Jorginho, ilustrado em primeiro plano, é nome ímpar na história do Salgueiros (Ricardo Sá Pinto não se fica atrás) - Foto: A BOLA
Jorginho, ilustrado em primeiro plano, é nome ímpar na história do Salgueiros (Ricardo Sá Pinto não se fica atrás) - Foto: A BOLA

Bebeu água da mina e tornou-se numa das maiores lendas do Salgueiros

Jorginho chegou ao Salgueiros em 1978 e encontrou um amor para a vida. Recorda — com saudade, mas também tristeza — o mítico Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro

Jaime Graça, Deco, Silvino Louro, Rui França, Cândido Costa… São vários os nomes míticos que vestiram a camisola do Salgueiros nos seus 115 anos de história, mas apenas dois estão eternizados no mural mais mítico da Casa do Salgueiros: Ricardo Sá Pinto e Jorginho.

Jorginho e Ricardo Sá Pinto são das figuras mais notáveis do centenário Salgueiros - Foto: A BOLA

A BOLA falou com o segundo, que está a dois anos de fazer 50 anos de ligação ininterrupta ao emblema de Paranhos: «Comecei a jogar no clube da minha terra, que é o Foz. Depois fui para o Boavista com 18 anos e mais tarde vim para o Salgueiros [1978/79], onde acabei por ficar. É como se costuma dizer: Bebi a água da mina e fiquei aqui para sempre. Tive oportunidades para sair, mas nunca saí.»

«Estou aqui há tanto tempo... Os meus filhos nasceram e eu casei-me aqui…», recordou, emocionando-se. «Mal começo a falar, é logo isto…», justifica o agora adjunto de Rui Borges na equipa principal.

Jorginho é uma figura incontornável do universo salgueirista e continua a fazer parte do corpo técnico da equipa principal - A BOLA

Retomado o fôlego — que tão bem o caracterizava nos seus tempos de médio-centro —, o eterno número 8 salgueirista sonha com o dia em que o clube voltará à Liga: «Se estivesse vivinho para ver... É como dizer que gostava de ver o estádio novo. Agora dizem que vai ser lá em baixo, em Arca d'Água, mas só acredito quando vir.»

Jorginho terminou a carreira em 1989/90, quando se sagrou campeão da Liga 2 e devolveu o seu Salgueiros à Liga. Desde então, nunca abandonou o clube da sua vida.

Jorginho foi adjunto de Vítor Manuel no Salgueiros entre 1999 e 2001 - Foto: A BOLA

Mítico Vidal Pinheiro destruído de vez

Há sítios que não se esquecem. O Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro é um deles. Inaugurado em 1932, foi a casa do Salgueiros nas 24 participações (a primeira em 1943/44 e a última em 2001/02) do emblema paranhense no principal escalão.

O icónico Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro - Foto: A BOLA

Em setembro, o pouco que restava das ruínas do antigo complexo desportivo — num terreno que agora pertence à Metro do Porto — na Rua de Augusto Lessa, começou a ser totalmente demolido. 

«Nem consigo passar lá… Há uns tempos fomos notificados para tirar o resto das taças e arquivo que tínhamos lá, mas eu disse que não consegui ir. É muito duro. Não é por termos saído. É por termos saído sem sítio para ir e para depois aquilo ficar ali sem nada. Agora dizem que vão fazer um parque de estacionamento…», confessa Lucinda Moreira, que trabalha na secretaria do clube desde 1980.

Terreno do antigo Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro pertence hoje à Metro do Porto e há obras em curso para demolir as bancadas que ainda estavam visíveis - Foto: A BOLA

O Salgueiros passou de ter um dos estádios mais míticos do futebol português, para andar com a casa às costas. Jorginho, antigo capitão do clube em Vidal Pinheiro e atual adjunto entre Fiães, Campanhã e Rio Tinto, sofre: «Precisamos de ter o nosso espaço. Caso contrário, andamos sempre com as casas às costas. Era bom também para os nossos sócios, pois alguns já têm uma certa idade e não têm condições para se deslocarem para longe.»

«Vivo à beira do antigo Vidal Pinheiro. Há uns tempos entrei para para dar uma entrevista e custou-me imenso… Ver tudo abandalhado, as fotografias dos cartões dos meninos todas no chão, tudo de pernas para o ar… Deu muita tristeza ver aquilo. Agora já deitaram a bancada abaixo para obras…», lamentou, com lágrimas nos olhos.

Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro foi caindo em esquecimento - Foto: A BOLA

«Ainda falo muitas vezes com a senhora que guardava o campo, a dona Zélia, para ver se está tudo bem. Tinha ali a casinha dela e foi tudo embora… O meu filho nasceu ali, o infantário dele era ali e vinha sempre comigo para os treinos. Tínhamos um grupo muito bom, juntávamo-nos na confeitaria do falecido senhor Matos, que também era salgueirista, e éramos, a bem dizer, uma família», recordou.

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