Oyazabal marca a James Trafford (IMAGO)
Oyazabal marca a James Trafford (IMAGO)
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Campeã do Mundo por alguma razão: Espanha reina em Wembley (crónica)

Num jogaço com duas reviravoltas, os espanhóis foram mais fortes frente a uma equipa audaz, mas que falhou (ou melhor, Kane é que falhou) quando não podia. Baena foi o mestre na loja de magia de Yamal

A Espanha só sofreu um golo no Mundial que conquistou. A Inglaterra, com a ferida que trouxe da meia-final dessa prova já cicatrizada, marcou-lhe dois em quatro minutos, na jornada inaugural do grupo A3 da Liga das Nações. O terceiro ficou à distância… de centímetros — culpa da trave, do relvado regado ao intervalo ou, simplesmente, de Harry Kane. E erros destes campeões do mundo sabem aproveitar muito bem. Tal como já haviam feito no início do encontro, quando Marc Guéhi cometeu um deslize tão grande como se estivesse a patinar.

Adormeceu por completo na retagurada, virou-se para trás e não sabia que Yamal estava no seu encalce, pronto a roubar-lhe a bola e marcar. Dois minutos, 1-0 para a Espanha.

Os espanhóis avançavam de forma rápida no terreno, os jogadores nunca paravam e Inglaterra ficava exposta em quase todos os ataques. Assim, concedeu três chances a Ferran Torres... mas na única em que o avançado marcou (8'), estava em fora de jogo.

O jogador do PSG perdeu duas oportunidades claras perante Trafford (surpresa, no lugar de Pickford). Não respeitou os belos passes de Yamal (17') e Rodri (27'), e permitiu que a Inglaterra recuperasse (e de que maneira!)

Em quatro minutos, a Inglaterra virou o jogo do avesso quando nada o fazia prever. Anthony Gordon inventou (36') o primeiro golo, ao combinar na perfeição com Bellingham, antes de a sua velocidade fazer o resto. O avançado do Barcelona lançou depois O'Reilly na profundidade, que assistiu (40') na perfeição Harry Kane para o golo da reviravolta.

Queda de um castelo de cartas

Os campeões também tremem e foi isso que aconteceu até à segunda parte, quando Davide Massa, com a ajuda do VAR, assinalou um penálti por falta de Rodri sobre Bellingham (lance muito contestado). Harry Kane rematou (54') de forma enfática... contra o próprio pé, levando a bola à trave.

Desespero de Kane após falhar o penálti (IMAGO)

A Espanha não precisava de mais avisos e acordou de vez com as entradas de Baena e de Oyarzabal por troca com Nico e Ferran (os espanhóis mais apagados em campo). E Baena pegou na batuta.

O criativo do Atlético Madrid assistiu (59') de calcanhar Yamal, que rematou ao lado em posição privilegiada; não podia voltar a assistir a tamanho desperdício e quando recebeu, em bandeja de prata, uma bola de Olmo, fuzilou (60') a baliza inglesa.

E à entrada para o último quarto de hora, Baena recebeu um excelente passe a rasgar de Laporte, deslocou a linha defensiva adversária e lançou Oyarzabal, que picou na perfeição a bola sobre um desesperado Trafford.

Jude Bellingham foi o único inglês capaz de levar a equipa para a frente nos minutos finais, mas isso não chegou. Com a mestria individual e uma qualidade de jogo coletiva sem paralelo, a Espanha foi melhor que Inglaterra. A equipa de Tuchel vai sentir que deixou a vitória escapar por entre os dedos. Mais um revés para uma seleção repleta de talento, mas que raramente teve o controlo do jogo e acabou por sofrer por isso.

Reação de Luis de la Fuente:

Esta equipa tem muita ambição e não quer parar de ganhar. Houve momentos em que tivemos de sofrer e fazer frente ao talento dos jogadores ingleses, mas acho que vimos uma Espanha que se reinventa.

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