Brenner Lucas abriu caminho à goleada do Santa Clara frente ao Rio Ave. -Foto: EDUARDO COSTA/LUSA
Brenner Lucas abriu caminho à goleada do Santa Clara frente ao Rio Ave. -Foto: EDUARDO COSTA/LUSA

Vilacondenses tenrinhos para bravos açorianos (crónica)

Santa Clara dominou e goleou com naturalidade, perante um adversário muito passivo e que voltou a sofrer quatro golos pelo segundo jogo consecutivo

Com um resultado robusto – e que até ficou a dever mais golos – o Santa Clara manteve a invencibilidade na Liga, goleando o Rio Ave. Os vilacondenses atravessam um momento complicado, averbando a segunda derrota consecutiva e voltando a evidenciar muitas debilidades, tal como no desafio anterior, ante o Sporting. Nestes dois jogos (com os leões e os açorianos) a equipa de Sotiris Silaidopoulos encaixou oito golos e ficou em branco no ataque.

Com um futebol fluído e sentido coletivo, o Santa Clara dominou todos os momentos do jogo. A defender não permitiu que Lucas França passasse por situações difíceis e na frente foi sempre perigoso no ataque à baliza de Van der Gouw. E foi eficaz, marcando nas primeiras investidas das duas partes.

Brenner Lucas continuou ligado à corrente, dando sequência a nível individual à produção de Alverca, e abriu a contagem cedo, aos 3’, finalizando uma vistosa jogada coletiva que começou em Vinícius Lopes na direita, cruzando rasteiro para Gonçalo Paciência simular e Tiago Ribeiro deixar passar entre as pernas para o extremo brasileiro finalizar com um remate em arco, marcando, seguramente, um dos melhores golos desta jornada. Brenner Lucas, aos 14’, 16’ e 40’ (remate ao poste depois de Van der Gouw ter parado um desvio de Paciência) teve a possibilidade de sair ainda mais coroado.

Foi um início prometedor dos açorianos que se veio a confirmar ao longo dos minutos. Sempre mais dinâmico e com soluções, o Santa Clara não deixou o Rio Ave respirar e foi ameaçando até chegar à goleada, que surgiu com naturalidade na segunda metade.

Tal como no início, também houve eficácia dos açorianos após o descanso. Tiago Ribeiro marcou aos 47’ a passe de Gonçalo Paciência, no primeiro remate nesse período, e quase de seguida Vinícius Lopes sentenciou a partida, após Gustavo Mancha ter perdido a bola para o avançado.

Este lance ilustra a falta de agressividade dos forasteiros que foi transversal a todo o jogo, sempre muito macios, e que também foi vista no quarto golo, com Fernando a ganhar a bola a Liavas, para finalizar.

Foi passividade a mais que custou caro (em golos) e que deixa, sem dúvida, Sotiris Silaidopoulos, apreensivo. O treinador grego também tem muito com que se preocupar na frente, dado que a sua equipa, neste jogo, não construiu qualquer situação de elevado perigo para a baliza do Santa Clara, resumindo-se a dois fogachos de Sellouki…

O melhor em campo: Vinícius Lopes

Com golo nas temporadas anteriores, sempre na liderança dos artilheiros do clube, o avançado brasileiro, em 2026/27, ainda não tinha faturado. Marcou agora, no 3-0 em que foi mais forte que Gustavo Mancha antes de finalizar, e retirou (se dúvidas ainda houvesse…) o Rio Ave da discussão do resultado. Antes, no início, assistiu Brenner Lucas no 1-0, numa exibição muito ativa no corredor direito.

A figura do Rio Ave: Sellouki

O médio ofensivo francês contratado ao Laval foi lançado por Sotiris Silaidopoulos após o descanso e no meio de um coletivo inoperante, destacou-se em duas situações mais apertadas para a baliza de Lucas França. Primeiro numa transição rápida em que desviou um cruzamento de Blesa de forma subtil, com a bola a passar ao lado, e num remate defendido pelo guardião. Foi pouco…, mas foi muito para o que o ataque do Rio Ave (não) produziu.

As notas dos jogadores do Rio Ave (4x2x3x1): Van der Gouw (5), Liavas (4), Petrasso (5), Gustavo Mancha (4), Vrousai (4), Nikitscher (4), Ntoi (4), Bezerra (4), Blesa (5), Spikic (5), Tamble Monteiro (4), Clemmensen (4), Pedro Amaral (4), Sellouki (5), Galcik (4) e João Tomé (4).

Petit, treinador do Santa Clara

«Na primeira parte o resultado é escasso por aquilo que fizemos e criamos e pela qualidade de jogo ofensivo, não permitindo muitas oportunidades ao adversário. Na segunda parte entrámos muito bem, fizemos logo o segundo golo e tivemos mais algumas oportunidades e o resultado é justo, com uma qualidade acima da média da nossa equipa.»

Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave

«Tivemos muitas dificuldades, às vezes pareceu que estávamos a dormir. Taticamente, mentalmente e fisicamente, a nossa performance não foi a habitual, não sei o que aconteceu. Peço desculpa a todos os adeptos. Foi mesmo uma má atuação da nossa parte. Temos de falar com os jogadores e tentar perceber o que aconteceu. Sou o responsável por tudo, pelo resultado.»

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