FC Porto: bolo de €15 M dá novo fulgor ao Dragão
O FC Porto conta com um reforço de 15 milhões de euros liquidados este mês ligado ao acordo com a Ithaka para a exploração comercial do Estádio do Dragão. Esse valor, já espelhado nas contas do último semestre da SAD como ativo corrente, é importante para aliviar a tesouraria num contexto de exigência desportiva e financeira e estimular o investimento na melhoria das infraestruturas.
Por via disso, e fruto desse acordo que Villas-Boas herdou da anterior direção, mas que melhorou depois de aturadas negociações (com a adenda negociada o teto do negócio passa a poder chegar aos 100 milhões, graças a 35 milhões adicionais ligados a metas de EBITDA da bilhética em 2025/26 e da Porto Stadco em 2026/27) o estádio está a mudar por dentro, entrando na segunda fase do plano estratégico. No último defeso, o clube renovou a iluminação, mexeu a sério nos camarotes e abriu novas zonas premium e de corporate hospitality, afinadas para quem procura mais conforto e está disposto a pagar por isso.
Agora, nesta pré época, o plano sobe mais um degrau, com o aumento do número de lugares de hospitalidade, deixando para trás o modelo de quatro níveis e passando a oferecer nove conceitos distintos, pensados como experiências completas. Estes 15 milhões já apontados para 2026 e o investimento sucessivo nas áreas de hospitalidade apontam para um caminho de lógica empresarial, com o Estádio do Dragão está a ser trabalhado para deixar de viver só dos 90 minutos e passar a funcionar como uma máquina de receita mais frequente. O FC Porto tem com a Ithaka um acordo para a exploração comercial do Estádio do Dragão através da Porto Stadco, no qual o investidor fica com uma participação minoritária nos direitos económicos, mantendo o clube o controlo da sociedade e a propriedade do estádio.
Nova cobertura em estudo
Em fevereiro passado, os azuis e brancos explicaram que, além de estar em estudo o «estado atual da infraestrutura para delinear o plano de substituição da cobertura», esta segunda fase da empreitada no Estádio do Dragão tem três vectores: infraestruturas, serviços e tecnologias.
Nesse sentido, e preparando já o caminho para a reabilitação total do recinto para ser um dos estádios que recebem o Campeonato do Mundo de 2030, o plano estratégico passa por «aumentar o número de lugares de hospitalidade e, em vez dos atuais quatro níveis» irá «oferecer nove conceitos integrados no FC Porto Premium Experiences.»
«Ainda nesse contexto, a segunda fase do desenvolvimento da Bancada Central Nascente Premium tornará esses lugares ainda mais atrativos para os sócios e adeptos. A criação de bares autónomos com AiFi - tecnologia que permite fazer compras sem filas para pedir ou pagar - promete oferecer um serviço inovador e introduz a tecnologia frictionless nas áreas comuns. Também a Loja do Associado foi transferida para a zona do Museu, onde nasceu um espaço mais amplo e moderno.
Camarotes esgotaram antes da época acabar
No domínio da obra em curso no Estádio do Dragão, o aumento da capacidade de oferta do segmento 'premium' era e continua a ser uma necessidade identificada pela SAD, sem prejuízo de outras empreitadas de fundo no recinto estarem projetadas para proporcionar maior conforto e uma experiência mais agradável aos milhares de sócios que na época passada encheram o Dragão. Como A BOLA informou no passado dia 8 de maio, ainda a temporada 2025/2026 não terminara e já os 84 camarotes que existem no Estádio do Dragão estavam vendidos.
A conquista do campeonato foi um fator que contribuiu para introduzir uma nova dinâmica na venda deste tipo de produto que tem valor acrescentado para os cofres do FC Porto. «Para ampliar a oferta de produtos que tendem a esgotar antes do início das competições, o FC Porto vai otimizar espaços até agora subaproveitados em zonas de hospitalidade e criar novas áreas que poderão ser rentabilizadas durante todo o ano», informou o FC Porto, em nota publicada em fevereiro passado.