Torreense de elite: Europa pintada de azul-grená para mais uma história dourada
Abram alas ao Torreense. O emblema do Oeste está de bagagem carregada para pintar a Europa de azul-grená.
Fundado a 1 de maio de 1917, o Torreense caminha a passos largos para os 110 anos de existência. O percurso tem tido altos e baixos, algo, no fundo, transversal a todos os clubes e qualquer que seja a respetiva realidade competitiva, mas também não é menos verdade pegando nas origens da própria cidade é meio caminho andando para se perceber que a instituição tem sempre uma base extraordinariamente sólida para se projetar e para se reerguer quando assim for necessário: as Linhas de Torres Vedras.
Foi assente nesse escudo que, a partir de 1809, a cidade passou a ter um movimento de defesa efetivo construído para combater as tropas de Napoleão aquando das invasões francesas. O bem venceu e os anos seguintes foram de um crescimento sustentado que catapultou a cidade (cuja elevação aconteceu em 1979) para patamares de excelência a nível nacional.
Nos relvados, o Torreense foi sempre lutando com todas as suas armas para que os mais variados obstáculos pudessem ser ultrapassados e o futuro vislumbrado com sucesso escrito a letras garrafais. Ao título de campeão nacional da (antiga) II Divisão, na época 1954/1955, juntou-se, mais recentemente, a conquista da Liga 3, na época 2021/2022, com a consequente subida ao segundo escalão do futebol português. Onde ainda se mantém.
Mas o troféu dos troféus estava guardado para o dia 24 de maio de 2026. Data que jamais sairá da memória de todos aqueles que têm o Torreense no coração. Nessa data, e em pleno Estádio Nacional, no Jamor, o conjunto orientado por Luís Tralhão derrotou o Sporting (2-1, após prolongamento) e conquistou, pela primeira vez nos seus quase 110 anos de existência, a Taça de Portugal.
A festa foi rija e prolongou-se madrugada dentro, naquele que foi um autêntico carnaval antecipado em Torres Vedras.
E foi, precisamente, devido à vitória na prova rainha que o Torreense conquistou o direito a estar presente na fase de liga da UEFA Europa League desta temporada.
Lillestrom (fora), Sunderland (casa), Ferencvaros (fora), Ararat (casa), Celtic (casa), Real Sociedad (fora), Lech Poznan (fora) e Olympiakos (casa). São estes os adversários que se seguem na competição.
Uma coisa é certa: a Europa vai ficar pintada de azul-grená.
«Temos ambição, mas sabemos que há diferenças muito grandes»
Talvez nem mesmo o mais acérrimo adepto do Torreense tenha a ousadia de exigir o que quer que seja ao clube na fase de liga da UEFA Europa League que está aí à porta.
O emblema do Oeste vai medir forças com clubes de outra dimensão e, como tal, provavelmente a única coisa que se pedirá aos azuis-grená é que representem condignamente o futebol português.
E esta é, precisamente, a visão de André Sabino. O diretor-geral da SAD do Torreense assume que internamente há a visão clara do fosso existente relativamente aos contendores, mas deixa bem claro que o grupo de trabalho tudo fará para reduzir ao máximo essas diferenças. «Os especialistas vão dizendo que o Torreense pode não fazer qualquer ponto, defendendo essa ideia com a diferença entre as equipas em competição, pelo que, perante isso, tudo o que vier é lucro. Naturalmente que teremos as nossas ambições, queremos ser sempre muito competitivos e deixar uma grande imagem do que é o Sport Clube União Torreense e do nosso projeto, mas tendo também a perfeita noção de que há, realmente, diferenças muito grandes, a todos os níveis, pelo que tentaremos esbate-las ao máxima», disse, em declarações exclusivas a A BOLA.
Na ocasião, o dirigente deu conta de um episódio recente que diz muito do contexto económico relativamente a determinados clubes presentes na referida prova europeia. «Posso confidenciar que o secretário geral da UEFA ficou surpreendido ao saber que o valor referente à participação nesta fase de liga é metade do orçamento de algumas equipas da Liga 2», notou.
«É um motivo de enorme orgulho»
O Torreense move uma cidade, um concelho e também uma região. E se a ligação dos sócios e adeptos ao clube já é de si bastante forte, então nestes dias fica ainda mais reforçada. E tal como simpatizante anónimo, também o presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras está expectante para a Liga Europa que está aí à porta. «A estreia do Torreense nas competições europeias é um momento histórico para o clube, para Torres Vedras e para toda a região Oeste. Ver o nome do Sport Clube União Torreense chegar a uma competição europeia é motivo de enorme orgulho e representa o reconhecimento de um percurso construído com ambição, trabalho e dedicação. É também a demonstração de que, a partir de um território como o nosso, é possível sonhar, crescer e competir além-fronteiras», assumiu Sérgio Galvão, em declarações exclusivas a A BOLA.
«Será um momento especial para os torreenses e para todos aqueles que acompanham e vivem o desporto na nossa região. Independentemente dos resultados que esta aventura europeia venha a trazer, esta primeira participação já conquistou um lugar na história do clube e do nosso concelho. Desejo à equipa, à estrutura e aos adeptos uma excelente campanha europeia e, acima de tudo, que desfrutem e nos façam desfrutar deste momento único. Força, Torreense», rematou o edil de Torres Vedras.