Imagens sexualizadas estão proibidas nos Europeus de atletismo. IMAGO
Imagens sexualizadas estão proibidas nos Europeus de atletismo. IMAGO

Transmissões televisivas com novas regras para evitar a sexualização das atletas

Uma atleta francesa revelou que quando questionava determinadas imagens lhe respondiam para não saltar de cuecas. Nos Europeus de atletismo que hoje começaram, as novas normas já estão em vigor

Os Campeonatos da Europa de Atletismo, que arrancaram esta segunda-feira em Birmingham, trazem uma mudança significativa na forma como a competição é transmitida, com a proibição de certos planos de câmara para evitar a sexualização do corpo das atletas.

A União Europeia de Radiodifusão (UER) publicou, em meados de junho, um guia intitulado Raising the Bar (Elevar a fasquia), que estabelece novas recomendações para filmar o atletismo feminino. O objetivo principal é impedir a utilização indevida de imagens para fins de assédio online, focando-se na performance desportiva em vez de em ângulos que possam ser considerados comprometedores.

Esta medida foi recebida com agrado por várias atletas que já se sentiram desconfortáveis com as câmaras durante as competições. A saltadora com vara Marie-Julie Bonnin expressou a sua satisfação à margem dos campeonatos franceses, a 25 de julho. «Quando soube que este guia tinha sido publicado, fiquei superfeliz», afirmou à RMC Sport.

A atleta francesa partilhou a sua experiência pessoal, revelando o mal-estar causado por certas imagens suas. «Acho que era algo que tínhamos aceite, no fundo, o facto de haver imagens que não são normais. Vi vídeos e fotos minhas e pensei: 'Porque é que publicam isto? Não tem qualquer interesse desportivo'. Encontro-me em posições... Fiquei mesmo desconfortável ao ver aquelas fotos e fui incapaz de as partilhar», confessou Bonnin.

A saltadora explicou ainda que chegou a contactar organizadores e fotógrafos para pedir a remoção de conteúdo. «Às vezes, enviava mensagens aos organizadores, às pessoas, aos fotógrafos. Dizia-lhes: 'Podes apagar?'. Na verdade, não é só uma questão das cuecas. Muitas vezes dizem-nos: 'Então que não saltem de cuecas'. Para nós, as cuecas são um símbolo. Começamos a treinar de calções, a pensar que as cuecas são para as grandes, para as fortes. É o nosso equipamento de competição», acrescentou.

As novas diretrizes da UER, que também se aplicam aos fotógrafos presentes em Birmingham, enfatizam a importância de valorizar a técnica e o desempenho atlético, assegurando que a cobertura mediática se concentre no que é desportivamente relevante.

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