André Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: IMAGO

Villas-Boas sabe quem é mais influente

O ataque ao título não está nas estratégias gastas dos presidentes dos clubes, com os microfones à frente, mas pode (muito bem) estar nas referências ofensivas dos três candidatos

Depois do primeiro de dois clássicos das meias-finais da Taça de Portugal, que deixou o Sporting mais perto do Jamor, vem aí uma jornada de Liga com importância acrescida, de duelos entre os quatro primeiros classificados.

O campeonato avança para o sprint final, e embora seja certo que ninguém ganha nada sozinho no futebol, o momento é propício a uma reflexão sobre as opções de ataque dos três candidatos ao título.

O FC Porto, mesmo sentado na cadeira que os rivais cobiçam, carrega a maior interrogação na frente, já que a evolução de Samu, que começava a oferecer mais soluções à equipa de Francesco Farioli, foi bruscamente travada por uma lesão grave. Não se pode dizer que os dragões tenham sido apanhados completamente desprevenidos, tendo em conta a contratação prévia de Terem Moffi, mas o francês já não terá a sombra do espanhol para ir conhecendo os (en)cantos da Invicta. Será preciso atalhar caminho na adaptação, e se nenhum currículo garante o que quer que seja, o do avançado cedido pelo Nice, embora interessante, não remete imediatiamente para golos em abundância.

Com seis golos em 53 jogos disputados de dragão ao peito, Deniz Gul ainda não deu provas de ser a alternativa natural para uma equipa que sente falta não só da presença de Samu na área, mas também da tal evolução que o espanhol evidenciava na capacidade para jogar longe da área e de costas para a baliza contrária.

Relativamente ao Benfica, a interrogação não está propriamente no estatuto de Pavlidis — 58 golos em 101 jogos —, antes no momento de forma, embora estas fases mais sofríveis e menos clarividentes do grego deixem a pensar se conseguirá atingir um patamar maior de reconhecimento, seja como lenda benfiquista ou goleador numa liga de maior dificuldade.

No caso do Sporting a interrogação não está na qualidade de Luis Suárez — 30 golos esta época, 22 dos quais na Liga, prova em que é o melhor marcador —, nem tão pouco no momento de forma, a avaliar pelos cinco golos nos últimos cinco jogos.

Embora tenha também um trajeto algo irregular, o colombiano é o avançado mais completo da Liga, e parece chegar ao sprint final em grande forma. Neste caso a interrogação está limitada a uma eventual lesão, ou então um hipotético castigo.

Na verdade, Luis Suárez é hoje o jogador mais decisivo da Liga. Como André Villas-Boas bem sabe.