Carlo Ancelotti, selecionador do Brasil, e José Mourinho, treinador do Benfica
Carlo Ancelotti, selecionador do Brasil, e José Mourinho, treinador do Benfica

Carlo Ancelotti 'aprova' regresso de Mourinho ao Real Madrid

Selecionador do Brasil considera que o «grande amigo» pode fazer um trabalho «fantástico».Técnico italiano defendeu antigos comandados das críticas

A crise que o Real Madrid atravessa no final da segunda época consecutiva sem qualquer título conquistado ultrapassou fronteiras e... chegou a Carlo Ancelotti, antigo treinador do clube. O técnico italiano destacou a importância da existência de uma hierarquia e uma comunicação clara entre todas as partes, em entrevista ao The Athletic: «Tentei ter uma relação com a pessoa e não com o jogador. São apenas pessoas que jogam futebol.»

Ancelotti abandonou Madrid no verão de 2025 sem qualquer título conquistado na última época, mas com uma LaLiga e duas Champions em quatro anos na segunda passagem pelo clube. Xabi Alonso e Arbeloa, sucessores do técnico italiano nos merengues, não conseguiram replicar o mesmo sucesso.

O Real aponta agora a José Mourinho e Ancelotti... aprova. O selecionador do Brasil acredita que o atual treinador do Benfica pode levar os merengues a bom porto: «Ficaria muito feliz por ele. Pode fazer um trabalho fantástico, tal como sempre fez em todos os clubes por onde passou.»

Ancelotti considerou ainda Mourinho «um grande amigo». O técnico italiano sucedeu ao português no comando técnico dos merengues em 2013.

Florentino Pérez fintou um eventual regresso de Mourinho ao Real Madrid, em conferência de imprensa de urgência realizada na terça-feira: «Não pensava que me perguntassem sobre isso [risos]. Não estamos nesta fase do processo.»

Resistência tática dos merengues... rejeitada

O treinador italiano apontou a perda de liderança e de experiência como um dos principais problemas merengues: «A velha geração de jogadores tem de ser reconstruída. Nos últimos anos, o Real Madrid perdeu jogadores realmente importantes: Casemiro, Kroos, Modric, Benzema, Nacho. O ambiente no plantel é importante, vem destes jogadores, que têm mais caráter, mais personalidade e mais liderança.»

Ancelotti considerou que o clube merengue «precisa de tempo», mas «não é apenas um problema de qualidade técnica». «Para ter sucesso, é preciso também encontrar um bom equilíbrio», frisou. O técnico italiano considerou ainda assim, um «disparate total» a tese de que o plantel merengue resiste a qualquer modelo tático mais vincado, como aquele que Xabi Alonso procurou implementar, pois tal indicaria «que os jogadores no Real Madrid fazem o que querem».

«Quando estive lá inha uma ideia e tentava discuti-la com eles, para perceber se concordavam ou não. Fizemos isto inclusive na final da Liga dos Campeões [contra o Borussia Dortmund em 2024]. Quando tenho uma ideia, o jogador tem de fazer parte dela. Não quero impor uma estratégia. Mas isso não significa que não tenhamos uma estratégia. Ganhámos duas Ligas dos Campeões em quatro anos, e os jogadores estavam muito focados em seguir a estratégia e o plano», reiterou.

O técnico italiano destacou a importância de ouvir os jogadores: «Falar com eles não é uma fraqueza. Não quero soldados em campo. Quero jogadores que estejam convencidos do que têm de fazer no relvado.»

Neymar em banho-maria

Ancelotti abordou também o desafio de elaborar a convocatória para o Mundial-2026. O selecionador da canarinha revelou que já definiu 24 dos 26 convocados, mas que «o mais difícil é decidir os dois que faltam». As lesões de possíveis comandados ao serviço dos respetivos clubes já atraiçou Ancelotti: «Fico muito preocupado a ver jogos.»

O técnico italiano não descartou a inclusão de Neymar, mas voltou a destacar a importância da disponibilidade física do criativo do Santos: «Ele é um grande talento. O que temos de aferir não é se é capaz de passar a bola, mas sim se está em condições.»

Ancelotti, entre elogios ao talento brasileiro, enlencou possíveis candidatos à vitória final: «Podemos competir com toda a gente, mas há outras equipas muito competitivas: França, Espanha, Argentina, Inglaterra, Alemanha e Portugal. Não há nenhuma equipa perfeita, todas têm problemas.»

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