Arsenal vence dérbi de loucos com reviravolta à campeão
Há jogos que valem por meses inteiros de expetativa e este derbi londrino no Emirates Stadium inscreveu-se, sem margem para dúvidas, como o melhor espetáculo desde o início desta nova temporada. Arsenal e Chelsea entraram em campo em rota de colisão, proporcionando uma batalha memorável, jogada a um ritmo alucinante, com uma agressividade saudável em cada lance e uma vertigem ofensiva insaciável. A bola quase não respirou, e as bancadas vibraram com o choque elétrico entre dois candidatos ao trono da Premier League.
A entrada em cena pertenceu, contudo, aos blues. Entrando com a lição bem estudada e com as linhas muito subidas, a equipa de Stamford Bridge não precisou de mais do que dois minutos para gelar o norte de Londres. Um ataque fulgurante conduzido pela ala desarmou a defensiva dos gunners e permitiu a Morgan Rogers inaugurar o marcador com um remate de belíssimo efeito. David Raya bem se esticou, mas foi impotente para travar a entrada fulgurante dos visitantes.
O golo madrugador poderia ter abalado equipas de menor fibra, mas este Arsenal tem estofo de campeão. A reação dos homens da casa foi avassaladora. Com uma pressão sufocante na primeira fase de construção do rival, os gunners pegaram em armas e transformaram a partida num corrupio de oportunidades nas duas balizas. Calafiori ainda viu um golo ser anulado pelo VAR após um lance de bola parada, mas o empate que pairava no ar não tardaria a materializar-se.
Ao minuto 25, emergiu a figura máxima da partida. Kai Havertz, em noite de inspiração pura e refinada, assinou o golo da igualdade ao responder com mestria a um passe açucarado de Declan Rice. O internacional alemão esteve simplesmente imperial: jogou e fez jogar, serviu de pivô atacante, ganhou duelos nas alturas e deu sequência a quase todos os lances ofensivos da sua equipa. Uma exibição catedralícia que o consagrou, sem contestação, como o homem do jogo.
O golo de Havertz deu asas ao Arsenal, que consumou a reviravolta à campeão com uma alma enorme, empurrado por um meio-campo em estado de graça. Declan Rice voltou a dar uma autêntica aula magistral sobre como dominar as operações na zona central, combinando músculo, recuperação e critérios cirúrgicos no passe. No corredor direito, Bukayo Saka infernizou a vida à defensiva contrária; vertiginoso, rápido e com uma visão de jogo apurada, foi um perigo constante a desequilibrar no um-para-um.
Do lado do Chelsea, e apesar da recuperação dos visitados, há notas muito positivas a retirar da exibição de Pedro Neto. O internacional português foi o principal motor de vertigem no ataque dos blues, esticando a equipa com a sua velocidade característica e criando sérios embaraços a Calafiori. Por sua vez, Geovanny Quenda não saiu do banco de suplentes, assistindo da linha lateral a um espetáculo eletrizante que prendeu a respiração de todos até ao apito final.
Levou a melhor a maturiade e a eficácia do Arsenal, numa vitória categórica que deixa bem patente a fibra e a identidade desta equipa. Um dérbi de paixão, ritmo infernal e qualidade técnica apreciável, que serviu de cartão de visita perfeito para aquilo que a Premier League tem de melhor para oferecer.