Momento de tristeza em Friburgo, bem espelhada nas lágrimas de vários jogadores — Foto: IMAGO
Momento de tristeza em Friburgo, bem espelhada nas lágrimas de vários jogadores — Foto: IMAGO

Tristeza carregada de orgulho

Que o orgulho em relação ao que fizemos seja um estímulo para que mais coisas boas e bonitas sejam feitas daqui em diante. Ecos da Pedreira é uma rubrica de opinião quinzenal da responsabilidade de Diogo Costa, médico interno de psiquiatria e associado do SC Braga

Surge este texto na ressaca de uma campanha europeia que terminou. O sonho de Istambul ficou demasiado perto para não se ter tornado realidade. E dói.

Ao longo da época, foi o desempenho no campeonato a fonte de maior contestação, com algum grau de justificação. Mas a verdade é que essa mesma contestação teve início cedo, bem cedo, ainda em julho de 2025, motivada, entre outras coisas, pelo desempenho na eliminatória frente ao Levski Sófia. E que longo trajeto reside no hiato temporal entre o golo tardio de Fran Navarro, já no prolongamento, frente aos búlgaros, e a inglória e injusta eliminação frente ao Friburgo

Comparar esses dois momentos deixa bem evidente a competência do trabalho de Carlos Vicens, a evolução da equipa, a sua capacidade de a reorganizar e à sua estrutura, de transmitir as suas ideias e de adaptar as funções de cada jogador às respetivas características. 

Não é por acaso que se valorizaram tanto jogadores como Lagerbielke, Arrey-Mbi, Víctor Gómez, Gorby, Grillitsch, Zalazar, Pau Victor, entre vários outros. 

A equipa foi-se tornando cada vez mais reconhecível e foi desenvolvendo crença e confiança no seu próprio valor, o que lhe deu armas para enfrentar e responder a contratempos e momentos sensíveis. 

As semanas mais recentes foram uma sequência de adversidades e um teste duro a essa capacidade, individual e coletiva, com as lesões que assolaram o plantel. Uma análise objetiva, suportada no desempenho da equipa ao longo dos últimos 10 meses, dá confiança suficiente para me juntar à ideia transmitida pelo presidente António Salvador de que, muito provavelmente, Braga não terá de aguardar mais 15 anos pelo regresso a uma meia-final europeia. Esperemos que com um desfecho distinto, mas com a mesma ligação e sentimento partilhado entre clube e cidade.

Foi um momento de tristeza, bem espelhada nas lágrimas de jogadores como Tiago Sá, Ricardo Horta e Víctor Gómez. Mas foi, acima de tudo, um momento de orgulho. De elevação do Braguismo. De recuperação do estatuto do Braga europeu. 

A forma como a equipa, reduzida a 10 elementos desde bem cedo, foi resistindo e foi capaz de terminar o jogo encostando às cordas o Friburgo, no seu terreno, é assinalável. E a reação de quem estava na bancada, que se sentiu representado, vai ao seu encontro. Houve orgulho. E, no final de contas, é esta a mensagem que devemos levar. Tudo é finito. A única coisa mutável é o que podemos fazer sabendo dessa informação. Um momento de profunda tristeza, camuflado por um tremendo sentimento de orgulho em relação ao trajeto efetuado. Que o foco seja sempre esse, bem como a sensação de que pouco ou nada mais poderia ter sido feito de forma diferente. 

Que o orgulho em relação ao que fizemos seja um estímulo para que mais coisas boas e bonitas sejam feitas daqui em diante. Do passado ficam as memórias. O futuro somos nós que o escrevemos. Que não falte força e brilhantismo para se escrever um futuro risonho, mesmo quando tudo à nossa frente pareça cinzento.

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