Treinadores: o preço dos despedimentos
Bruno Lage (Benfica), Ruben Amorim (Manchester United), Enzo Maresca (Chelsea) e Xabi Alonso (Real Madrid) têm em comum o facto de serem excelentes treinadores e, não obstante, terem sido todos despedidos no decorrer desta época.
O ofício de treinador é, como os próprios sabem, volátil. Se as coisas correm mal, o treinador é o conveniente bode expiatório. Despedir o responsável máximo de uma equipa de futebol é a solução de muitos presidentes. Preocupados, certamente, com o desempenho do clube, mas também interessados em sacudir as responsabilidades que lhes cabem, ou que cabem a outros. Já reparou, caro leitor, que há muito menos treinadores do que jogadores, mas há muito mais despedimentos de treinadores?
A razão parece evidente: os jogadores são 11 no campo, e mais 10 ou 15 na equipa, suplentes ou não. Isso torna difícil atribuir as culpas a um ou dois pela má performance da equipa. O presidente do clube é eleito pelos sócios ou nomeado pelos acionistas e não tem, na maioria dos casos, culpa direta dos maus resultados. Resta o treinador para assumir responsabilidades que, frequentemente, são de todos — jogadores, dirigentes, equipas médicas, equipa de performance.
Outro facto prende-se com os modernos contratos de futebol, onde os treinadores são obrigados, para receberem uma indemnização, a estar calados sobre o despedimento. Há uns anos ainda ouvíamos alguns a explicar o acontecido, sem pejo de dizer que não era responsabilidade sua. Hoje, isso é mais raro: as chorudas indemnizações vêm com cláusulas de confidencialidade.
Os treinadores são trabalhadores como os outros. Também eles só podem ser despedidos com justa causa. A lei que se lhes aplica é a mesma que a nós, caro leitor. O artigo 1.º da lei do contrato de trabalho desportivo não inclui expressamente os treinadores, deixando dúvidas quanto a se se trata de um contrato de trabalho normal ou não. Existe uma convenção coletiva que se aplica aos treinadores, mas não adianta muito. O regime dos seus contratos é quase igual ao nosso.
Então, como são despedidos, se não se pode despedir sem justa causa? Mas maus resultados não são justa causa? A resposta é simples: os contratos são a prazo, efetuados por períodos curtos, e preveem indemnizações em caso de despedimento sem justa causa.
Ultimamente temos mesmo assistido a pagamentos até ao final do contrato, ou pagamentos até ao final do contrato salvo o treinador arranjar novo clube, ou seja, até arranjar novo emprego. Os riscos da profissão são grandes, os adeptos exigentes, e os treinadores, pelo menos os que têm essa capacidade, precavem-se. Mas são, uma vez mais, uma minoria de elite.
O Direito ao Golo vai para o Vitória de Guimarães, grande vencedor da Taça da Liga. E para o Fafe e o Torreense, clubes da Liga 3 e Liga 2, respetivamente, que se apuraram para as meias-finais da Taça de Portugal. No caso do Fafe o feito é ainda maior porque eliminou o Moreirense, o Arouca e o SC Braga. Quem vencer a eliminatória jogará a final no Jamor. Um sonho de uma vida desportiva.