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Comprar casa como investimento: o que podemos aprender com quem pensa a longo prazo?

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Num mercado imobiliário marcado pela subida dos preços e por uma procura que continua a pressionar a oferta, comprar um imóvel para investimento exige mais do que identificar uma oportunidade. A localização, o potencial de valorização, a rentabilidade e a capacidade de antecipar tendências são fatores determinantes para quem pretende construir património a longo prazo.

Comprar um imóvel foi, durante décadas, uma das formas mais tradicionais de construir património em Portugal. Mas num mercado em que os preços atingem sucessivos máximos e o acesso à habitação se tornou mais exigente, investir no imobiliário implica hoje uma análise cada vez mais rigorosa.

A valorização registada nos últimos anos pode tornar o setor atrativo para quem procura diversificar os seus investimentos. No entanto, a subida dos preços também levanta uma questão essencial: como identificar uma boa oportunidade num mercado em que comprar é cada vez mais caro?

A resposta não está apenas no preço de aquisição ou na expectativa de valorização futura. Está, sobretudo, na capacidade de compreender o mercado, avaliar os riscos e tomar decisões alinhadas com objetivos de longo prazo.

O que faz de um imóvel um bom investimento?

Nem todos os imóveis representam a mesma oportunidade. Duas habitações com características semelhantes podem apresentar potenciais de rentabilidade muito diferentes, dependendo da localização, do estado de conservação, da procura existente e das perspetivas de desenvolvimento da zona onde se encontram.

A proximidade de transportes, serviços, escolas e equipamentos de saúde continua a ser relevante, mas há outros fatores que podem influenciar o valor de um imóvel ao longo do tempo, como novos projetos de infraestrutura, a requalificação urbana ou a evolução demográfica de determinada região.

Também a finalidade do investimento deve orientar a escolha. Um imóvel adquirido para arrendamento exige uma análise diferente daquela que se faz quando o objetivo é a valorização patrimonial ou uma eventual revenda.

É precisamente esta distinção que Júlio Quintela, Chief Operations Officer da Zome, considera essencial para avaliar uma oportunidade imobiliária.

"Quando falamos de investimento imobiliário, a primeira coisa que devemos perceber é que não existe uma localização ou tipologia que seja, por definição, um bom investimento. Existe, isso sim, um imóvel que responde a uma determinada estratégia.”

Segundo o responsável, os apartamentos T1 e T2 são frequentemente procurados por investidores, sobretudo pela sua versatilidade e capacidade de responder a diferentes perfis de procura no mercado de arrendamento. Mas a localização continua a ser determinante.

“Lisboa e Porto mantêm uma atratividade estrutural, embora os preços de entrada obriguem a uma análise cada vez mais exigente. Por isso, faz sentido olhar também para os municípios envolventes e para mercados com boas acessibilidades, atividade económica e procura habitacional consistente.”

Esta análise implica olhar para além do potencial de valorização. O preço de aquisição, o rendimento esperado, os custos associados e a facilidade de colocar novamente o imóvel no mercado devem ser avaliados em conjunto.

Como sublinha Júlio Quintela, “um bom investimento começa numa boa compra, mas confirma-se na capacidade de gerar valor ao longo do tempo.”

O preço de compra é apenas uma parte da equação

Um dos erros mais frequentes na avaliação de um investimento imobiliário é considerar apenas o valor de aquisição e a expectativa de valorização.

A rentabilidade efetiva depende de um conjunto mais amplo de variáveis, que incluem impostos, custos de financiamento, manutenção, seguros, condomínio e eventuais obras de conservação.

No caso dos imóveis destinados ao arrendamento, é ainda necessário considerar os períodos em que a habitação possa estar desocupada, os encargos associados à gestão do imóvel e as obrigações fiscais.

Por exemplo, um imóvel que apresente uma rentabilidade bruta aparentemente atrativa pode revelar um retorno bastante mais reduzido depois de contabilizados todos os custos.

Da mesma forma, a valorização registada numa determinada localização nos últimos anos não garante que essa tendência se mantenha no futuro.

É por isso que, mais do que procurar o imóvel com maior potencial de valorização imediata, importa perceber se o investimento é sustentável, se está ajustado à capacidade financeira do comprador e se responde aos objetivos definidos.

Investir onde todos investem ou antecipar novas oportunidades?

A localização continua a ser um dos principais fatores de valorização imobiliária. Contudo, os mercados mais procurados nem sempre oferecem as melhores condições de entrada para novos investidores.

