Abandonada num orfanato de Chernobyl, continua a fazer história nos Paralímpicos
Apesar de uma infeção óssea recorrente e de uma concussão recente, Oksana Masters, a atleta paralímpica de inverno mais condecorada da história dos Estados Unidos, está em Itália para competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, onde procura aumentar o seu já impressionante pecúlio de 19 medalhas.
A apenas dois dias da cerimónia de abertura, a atleta de 36 anos partilhou uma mensagem com os seus seguidores, revelando que a sua preparação foi severamente afetada. Uma infeção óssea na perna, a mesma que a forçou a falhar toda a época de inverno de 2024-25, ressurgiu, agravada por uma concussão. A sua condição física é uma incógnita, mas a determinação permanece inabalável.
19 things you didn’t know about Paralympic cycling champion Oksana Masters https://t.co/zX1DMitgQT
— Cycling Weekly (@cyclingweekly) September 10, 2024
«Não sei que tipo de esquiadora serei quando voltar a competir dentro de poucos dias», escreveu. «Mas sei que serei uma que lutou para regressar.»
Esta resiliência tem sido a marca da sua carreira. Nascida em 1989 em Khmelnytskyi, na Ucrânia, Masters passou a sua infância em orfanatos. Suspeita-se que as suas deficiências congénitas nas mãos e pernas sejam consequência do desastre nuclear de Chernobyl. Aos 7 anos, foi adotada por Gay Masters, uma professora de Louisville, Kentucky, que a criou sozinha.
A sua jornada desportiva começou aos 13 anos no remo, modalidade na qual conquistou uma medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012. Desde então, a sua carreira tem sido notável pela sua versatilidade, competindo ao mais alto nível em quatro modalidades distintas: para-remo, para-ciclismo, para-biatlo e para-esqui de fundo, tendo conquistado medalhas de ouro em todas elas.
🇺🇦🇺🇸🥇 ABANDONNÉE À LA NAISSANCE À CAUSE DE SON HANDICAP, VIOLÉE, ELLE A CONQUIS 19 MÉDAILLES PARALYMPIQUES.
— Cultination (@Cultination1) February 22, 2026
Née en 1989 près de Tchernobyl en Ukraine, Oksana Masters arrive au monde avec de graves malformations congénitales liées aux radiations : absence de tibias, mains… pic.twitter.com/bwzPkUeBty
O seu palmarés inclui 19 medalhas paralímpicas, das quais 14 foram conquistadas em Jogos de Inverno, um recorde para qualquer atleta norte-americano. Em Pequim 2022, tornou-se na primeira atleta dos EUA a ganhar sete medalhas numa única edição dos Jogos Paralímpicos. O seu impacto transcende as pistas, tendo sido galardoada com o prémio Laureus de Desportista Mundial do Ano com Deficiência em 2020 e sido a primeira para-atleta nomeada para Melhor Atleta Feminina nos ESPYs.
O caminho para Milão-Cortina, os seus oitavos Jogos Paralímpicos, foi particularmente árduo. Após conquistar dois ouros em para-ciclismo nos Jogos de Verão de Paris 2024, a infeção óssea forçou-a a uma paragem prolongada. Contudo, o seu regresso na época 2025-26 foi triunfante, vencendo a Taça do Mundo de Para-Esqui de Fundo da FIS e assegurando o Grande Globo de Cristal. O ressurgimento da infeção semanas antes dos Jogos foi um novo e duro golpe.
Ainda assim, Masters está em Itália para competir em seis provas de para-esqui de fundo e para-biatlo, com início no sábado. A histórica 20.ª medalha está ao seu alcance.
Em Milão, Masters conta com o apoio do seu noivo, Aaron Pike, também ele um atleta de para-esqui nórdico e atual campeão do mundo de para-biatlo. O casal conheceu-se no circuito paralímpico há mais de uma década e, juntos, somam 39 medalhas em campeonatos do mundo. O pedido de casamento aconteceu numa gôndola, uma referência ao momento em que a sua relação começou a florescer nos Jogos de Sochi 2014.
As provas de para-biatlo começam no sábado, enquanto as de para-esqui de fundo decorrem de terça-feira até ao encerramento dos Jogos, a 15 de março. Para o público norte-americano, Oksana Masters será o rosto da equipa, uma atleta que, ao longo da sua carreira, nunca deixou de lutar para regressar.
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