio do penálti, amanhã é a recarga, depois é o cartão 'pedagógico', a seguir é o cartão branco, e a verdade do jogo vai ficando refém do vento que sopra a cartilha», acrescenta o líder portista.

A finalizar, AVB sai em defesa de Francesco Farioli, aproveitando para deixar um mote de união ao universo azul e branco. «A isto soma-se um sem número de ataques pessoais e profissionais ao nosso treinador, Francesco Farioli, por diferentes opinionistas. Alguns sem carteira de jornalista, e sendo apenas comentadores, outros que nem respeitam a sua própria carteira e ora são jornalistas, ora são convenientemente comentadores, atacam com ódio, palavreado e insinuações que, em qualquer contexto minimamente sério, seriam inaceitáveis. Farioli trabalha, dá a cara, lidera, arrisca, assume. E, por isso mesmo, torna-se alvo. Mas deixo isto muito claro: o FC Porto protege os seus. E protege-os com firmeza, porque aqui, 'no Norte', os nossos são intocáveis. Mas foco no essencial. O campeonato está aqui. O último passo está aqui. Tão perto e tão longe ao mesmo tempo. E a resposta tem de ser a mesma de sempre: foco, união e trabalho. Sem festa. Sem distrações. Sem ruído, mas com necessidade de toda a vossa força. Conto convosco», remata Villas-Boas.

A iniciar sessão com Google...