Morato foi 'forçado' a ir para o Benfica: «Não tive escolha...»
Titular na meia-final da UEFA Europa League pelo Nottingham Forest, Morato recordou, no dia anterior, a chegada ao Benfica. No verão de 2019, saiu do clube de formação para a equipa B das águias (por €7,6M) e não demorou muito para chegar ao plantel principal. Em 2024, foi vendido por 11 milhões de euros para Inglaterra e, agora, revela que foi praticamente forçado a deixar o Brasil para viajar para Portugal.
«A minha expectativa era jogar no Morumbi lotado, numa noite de Libertadores, num domingo de Brasileirão. Não foi possível, quem sabe no futuro. Eu não esperava [a saída tão cedo]. Eu tinha jogo no dia em que viajei [para Portugal], foi tudo muito rápido. Tinha partida em São Paulo, às 15h, e, na hora do almoço, disseram que eu não ia jogar, que teria que viajar para Portugal. Aconteceu muito rápido. Os meus pais estavam lá também, só deu tempo de me despedir, pegar minhas coisas e ir para o aeroporto», começou por dizer o defesa brasileiro, em entrevista ao Globo Esporte.
Porém, Morato não se arrepende da mudança, muito pelo contrário, embora espere, um dia, regressar ao seu país para cumprir o sonho de infância. «Dali em diante, eu não tive escolha de dizer sim ou não, [a transferência] já tinha acontecido. E também não tenho do que reclamar. Olhando para trás, não tenho do que reclamar. Claro que eu gostaria de ter jogado pelo São Paulo, mas ter ido para o Benfica, que acolhe muito bem e tem uma formação excelente, foi muito bom para mim», afirmou.
O jogador de 24 anos também fez questão de elogiar bastante Jorge Jesus, o treinador que o estreou no futebol profissional. «Foi ele que me subiu da equipa B, inclusive. É um grande treinador, que me ensinou muita coisa e me colocou em vários jogos. Os meus primeiros momentos, os meus primeiros jogos e a primeira convivência no profissional foram com ele. Pude entender como é estar ali no grupo, no dia a dia. Fica a minha gratidão a ele por tudo isso», garantiu, comparando-o a Vítor Pereira, o seu atual técnico no Forest.
«Ah, é bom, é bom [trabalhar com portugueses]. Primeiro pela nossa língua, não é? Os elogios e as críticas, nós entendemos. O Jorge Jesus era muito explosivo. É aquele paizão que vai te ofender, mas depois chama-te de lado, às vezes até à frente de todos, e, do jeito dele, tenta-te confortar. Não chega a pedir desculpa, mas demonstra isso de outra forma», explicou, mencionando também NES.
«O Vítor Pereira também é assim, um paizão, gosta muito de conversar. Os dois são muito técnicos, gostam bastante de tática e de jogo bem jogado. E é isso. Acho que os treinadores portugueses com quem trabalhei até agora são assim. O Nuno [Espírito Santo] também, quando cheguei, era muito estrategista, acompanhava todos os jogos. Cada partida é tratada de uma forma. É bom trabalhar com os portugueses», apontou.
Por fim, Morato apontou Di María como o melhor jogador com quem já partilhou o balneário e afirmou que, no treino, é ainda mais impressionante. «Já me perguntaram isso e eu digo sempre que é o melhor jogador com quem já joguei, até agora. Acho que vai estar no meu top 3 e vou ter a oportunidade de dizer, no futuro, que joguei com ele. É uma pessoa muito simples, muito humilde. E foi o primeiro jogador em que eu olhava assim, porque existem aquelas histórias de bola parada, não é? De que ele nunca erra, que bate dez e acerta dez. Eu pensava: 'não é possível'. Aí tirei as minhas próprias conclusões vendo o Di María. Disse: 'não é possível isso'. Ele bate cinco de um lado, é golo. Bate cinco do outro, é golo. Cobra canto e faz gol olímpico. Então, é um aprendizado. É algo que eu vou levar para a vida», concluiu.