Treinador do Benfica deixou garantia antes do jogo do Benfica com o Famalicão

Tudo o que disse Mourinho: felicidade por Rui Borges, desvalorização das notícias sobre o Real e desabafo que quase passou despercebido

Treinador do Benfica partilhou que preferia ser obrigado a ganhar os últimos três jogos para se qualificar para a Champions. Meteu água na fervura sobre possibilidade de voltar a Espanha. Mas ainda soltou um «vamos ver» quando falou do futuro na Luz

Benfica volta a depender dos próprios resultados para se qualificar para a Champions. O que fica de aprendizagem de Rio Maior [empate com o Casa Pia, 1-1] para implementar em Famalicão? E, por outro lado, os sinais de alerta estão bem ativos no grupo, tendo em conta o excelente momento do Famalicão?
— É um facto que, depois de tanto lutar e depois de tantos pontos conquistados, chegamos à situação de depender apenas de nós próprios. Mas pode parecer estranho, até incompreensível, mas preferia precisar dos nove pontos para me qualificar. Perguntarão porquê. Porque tropeçámos em aparentes situações de menos dificuldade ou de maior facilidade. E tropeçámos depois de coisas boas. O empate em Tondela depois de ganhar ao Real Madrid, empatámos no Casa Pia depois de uma série de excelentes resultados. Só depois da vitória em Alvalade é que não tropeçámos e voltámos a ganhar o jogo em casa. Repito, pode parecer incompreensível, mas preferia ser obrigado a ganhar os nove pontos. Esse tipo de pressão faz quem é forte ainda mais forte. Não estou a falar sobre isto só convosco, já falei, obviamente, com os jogadores sobre este aspeto. Não quero uma equipa a pensar que sete pontos são os suficientes, não quero uma equipa relaxada, quero uma equipa pressionada, quero uma equipa que sinta a pressão e que sinta a responsabilidade. Depois, o Famalicão é uma boa equipa desde o início do campeonato. As pessoas falam, agora, que eles encadearam uma série de bons resultados, mas a realidade é que são uma boa equipa desde o início do campeonato. Estar em quinto lugar, atrás dos quatro grandes, digamos assim, é surpresa só para quem não está atento. São efetivamente uma ótima equipa com ambição de se qualificar para uma das duas competições europeias ao alcance. São uma equipa que terá, além disso, seguramente, a ambição também de ganhar ao Benfica. Será um jogo difícil para nós e para eles.

— No dia em que o Sporting renova com o Rui Borges, sente que o Benfica, depois de ter chegado há sete meses e meio, está num processo de estabilidade e tem mais condições daqui para a frente consigo ao leme?
—  A renovação de Rui Borges é uma coisa que me faz feliz, estou feliz por ele. Não posso dizer muito mais sobre isso. O Benfica é meu desde que cheguei. Obviamente, entendo as suas palavras. Quanto mais tempo um treinador está num clube mais a equipa é dele, o plantel é dele, a ideia de jogo é dele.Isto é um processo normal. Vejam os exemplos de Arsenal ou Manchester City, equipas que têm o mesmo treinador há seis ou sete anos. Obviamente, todos os detalhes pertencem aos seus treinadores. É mais difícil treinadores que entram e saem e que estão pouco tempo deixarem a impressão digital. Vamos ver.

— Também se imaginaria numa situação como a do Rui Borges, ou seja, ter uma cerimónia em que lhe prolongassem o contrato e garantissem que ficava muitos anos no Benfica? E, depois de uma semana em que se falou muito do Real Madrid, pergunto se houve ou não algum contacto direto consigo ou com a estrutura do Benfica, tendo em conta a sua possível ida para a capital espanhola?
— Não, do Real Madrid ninguém falou comigo. Isso posso garantir. Já estou no futebol há tantos anos como estás no jornalismo e já estamos habituados a estas coisas. Mas, não, nada de Real Madrid. Cerimónias, digo-te honestamente que já passou o meu tempo de cerimónias, não gosto muito, só faço aquilo a que sou obrigado, inclusive a minha apresentação no Benfica foi aqui, numa cerimónia que nem era cerimónia, foi uma apresentação muito rápida e trabalhar em seguida, não fui ao Estádio da Luz. Não, já não estou nessa, já não me preocupo com essas coisas, preocupo-me em dar o meu máximo, preocupo-me mais com o clube, mais com os jogadores do que propriamente comigo. E, agora, Famalicão, depois SC Braga e depois Estoril. Depois, continuar a trabalhar e só depois de trabalhar mais um bocado é que chegarão as férias.

