«Treinamos para vencer, não tenho discurso Miss Mundo»
Com Imortal e Oliveirense apurados para as meias-finais da 36.ª Taça Hugo dos Santos — após eliminarem, respetivamente, SC Braga (63-76) e FC Porto (86-89) nos quartos de final da passada sexta-feira —, começa este sábado a aguardada final four — competição cuja edição inaugural remonta a 1989/90 e que já foi anteriormente designada como Troféu Manuel Castelbranco e Taça da Liga.
Os poderosos Sporting e Benfica qualificaram-se automaticamente para as semifinais por terem vencido os respetivos grupos na fase inicial. Os leões começam a jogar no Multiusos de Gondomar frente à formação de Albufeira (16h00), contra quem perderam há uma semana na última jornada do campeonato.
Já as águias — grandes dominadoras do troféu com 13 conquistas — decidem a passagem à final de domingo contra a Oliveirense (19h00). A formação liderada por João Figueiredo é a atual detentora do troféu, depois de, há um ano, ter ultrapassado sucessivamente Sporting, Ovarense e FC Porto em inesquecíveis quatro dias.
Mas no banco dos encarnados estará Norberto Alves, treinador dos tetracampeões nacionais e vencedor da Taça Hugo dos Santos pelo clube em 2023/24, quando já conquistara o troféu por duas vezes ao serviço da Oliveirense (2018/19 e 2019/20). No passado fim de semana, foi eleito Treinador do Ano nos Liga Betclic Awards — distinção que recebeu pela segunda ocasião.
A BOLA aproveitou para falar com o técnico, de 58 anos, para perceber como se sente quem é tetracampeão, vencedor de múltiplas competições nacionais desde que regressou à Luz em 2021/22 e responsável pelo sucessivo e inédito apuramento direto das águias para a Liga dos Campeões.
Questionado se o prémio é o reflexo de todo esse trabalho, Norberto Alves começou por recordar o seu percurso. «É o reflexo de alguém que — é curioso — nunca foi um bom jogador. Fui um basquetebolista mediano em Coimbra e ainda joguei um pouco em Vila Real, onde estive como professor de Educação Física. Acho que é o reconhecimento de alguém que, aos vinte e poucos anos, decidiu deixar uma carreira académica, era professor na universidade, para cometer uma loucura completa: acreditar que podia ser treinador. Apostei tudo nisso», começa por contar.
«Treinei primeiro equipas de formação e depois na Liga Feminina, onde as coisas também correram bem. No entanto, penso que nesta altura da carreira, e digo-o com toda a sinceridade, acredito que é muito mais importante que as pessoas que me rodeiam estejam felizes. Para mim, é sempre mais um ganho, mas o que quero é fazê-lo pelo clube e pelos meus jogadores. Têm feito uma época fantástica de forma altruísta, sabendo que, no nosso modelo de jogo, ninguém joga muitos minutos e todos têm de passar a bola e defender. Muito do meu trabalho é convencê-los a acreditar nisso», explica, sublinhando o valor do reconhecimento dos pares.
«Fico contente por os outros treinadores terem votado em mim, quando havia outros que também podiam perfeitamente ter vencido. Curiosamente, a minha melhor época no basquetebol foi em 2012/13, com a Académica, e não ganhei nada, fiquei em segundo lugar em tudo», recorda, reportando-se à época que antecedeu a partida para cinco temporadas em Angola.
Sobre os sonhos que ainda acalenta nesta fase da carreira, foi perentório. «[suspira levemente] Sonho em ganhar pela equipa e pelo clube. É importante que o nosso basquetebol continue a crescer. Para os resultados que têm surgido na Seleção, foi fundamental o facto de, nos últimos anos, os clubes terem voltado a participar nas competições europeias.»
Norberto Alves destaca ainda a importância do patrocínio da modalidade. «Como referi quando recebi o prémio, a Betclic associou-se ao desporto mais espetacular que existe. Sabemos que, culturalmente, a grande modalidade no país é o futebol, mas acho que todos podemos fazer um pouco para inverter as coisas. Da minha parte, tento ajudar as equipas a jogarem um basquetebol agradável de ver e, claro, ganhar.»
«Ao nível da competição, treinamos para vencer. Vai ser uma temporada difícil; há muitas equipas e jogadores de qualidade. Não trabalhamos melhor nem mais do que os outros. Muitas vezes usa-se aquele discurso redondo, mas eu não tenho o discurso da Miss Mundo. Penso que este prémio reconhece a aposta no basquetebol, o trabalho de um staff superprofissional e de um núcleo duro de jogadores que estão juntos há anos e que colocam o ego de parte. A única coisa positiva que sinto ter feito foi convencê-los a ter esse compromisso coletivo», concluiu.
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