Em zonas onde os preços já atingiram valores elevados, a margem para obter uma rentabilidade atrativa pode ser mais limitada, sobretudo quando o investimento depende de financiamento.

Em contrapartida, outros mercados poderão apresentar oportunidades associadas à melhoria das acessibilidades, ao desenvolvimento económico local, à instalação de empresas ou à requalificação de determinadas áreas urbanas.

Isto não significa que investir fora dos grandes centros seja necessariamente mais vantajoso. A procura efetiva, a liquidez do mercado e as perspetivas de evolução de cada localização devem ser analisadas individualmente.

Na perspetiva de Júlio Quintela, existe uma mudança importante na forma como os investidores devem olhar para o mercado imobiliário.

“Há uma mudança importante na forma como devemos olhar para o investimento imobiliário: já não basta comprar e esperar que o mercado valorize o imóvel. Num contexto de preços elevados, os investidores precisam de ser mais criteriosos na avaliação das oportunidades. Isso implica considerar localizações alternativas, analisar com maior detalhe a procura de arrendamento e, sobretudo, perceber qual será a rentabilidade efetiva depois de todos os encargos.”

O responsável da Zome chama também a atenção para um erro que pode comprometer a rentabilidade de um investimento: confundir um preço de aquisição mais baixo com uma oportunidade necessariamente melhor.

“O preço mais baixo, por si só, não significa uma melhor oportunidade. Um imóvel aparentemente barato, numa localização com pouca procura ou reduzida liquidez, pode representar um investimento menos interessante do que outro com um valor de aquisição superior.”

Por outro lado, rentabilidade do arrendamento e valorização patrimonial não devem ser encaradas como objetivos necessariamente opostos. O ideal é encontrar um equilíbrio entre rendimento, potencial de valorização e risco.

Para Júlio Quintela, esta análise deve ultrapassar a conjuntura imediata e considerar a capacidade de um imóvel continuar a responder aos objetivos do investidor ao longo do tempo.

“Costumo defender que o mercado imobiliário não deve ser analisado apenas pelo que aconteceu nos últimos anos, mas pela capacidade de determinado ativo continuar a fazer sentido nos próximos dez ou quinze anos.”

Pensar a longo prazo exige conhecer os riscos

O investimento imobiliário é frequentemente associado à segurança e à estabilidade patrimonial. No entanto, como qualquer investimento, está sujeito a riscos.

As oscilações dos preços, as alterações nas taxas de juro, os custos inesperados de manutenção ou a dificuldade em encontrar compradores e arrendatários podem afetar os resultados esperados.

Acresce que o imobiliário apresenta uma característica que o distingue de muitos outros ativos: a menor liquidez. Vender um imóvel pode exigir tempo e nem sempre é possível fazê-lo pelo valor pretendido.

Por esse motivo, uma estratégia de longo prazo deve contemplar diferentes cenários e não depender exclusivamente da expectativa de que os preços continuarão a subir.

Ter uma reserva financeira para despesas imprevistas, avaliar o impacto de eventuais alterações nas condições de financiamento e definir antecipadamente o horizonte temporal do investimento são alguns dos cuidados que podem ajudar a reduzir a exposição ao risco.

Esta necessidade de avaliar diferentes cenários está também presente na visão de Júlio Quintela, que defende uma abordagem disciplinada e ponderada às decisões de investimento.

“Investir bem exige estratégia, conhecimento e disciplina. E, muitas vezes, saber não comprar é tão importante como identificar o momento certo para avançar.”

A importância de decidir com informação

Num mercado cada vez mais complexo, o acesso à informação e ao conhecimento especializado pode fazer a diferença entre uma decisão fundamentada e uma escolha baseada apenas nas tendências do momento.

A experiência de quem acompanha diariamente o mercado permite compreender as dinâmicas de cada região, identificar fatores que influenciam a procura e ajudar os compradores a avaliar diferentes alternativas.

Na Zome, o acompanhamento de compradores e investidores assenta numa abordagem que procura compreender os objetivos de cada cliente e apoiar a tomada de decisões imobiliárias informadas.

Mais do que tentar antecipar qual será o próximo mercado a valorizar, investir com uma perspetiva de longo prazo implica perceber o que se está a comprar, porquê e em que condições.

Porque uma boa decisão imobiliária não se mede apenas pelo preço pago hoje, mas também pela capacidade de esse investimento responder às necessidades e aos objetivos de amanhã.

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