Tiveram de separar Leão de colega de equipa no balneário do Milan
A frustração de Rafael Leão com Christian Pulisic durante o jogo contra a Lazio não terminou no relvado, tendo continuado no balneário do Estádio Olímpico e obrigado à intervenção do treinador Max Allegri para acalmar os ânimos, já depois de o internacional português ter tido um despique com o técnico italiano quando foi substituído por Fullkrug durante o jogo em Roma.
O episódio, que evidencia um problema no ataque do Milan, começou quando Leão, por gestos, se queixou ostensivamente de Pulisic por este não lhe ter passado a bola em duas jogadas de potencial perigo. O que as câmaras não mostraram foi que a discussão prosseguiu no balneário, com o avançado português a pedir satisfações ao colega de equipa de forma mais veemente do que o habitual.
Allegri interveio para controlar a situação e evitar que a tensão entre os dois jogadores escalasse. Embora seja uma dinâmica comum em balneários, o incidente levanta questões sobre o fraco entendimento entre os dois atacantes.
Os lances da discórdia
Durante a segunda parte do encontro com a Lazio, Leão fez por duas vezes movimentos de desmarcação nas costas de Marusic. Em ambas as ocasiões, Pulisic, com a bola nos pés, teve a oportunidade de o servir em profundidade, mas optou por não o fazer. Eram passes difíceis, mas que poderiam ter isolado o português. Em ambos os lances, Leão gesticulou a sua insatisfação, como quem diz: «Estava livre, passa-me!».
Recorde-se que, já na primeira parte, o internacional português tinha feito um gesto semelhante na direção de Pavlovic, que rematou em vez de o assistir quando estava sozinho na área. Apesar de a jogada ter sido posteriormente invalidada por fora de jogo, a atitude de Leão demonstra um nervosismo crescente.
Apesar de Allegri ter atuado como diplomata no balneário, cabe-lhe agora gerir esta delicada situação. Fora de campo, ambos os jogadores são vistos como tendo personalidades positivas. Pulisic é descrito como muito tranquilo, enquanto Leão é mais extrovertido e está sempre pronto a ajudar os mais jovens e os recém-chegados.
O verdadeiro problema reside no rendimento da dupla em campo. Leão e Pulisic foram titulares juntos poucas vezes no campeonato: no dérbi da primeira volta, em casa contra o Génova e o Lecce, e nos últimos quatro jogos frente a Parma, Cremonese, Inter e Lazio. Nestas partidas, a parceria produziu apenas dois golos: um de Pulisic no dérbi e outro de Leão contra o Génova. Quando o português marcou contra a Cremonese, o norte-americano já tinha sido substituído.
O fraco entendimento entre os dois é evidente. Pulisic é um jogador que trabalha mais para a equipa e movimenta-se mais sem bola, ao passo que Leão, como número 9, não se destaca pelo seu contributo defensivo. Contudo, o talento de ambos é inegável, e a lógica sugere que encontrem uma forma de se ajudarem mutuamente antes que o Mundial os separe.