Tempos que correm
Terminei o artigo de dia 13 de outubro dizendo que aqui regressaria «sem saber em que estado se irá encontrar o clube» e encontrei um cenário bastante distinto. A lei de Murphy diz-nos que «tudo o que puder dar errado, dará errado» e ela quis instalar-se em Braga.
O 2-0 desperdiçado frente ao Sporting, o grosseiro erro de arbitragem (estranhamente desculpabilizado pelo Conselho Técnico Nacional de Arbitragem) e a casualidade dos golos do adversário espelhavam-no. Em Copenhaga, o rocambolesco 1-0, seguido de um 1-1 anulado por centímetros, seguiam a mesma lógica. E a receção ao Gil Vicente foi o seu expoente máximo, com um golo do empate mal validado, por falta óbvia sobre Pau Víctor, um caricato autogolo, uma bola ao poste e dupla defesa de Lucão a negar o empate e, por fim, um evidente penalti ignorado pelo VAR e por Gustavo Correia, cuja competência se reconhece como questionável.
A complexidade da situação foi crescendo, parecia ganhar contornos de irreversibilidade e a descrença predominava na bancada. Nesse sentido, e com alguma surpresa, António Salvador acabou por dispensar os serviços de Carlos Vicens e, para o substituir, nomeou Franclim Carvalho, que assinou contrato até final da época, com mais uma de opção.
Percebem-se as intenções do presidente, que admitiu ter procurado um «novo perfil» e um «corte» com o projeto anterior, deixando em aberto a possibilidade de continuidade em caso de sucesso. Mas é questionável a facilidade com que se quebrou o primeiro grande projeto desta presidência e a brusca mudança no seu rumo. Ficará um e se, para o qual nunca teremos resposta e que só o correr do tempo pode esclarecer.
A resposta mais imediata foi positiva com a importante vitória frente ao Gent, que mantém vivas as esperanças de qualificação direta na Liga Conferência. Parecia haver, da parte dos jogadores, a compreensão de que a decisão do presidente os responsabilizava. Objetivaram-se mudanças, com maior agressividade e uma importante multiplicação no número de remates efetuados, já que nas partidas frente a Sporting, Copenhaga, Gil Vicente e Santa Clara foram feitos apenas 11 remates enquadrados, mais de metade dos quais nos descontos destas partidas.
A visita à Choupana no regresso do campeonato era uma oportunidade de recuperar pontos e cimentar a dita mudança. Contrariamente, chegou-nos uma derrota retumbante e humilhante e voltaram as dificuldades em converter o domínio em oportunidades de golo. Acima de tudo, viu-se um incompreensível défice de competitividade, naquele que seria o quarto jogo consecutivo sem ganhar para a liga, e esfumam-se as ambições do clube nesta competição.
Por tudo isto, vem-se esfumando também o respeito da bancada pelos jogadores, que pouco, ou nada, têm representado quem os apoia. A responsabilidade está do seu lado e o tempo corre a seu desfavor. Mas a época é longa.
Por fim, e porque quem respeita merece ser respeitado, deixo o meu profundo agradecimento a Carlos Vicens, e respetiva equipa técnica, pelo trabalho realizado no meu clube e pela hombridade com que o serviu. Fez de Braga a sua casa e a Braga será sempre bem-vindo.