Esta é a sétima participação de Oksana, 36 anos, nos Jogos Paralímpicos. IMAGO
Esta é a sétima participação de Oksana, 36 anos, nos Jogos Paralímpicos. IMAGO

Abandonada num orfanato de Chernobyl, continua a fazer história nos Paralímpicos

Oksana Masters, a maior atleta paralímpica de inverno dos EUA, persegue a história em Milão2026 na quarta modalidade que pratica e, apesar de estar lesionada, todos acreditam que vai atrás da 20.ª medalha. Abandonada à nascença, por causa da deficiência, é um exemplo de resiliência

Apesar de uma infeção óssea recorrente e de uma concussão recente, Oksana Masters, a atleta paralímpica de inverno mais condecorada da história dos Estados Unidos, está em Itália para competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, onde procura aumentar o seu já impressionante pecúlio de 19 medalhas.

A apenas dois dias da cerimónia de abertura, a atleta de 36 anos partilhou uma mensagem com os seus seguidores, revelando que a sua preparação foi severamente afetada. Uma infeção óssea na perna, a mesma que a forçou a falhar toda a época de inverno de 2024-25, ressurgiu, agravada por uma concussão. A sua condição física é uma incógnita, mas a determinação permanece inabalável.

«Não sei que tipo de esquiadora serei quando voltar a competir dentro de poucos dias», escreveu. «Mas sei que serei uma que lutou para regressar.»

Oksana Masters, 36 anos, conquistou sete medalhas em Pequim2022

Esta resiliência tem sido a marca da sua carreira. Nascida em 1989 em Khmelnytskyi, na Ucrânia, Masters passou a sua infância em orfanatos. Suspeita-se que as suas deficiências congénitas nas mãos e pernas sejam consequência do desastre nuclear de Chernobyl. Aos 7 anos, foi adotada por Gay Masters, uma professora de Louisville, Kentucky, que a criou sozinha.

A sua jornada desportiva começou aos 13 anos no remo, modalidade na qual conquistou uma medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012. Desde então, a sua carreira tem sido notável pela sua versatilidade, competindo ao mais alto nível em quatro modalidades distintas: para-remo, para-ciclismo, para-biatlo e para-esqui de fundo, tendo conquistado medalhas de ouro em todas elas.

O seu palmarés inclui 19 medalhas paralímpicas, das quais 14 foram conquistadas em Jogos de Inverno, um recorde para qualquer atleta norte-americano. Em Pequim 2022, tornou-se na primeira atleta dos EUA a ganhar sete medalhas numa única edição dos Jogos Paralímpicos. O seu impacto transcende as pistas, tendo sido galardoada com o prémio Laureus de Desportista Mundial do Ano com Deficiência em 2020 e sido a primeira para-atleta nomeada para Melhor Atleta Feminina nos ESPYs.

O caminho para Milão-Cortina, os seus oitavos Jogos Paralímpicos, foi particularmente árduo. Após conquistar dois ouros em para-ciclismo nos Jogos de Verão de Paris 2024, a infeção óssea forçou-a a uma paragem prolongada. Contudo, o seu regresso na época 2025-26 foi triunfante, vencendo a Taça do Mundo de Para-Esqui de Fundo da FIS e assegurando o Grande Globo de Cristal. O ressurgimento da infeção semanas antes dos Jogos foi um novo e duro golpe.

Ainda assim, Masters está em Itália para competir em seis provas de para-esqui de fundo e para-biatlo, com início no sábado. A histórica 20.ª medalha está ao seu alcance.

Em Milão, Masters conta com o apoio do seu noivo, Aaron Pike, também ele um atleta de para-esqui nórdico e atual campeão do mundo de para-biatlo. O casal conheceu-se no circuito paralímpico há mais de uma década e, juntos, somam 39 medalhas em campeonatos do mundo. O pedido de casamento aconteceu numa gôndola, uma referência ao momento em que a sua relação começou a florescer nos Jogos de Sochi 2014.

As provas de para-biatlo começam no sábado, enquanto as de para-esqui de fundo decorrem de terça-feira até ao encerramento dos Jogos, a 15 de março. Para o público norte-americano, Oksana Masters será o rosto da equipa, uma atleta que, ao longo da sua carreira, nunca deixou de lutar para regressar.