O navio Ambition, da  Ambassador Cruise Line, em Bordéus
O navio Ambition, da Ambassador Cruise Line, em Bordéus

Mais de 1700 pessoas retidas em cruzeiro em Bordéus devido a surto de norovírus

O navio, que partiu de Liverpool, já tinha registado relatos de passageiros com sintomas de problema digestivos

Um navio de cruzeiro com mais de 1700 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulação, encontra-se retido no porto de Bordéus, em França, na sequência de um surto de gastroenterite. A situação levou à intervenção das autoridades de saúde francesas, que estão a investigar o caso, suspeitando-se de norovírus.

A operadora do cruzeiro, Ambassador Cruise Line, confirmou ao The Guardian que «um número de passageiros e tripulantes a bordo do Ambition apresentou ou apresenta sintomas consistentes com doença gastrointestinal» durante a sua viagem de 14 noites pela costa ocidental de França e Espanha. Atualmente, existem 49 casos ativos, o que representa pouco menos de 3% do total de pessoas no navio.

A maioria dos 1187 passageiros são britânicos, aos quais se somam 514 membros da tripulação. A empresa de cruzeiros confirmou também a morte de um passageiro de 92 anos a bordo no início da semana, mas sublinhou que este não tinha reportado quaisquer sintomas e que a causa da morte ainda está por apurar. «Estamos a prestar todo o apoio aos amigos e familiares do falecido e apresentamos as nossas mais sinceras condolências neste momento difícil», acrescentou a operadora.

O navio, que partiu de Liverpool, já tinha registado relatos de passageiros com sintomas de problema digestivos. As autoridades de saúde francesas solicitaram «uma revisão de rotina do estado de saúde e dos registos do navio», tendo sido enviadas amostras para análise no hospital universitário de Bordéus. Os resultados deverão demorar «um mínimo de seis horas a ser processados».

A operadora garantiu que está a levar o assunto «extremamente a sério», com «protocolos de saneamento e prevenção reforçados». As atividades planeadas para o dia foram canceladas, com os clientes a receberem um reembolso total. «Assim que a autorização for concedida, os passageiros poderão desembarcar», conclui o comunicado.

As autoridades de saúde francesas, citadas pelo Le Figaro, confirmaram que «não há razão para associar este surto a bordo de um navio de cruzeiro proveniente de Belfast e Liverpool com os casos de hantavírus detetados no navio MV Hondius», descartando qualquer ligação com o surto que dominou as notícias na última semana.

Enquanto aguardam autorização para desembarcar, os passageiros foram vistos a tirar fotografias da cidade francesa a partir do convés do navio. Segundo um jornalista da AFP no local, não foram implementadas quaisquer medidas de segurança em torno da embarcação atracada em Bordéus.

Israel garantiu a passagem à grande final do Festival Eurovisão da Canção, que se realiza no sábado, após uma semifinal marcada por reações mistas do público, incluindo vaias e tentativas de perturbação. A participação israelita tem sido alvo de controvérsia e apelos a boicotes devido às operações militares em Gaza.

A atuação de Noam Bettan com a canção «Michelle» foi recebida com uma mistura de aplausos e assobios, sendo audíveis na transmissão televisiva cânticos como «Parem o genocídio». A organização do evento, que decorre em Viena, informou que várias pessoas foram retiradas da arena por «comportamento disruptivo». Um dos espetadores foi expulso por tentar «expressar ruidosamente as suas opiniões» perto dos microfones do palco e por «continuar a perturbar o público».

A polémica em torno da presença de Israel levou à desistência de vários países, nomeadamente Espanha e Países Baixos, tradicionalmente o quinto e sexto maiores contribuintes financeiros do festival. A estes juntaram-se a Irlanda, co-recordista de vitórias, a Eslovénia e a Islândia.

Além de Israel, apuraram-se para a final os representantes da Finlândia, Linda Lampenius e Pete Parkkonen, considerados uns dos favoritos, bem como os da Bélgica, Croácia, Grécia, Lituânia, Moldávia, Polónia, Sérvia e Suécia. A canção de São Marino, que contava com a participação da estrela britânica Boy George, não conseguiu a qualificação.

A segunda semifinal realiza-se na quinta-feira, de onde sairão mais dez finalistas. Estes juntar-se-ão no sábado aos já apurados, ao país anfitrião, a Áustria, e aos «Big Four» (França, Alemanha, Itália e Reino Unido).

Rússia lança ataque aéreo combinado sobre a Ucrânia

Entretanto, os serviços de informações militares da Ucrânia alertaram que a Rússia lançou um «ataque aéreo combinado contra instalações críticas» no país, poucas horas após um aviso do presidente Zelenskyy. Segundo as autoridades ucranianas, o exército russo enviou um «número significativo» de drones para sobrecarregar as defesas aéreas, seguindo-se o lançamento de mísseis balísticos e de mísseis a partir do ar e do mar.

