Adeptos do Boavista no Bessa
Adeptos do Boavista no Bessa

Tribunal suspende fecho do Boavista por 30 dias, mas com uma condição

Clube do Bessa terá de pagar as despesas correntes enquanto negoceia uma solução para a insolvência

O Juízo de Comércio de Vila Nova de Gaia determinou a suspensão, por um período de 30 dias, do encerramento da atividade do Boavista, que se encontrava agendado para 31 de outubro. A decisão judicial, a que a Lusa teve acesso, surge na sequência de uma solicitação conjunta apresentada pelo clube e por um conjunto de credores que detém mais de 50% dos créditos reconhecidos no processo de insolvência.

A extensão da atividade contou com a concordância da Frozenpark, Lda., Merecida Narrativa, Lda., Ágora – Cultura e Desporto do Porto, E.M., S.A., e CMPEAE – Empresa de Águas e Energia do Município do Porto, EM, sem qualquer oposição por parte da administradora de insolvência ou dos restantes credores. Na fundamentação, foram evocadas «razões de interesse público» e a urgência de preservar o funcionamento da instituição enquanto prosseguem as conversações com vista à sua recuperação.

Para além disso, foi sublinhado pelos requerentes que a adjudicação do Estádio do Bessa e do lote 5 à Frozenpark — o maior credor do emblema axadrezado —, vai forçar «uma reponderação da organização do clube e das suas fontes de receita, implicando uma diminuição muito assinalável do passivo, permitindo que se abram outras perspetivas de recuperação».

A autorização do tribunal está, no entanto, estritamente condicionada ao cumprimento de exigências financeiras imediatas: o Boavista terá de transferir para a conta da massa insolvente, até ao dia 8 de novembro, o valor integral previsto para assegurar os custos de funcionamento correntes do mês, ficando obrigado a apresentar o respetivo comprovativo até 10 de novembro. Caso estas obrigações não sejam cumpridas ou se verifique a criação de novo passivo sobre a massa insolvente, a autorização será revogada de forma imediata e automática, ficando a administradora autorizada a fechar as portas sem necessidade de audição prévia ou novo despacho.

Entretanto, deu já entrada na conta da massa insolvente o sinal referente à adjudicação do Estádio do Bessa, dos respetivos campos de treino e terrenos adjacentes. Segundo adiantou uma fonte ligada ao processo, esta verba destina-se a liquidar encargos da massa insolvente, créditos garantidos da Autoridade Tributária respeitantes ao Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e o valor integral dos créditos laborais aprovados, que perfazem 734.805,85 euros.

Recorde-se que este compasso de espera até ao fim de novembro ocorre após o chumbo, a 7 de outubro, do anterior plano de recuperação apresentado pela direção liderada por Rui Garrido Pereira. Apesar da margem temporal obtida para manter o clube em funcionamento e tentar viabilizar uma nova solução negocial, a entrega efetiva de um novo plano até ao término do prazo concedido não está garantida pelo tribunal.

O processo de insolvência do Boavista decorre num contexto de dívidas superiores a 150 milhões de euros. A liquidação do clube foi aprovada em setembro de 2025, mas a atividade foi posteriormente autorizada a continuar mediante o cumprimento de condições financeiras, incluindo o pagamento das despesas correntes. Na semana passada, a associação Panteras Negras solicitou a convocação urgente de uma Assembleia geral, incluindo na agenda a análise do processo de insolvência e a destituição dos órgãos sociais, num contexto de preocupação com a confiança dos credores na atual gestão.

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