SC Braga: podemos falar em sucesso?
Eeis que a estrada ali está, em direção a Istambul. A epicidade daquela noite em Sevilha jamais se apagará da memória dos que a presenciaram (e foram muitos). O Braga Europeu voltou a fazer história e enfrentou os milhares de béticos presentes no La Cartuja com a coragem que o desafio exigia. Bem cedo no jogo, a eliminatória parecia resolvida para a equipa espanhola, mas com uma combinação de fortuna, eficácia, audácia e capacidade de superação, os comandados de Carlos Vicens reverteram a situação a seu favor e consumaram a sua primeira reviravolta da época.
Os poucos minutos que decorreram entre o 2-2, de Vítor Carvalho, e o 2-3, de Ricardo Horta, levaram à loucura as bancadas, que, desde esse momento até ao final da partida, não mais se silenciaram, abafando o mutismo que era rei no resto do estádio. Voltámos a Sevilha com o plantel em défice, sem Rodrigo Zalazar e com necessidade de mais readaptações por lesão. Voltámos a Sevilha com um sonho. E voltamos de Sevilha com esse sonho um bocadinho mais perto.
A nível interno, a luta pelo quarto lugar ainda está aberta, na sequência da derrota nos Açores, onde um Braga de gestão teve uma performance muito aquém do habitual. Esta fase da temporada é delicada, com recentes substituições forçadas de Gabri Martinez e Grillitsch, um revés na recuperação de Barisic, que falhará o Mundial, e um progressivo encurtamento das opções disponíveis. Tem aproveitado a deixa o turco Tıknaz, a quem já fiz referência no artigo anterior e que tem confirmado as boas indicações que vinha deixando. Pau Victor tem-se mantido na lista de marcadores, depois do regresso aos golos frente ao Arouca. E já não há palavras para a época de Ricardo Horta. Falamos de 32 envolvimentos diretos em golos, com mais uma assistência e um golo em Sevilha, que tornam cada vez mais difícil ignorar a sua convocatória para o Mundial.
Com a aproximação do fim da temporada, porque não iniciar os respetivos balanços? O recorde de golos do clube numa época na primeira divisão (107 em 2022/2023), já mencionado noutra ocasião, foi igualado em Sevilha e superado posteriormente. Está agora igualado o recorde de golos numa época (111 em 1956/1957), que pode também ser quebrado em breve.
Além disto, e num exercício retrospetivo e especulatório, assumindo um percurso totalmente vitorioso desde o início da temporada, estaria prevista a realização de 65 partidas. À data, serão, pelo menos, 61 os jogos realizados, tendo ficado fora do alcance apenas três jogos da Taça de Portugal, na sequência de fatídica eliminação com o Fafe, que deve ser interpretada à luz do contexto em que ocorreu. O objetivo atual passa pela chegada ao 62.º jogo. E para isso seguem-se agora os alemães do Friburgo, mas… Já podemos falar em sucesso?