— O jornal Marca avança que o Benfica marcou uma reunião consigo para a próxima semana para falar da renovação. O que é que nos pode explicar? O que é que nos pode adiantar sobre o ponto de situação?
— Nada. Não posso adiantar nada. Já disse que relativamente ao Real Madrid, nada. E relativamente ao Benfica vocês conhecem a situação. Tenho mais um ano de contrato com o com o Benfica e já está.

— Disse que preferia ter de ganhar os nove pontos, mas reconhece que o Benfica, neste momento, é favorito para ficar em segundo lugar? Há uma semana imaginava estar hoje aqui em vantagem para chegar ao segundo lugar?
— O Benfica é tão favorito quanto o Sporting era favorito há um par de semanas. A equipa que vai à frente depende de si própria, tem sempre a vantagem de não ter que se preocupar e não ter de se desgastar com o adversário. Digo-lhe, honestamente, o Benfica, como sabem, não teve qualquer derrota até agora, mas houve semanas em que somámos pontos, somámos, somámos, somámos, somámos e era um desgaste extra ver o Sporting a ganhar, ver o FC Porto a ganhar e sem tropeçar ou quase a tropeçar e depois não tropeçavam. E, depois, tínhamos de que ganhar outra vez. É um tipo de desgaste extra que não é positivo. O facto de dependermos de nós… o foco está só ali. Dá-me igual o resultado do Vitória de Guimarães com o Sporting na próxima segunda-feira. Mas temos de ganhar. Esse foco só no nosso resultado é a vantagem de que fala. Mas, se você olhar para os três jogos que o Sporting tem e os três jogos que o Benfica tem até ao final, o Benfica joga com o quarto classificado [SC Braga], joga com o quinto classificado [Famalicão] e joga com o sétimo ou oitavo [Gil Vicente], mas uma das equipas que que melhor jogam no campeonato. O nosso calendário é muito mais difícil, se olharmos nessa direção. É mais difícil para nós do que para eles. Se olharmos para o pragmatismo dos números, temos vantagem porque só dependemos de nós. Se você me perguntasse se esperava que o Tondela empatasse em Alvalade… não esperava. Sou honesto, não esperava, principalmente depois do 2-0 a pouco tempo do final. Mas é futebol, às vezes acontece e no futebol, ao nível dos resultados, já nada nos pode surpreender, porque o futebol é fértil em situações inesperadas.

— Como é que perspetiva o confronto entre dois meios-campos a três, com grande dinamismo dos médios? Acredita que esta tripla do Benfica [Ríos, Aursnes e Barreiro] pode ser a fórmula para retirar força interior ao jogo do Famalicão?
— Já está a partir do pressuposto que vamos jogar com três [médios], já está a partir do pressuposto que vamos repetir os três. Se calhar, sim; se calhar, não. Mas compreendo a pergunta no sentido em que o Famalicão tem três médios de qualidade que se complementam muito bem, que dão uma excelente dinâmica de jogo à equipa. Digo desde sempre que mesmo que sejamos o grande, mesmo que estejamos, entre aspas, do lado mais forte, temos de  respeitar. Tenho imenso respeito pelo Famalicão enquanto equipa, que tem um meio-campo, partindo do pressuposto que jogam esses três, com rapazes de muita qualidade e que se complementam muito bem, cada um muito adaptado às funções que desempenha na equipa. Vamos com a humildade de sermos Benfica e de querermos ganhar, mas sabemos que para ganhar temos de respeitar a qualidade dos nossos adversários, seja do ponto de vista individual, seja coletivamente.

Nota

A BOLA, durante a conferência de Imprensa, pediu para fazer uma pergunta ao treinador do Benfica, mas não lhe foi proporcionada essa oportunidade.

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