O ataque terá como alvo infraestruturas essenciais e instalações de apoio em grandes cidades, incluindo centrais de energia, empresas da indústria de defesa e edifícios governamentais.

Líderes do Leste Europeu pedem reforço da NATO

Na abertura da cimeira dos «Nove de Bucareste» (B9), o presidente da Roménia, Nicușor Dan, destacou a «situação internacional dinâmica», referindo-se aos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente. Dan sublinhou a necessidade de um apoio «eficaz» e não apenas «declarativo» à Ucrânia e à Moldávia, afirmando que «a nossa segurança depende da segurança deles». Apelou ainda ao aumento do investimento em defesa e ao desenvolvimento de uma «base industrial militar transatlântica sólida».

Por sua vez, o presidente da Polónia, Karol Nawrocki, recordou os avisos iniciais do grupo sobre as intenções russas. «Avisámos que o revisionismo da Rússia não era temporário; avisámos que o pensamento imperial tinha regressado à Europa e que a dissuasão não podia existir apenas no papel. Hoje, ninguém pode dizer que não foi avisado», declarou.

Nawrocki descreveu a agressão russa como um «desafio direto a toda a ordem de segurança euro-atlântica» e não um «conflito isolado», acrescentando que «a nossa região já não é a periferia da NATO; é o centro de gravidade estratégico da NATO». O líder polaco defendeu que a próxima cimeira da NATO em Ancara deve enviar um sinal claro de que a aliança «está unida, está pronta e defenderá cada centímetro do território aliado».

«A cimeira de Ancara deve, portanto, fortalecer a postura de defesa avançada da NATO e demonstrar que a aliança possui tanto a vontade política como as capacidades militares necessárias para dissuadir a agressão em qualquer parte do território aliado», afirmou Nawrocki, que concluiu com uma forte mensagem de apoio à Ucrânia: «Não deve haver dúvidas sobre quem lançou esta guerra brutal».

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, alertou para a possibilidade de vagas de ataques de drones russos ao longo do dia, afirmando que mais de uma centena de drones se encontravam no espaço aéreo ucraniano. Segundo a Reuters, Moscovo alterou as suas táticas para realizar ataques cada vez mais durante as horas de luz solar.

Numa publicação na rede social X, Zelenskyy declarou que a Rússia continua os seus ataques de forma descarada, visando deliberadamente infraestruturas ferroviárias e locais civis nas cidades ucranianas.

«Infelizmente, houve pessoas feridas e mortas nestes ataques; as minhas condolências a todas as suas famílias e entes queridos. Ontem, 14 regiões foram atacadas ao longo do dia. Durante a noite, os ataques visaram infraestruturas residenciais e ferroviárias nas regiões de Dnipro e Kharkiv, infraestruturas portuárias na região de Odessa e instalações energéticas na região de Poltava. A todos os níveis, os nossos guerreiros estão a combater estes ataques, e só durante a noite foram abatidos ou bloqueados 111 drones», acrescentou o presidente ucraniano.

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, afirmou que, apesar de alguns sinais positivos iniciais sobre as relações entre os EUA e a Rússia sob a administração de Donald Trump, «nada está a acontecer» na realidade, com o processo de paz para terminar a guerra na Ucrânia a parecer estagnado.

Em declarações à imprensa russa, Lavrov referiu que as «boas palavras» sobre uma potencial cooperação com os EUA não produziram resultados até agora, pois «nada está a acontecer na vida real». O ministro russo apontou para as sanções contra a Rússia, afirmando que «tudo o resto segue o padrão iniciado pelo presidente Biden».

Estas declarações não deverão preocupar os líderes dos Nove de Bucareste, que se reúnem hoje em cimeira na capital romena. O formato, estabelecido em 2015, junta os líderes da Europa Central e de Leste e dos países bálticos, nomeadamente Bulgária, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Roménia e Eslováquia. Este ano, contarão também com a presença de representantes dos países nórdicos.

Os anfitriões do encontro são Nicușor Dan, da Roménia, e Karol Nawrocki, da Polónia, que receberão também o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. A agenda da cimeira deverá centrar-se em questões relacionadas com a Rússia, a Ucrânia e a segurança regional.

Numa outra intervenção, foi sublinhada a necessidade de vigilância em relação ao papel da Bielorrússia, que continua a apoiar o esforço de guerra da Rússia e a permitir atividades híbridas hostis a partir do seu território contra aliados e parceiros da NATO.

«Temos de garantir coletivamente que, se uma paz for alcançada a leste das nossas fronteiras, ela tem de ser justa», foi afirmado, acrescentando-se que «as nações representadas nesta sala compreendem, talvez melhor do que ninguém, o custo da complacência. Sabemos o que acontece quando a agressão é subestimada e quando as nações democráticas hesitam».

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