Do «influencer político» à «suspensão temporária» do líder da arbitragem: Villas-Boas aponta a Varandas e à FPF
A propósito das recentes intervenções públicas do presidente do Sporting, Frederico Varandas, o líder dos dragões ironizou sobre o tom das declarações do dirigente leonino: «Frederico Varandas regressou às suas habituais tiradas de memória seletiva, nas quais o Sporting e o seu Presidente habitam o Olimpo da ética e dos valores, sempre impolutos e intocáveis, passando uma borracha sobre os infindáveis casos que envolveram o seu clube no passado.»
André Villas-Boas criticou a mudança de perfil de Varandas ao longo dos últimos tempos: «À boleia de uma piada do primeiro-ministro, enfiou a carapuça e encontrou uma nova frente, dispondo-se a mobilizar as hostes do associativismo do seu clube para influenciar o rumo da política nacional. O presidente que prometeu não falar de arbitragem passou então, na sua versão 2026/27, a influencer político.» O dirigente azul e branco acrescentou ainda: «Os seus associados avaliarão se esta nova versão do seu presidente justifica a remuneração choruda que lhe atribuem. Nós registamos o regresso das lições públicas de moralidade que até ao primeiro-ministro chegam. Confessemos que já tínhamos saudades!»
No plano do jogo e do recurso à tecnologia, Villas-Boas voltou a abordar o golo de Pietuszewski ao Marítimo para ilustrar a premência na adoção de ferramentas como o fora de jogo semiautomático e a tecnologia de linha de golo: «Voltemos, porém, ao golo na Madeira, porque teve outro mérito: parece ter despertado o Conselho de Arbitragem do sono profundo em que as nossas propostas tecnológicas permaneciam. Discutem-se finalmente um calendário de implementação e o investimento necessário no fora de jogo semiautomático e na tecnologia de linha de golo, quando o FC Porto reclama melhores meios há duas épocas.»
Com ironia, o presidente dos dragões referiu o impacto do lance: «Bem hajas, Pietuszewski: talvez tenhas sido a chave para abrir as portas do futuro a um futebol que teima em viver no passado. Esperamos agora decisões, financiamento e execução. Já perdemos demasiado tempo entre apresentações e intenções para aceitar que tudo volte a adormecer quando passar a polémica.»
Villas-Boas sublinha que a evolução do setor não passa unicamente pela introdução de meios mecânicos ou digitais, apontando para a necessidade de coerência nas avaliações e nas explicações dadas ao público e às equipas técnicas.
A este propósito, analisou a validação pelo Conselho de Arbitragem do trabalho da equipa de arbitragem no encontro entre o SC Braga e o Sporting, da 8.ª jornada, que os leões venceram por 3-1: «A comissão técnica de arbitragem decidiu validar a atuação de João Pinheiro e do VAR no SC Braga–Sporting CP, perante uma mão na área que, para todos os especialistas e analistas de arbitragem, exigia a marcação de grande penalidade. Ao novo Diretor Técnico Nacional, pedimos a lisura e a clareza necessárias para vir dar explicações sobre todos os incidentes envolvendo todos os clubes ou, para não repetir o caminho do anterior responsável, cujas explicações tantas vezes confundiram os árbitros em vez de os orientar, remeter as discussões para sede própria, evitando lançar ainda mais dúvidas quando os casos são por demais evidentes.»
O líder portista alertou igualmente para a instabilidade gerada pelos critérios nas análises aos lances: «O problema de Braga não termina no penálti que ficou por assinalar: prolonga-se em justificações que, em vez de esclarecer, lançam confusão sobre os próximos lances. Que critério deverão os árbitros aplicar amanhã? O das decisões anteriores ou o da explicação que agora convém?»
Outro ponto central da reflexão prende-se com a postura do presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves. André Villas-Boas questionou o facto de o responsável vir a público defender-se pessoalmente enquanto mantém o cargo em plenitude de funções: «Enquanto isso acontecia, o presidente do Conselho de Arbitragem estava na televisão a defender o seu bom nome. Um clube beneficiava de uma decisão errada da equipa de arbitragem e o responsável máximo do setor dividia-se entre o exercício do cargo e a sua defesa pessoal em canal aberto. Mas que normalidade é esta?»
A posição oficial do FC Porto passa por exigir uma suspensão temporária do cargo por parte do líder da arbitragem: «O direito de defender o bom nome é inquestionável; o que contestamos há muito tempo é que o faça mantendo o pleno exercício das suas funções. O FC Porto pediu, e pede, uma suspensão temporária de funções do presidente do Conselho de Arbitragem: a Instituição FPF e a credibilidade das competições assim o merecem.»
Por fim, o dirigente dirigiu críticas à atuação dos topo da estrutura do futebol nacional, considerando que a omissão de tomadas de posição agrava o clima de desconfiança generalizada no setor: «Mas essa medida não foi tomada e o clima de instabilidade mantém-se. A permanência neste quadro é insustentável e a passividade do presidente da Federação Portuguesa de Futebol e do presidente da Liga de Clubes agrava ainda mais o descrédito. O futebol português precisa de lideranças fortes e de confiança, não de ver cada polémica de campo...»
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