Tour provoca abate de mais de mil árvores e gera revolta
O abate de mais de mil árvores na estrada do Ballon d'Alsace, a menos de dois meses da passagem da Volta a França, está a gerar forte contestação por parte de associações de proteção do ambiente. As autoridades locais aceleraram um projeto de longa data devido à iminente chegada da prova, o que desencadeou o alerta.
«Sim à segurança, não ao massacre». Foi com esta frase que quatro associações ambientalistas da Alsácia (Alsace Nature, LPO Alsace, Gepma e Bufo) criticaram, no final da semana passada, o abate em massa de árvores na rota que os ciclistas da Volta a França de 2026 irão percorrer a 18 de julho, durante a 14.ª etapa entre Mulhouse e Markstein.
As associações questionam o momento escolhido para a intervenção. «Se a segurança das estradas pode constituir um objetivo legítimo, o período das obras e os métodos utilizados levantam sérias questões», afirmaram num comunicado conjunto.
#TDF2026 🇫🇷 / La route du Ballon d’Alsace fermée pendant un mois pour l’abattage de 872 arbres : une sécurisation qui fait débat. https://t.co/0NrN4iFu0j
— Renaud Breban (@RenaudB31) April 25, 2026
Segundo informações da prefeitura do Haut-Rhin ao jornal Libération, serão cortados 1071 troncos numa extensão de quase 4,5 quilómetros antes da passagem da caravana do Tour. A justificação oficial é que se trata de um projeto «previsto há muito tempo» que foi «acelerado em virtude da maior afluência de público previsível nesta zona».
Stéphanie Rauscent, diretora da agência departamental ONF Haut-Rhin, confirmou que o «processo data de há uma década» e se justifica pelo estado de saúde das árvores, a maioria das quais se encontra «em declínio».
La route menant au Ballon d’Alsace, depuis le Haut-Rhin, est fermée pendant un mois pour un vaste chantier de sécurisation qui fait polémique.
— Vosges Matin (@VosgesMatin) April 22, 2026
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No entanto, as associações ambientalistas temem o impacto negativo numa área classificada como Natura 2000 e «particularmente sensível do ponto de vista ecológico». Recordam que «os trabalhos ocorrem em pleno período de reprodução, nomeadamente de nidificação de aves, de posturas de anfíbios e de atividade de répteis nas orlas soalheiras». As organizações lamentam ainda a «falta de concertação» com os agentes locais e não descartam a possibilidade de avançar com «ações judiciais» para contestar a legalidade da obra.
Esta não é a única controvérsia ambiental a marcar a edição de 2026 da Volta a França. Em novembro, foi lançada uma petição contra a passagem do pelotão pelo col de Sarenne, a «outra» subida do Alpe d'Huez, prevista para a etapa rainha de 25 de julho. A petição, intitulada «A Volta a França de 2026 vai sacrificar uma joia dos Alpes», sublinhava que se trata de uma estrada pastoral, fechada oito meses por ano, onde a fauna e a flora são preservadas do turismo em massa.
O seu promotor, Matthieu Stelvio, defendia numa tribuna publicada no Reporterre que «a natureza é mais importante do que este espetáculo-negócio». A petição recolheu 15.791 assinaturas em cinco meses, mas Stelvio decidiu encerrá-la no passado sábado, alegando desinteresse por parte dos meios de comunicação e dos poderes públicos, apelando, ainda assim, ao boicote da prova.