Dahl e Froholdt disputam a bola no clássico - Foto: Catarina Morais/KAPTA+
Dahl e Froholdt disputam a bola no clássico - Foto: Catarina Morais/KAPTA+
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Tiros para o ar e tiros nos pés

Benfica deve queixar-se mais de si próprio do que da arbitragem; FC Porto tem o mérito de nunca perder o controlo e continuar a ter no plantel um dos poucos jogadores que muda um jogo de futebol

Cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado em setembro (que na prática é outubro, pois que haverá agora uma longa pausa no campeonato devido aos compromissos das seleções) não são garantia de nada, mas dão um conforto ao campeão em título que pensa na revalidação com a propriedade de quem não se desvia um milímetro da sua identidade de jogo, nem mesmo quando está em superioridade numérica. Para quem esperava que o campeonato terminasse na 7.ª jornada com tudo em aberto na frente da corrida enganou-se: o FC Porto mantém a sua superioridade em casa e seja um Benfica defensivo como o da época passada com José Mourinho ou uma versão mais ofensiva como a de Marco Silva, o desfecho é o mesmo: é muito difícil vergar os azuis e brancos em casa. 

Num clássico em que os encarnados começaram por cima, podem no entanto queixar-se de si próprios no erro infantil cometido por Lenglet ou na falha de marcação no lance do 1-0 (ainda antes da expulsão do experiente central francês). Usar o argumento da arbitragem é legítimo e até compreensível no caldo cultural em que vivemos (aquele túnel ao intervalo é pior do que metro à hora de ponta, suscetível de acontecer muitos apertos), mas foram muito mais evidentes os erros próprios do que de terceiros, o que deve merecer, por isso, uma autoreflexão das águias.

No entanto é justo dizer-se que em campo aberto e em igualdade numérica, o Benfica mostrou ter argumentos que não tinha no passado e nunca sabemos se perderia o jogo de 11 contra 11. Mas o dragão de Farioli tem, pelo menos nas competições internas, o dom de nunca perder o Norte (literalmente). E ajuda ter um jogador como Froholdt, dos poucos em Portugal capaz de de mudar um jogo: quando começou a subir de produção, o FC Porto passou colocar o Benfica contra as cordas. E quando sofreu o empate, foi novamente o dinamarquês a responder ao golo do compatriota (que como ele chegaram a estar em dúvida para o clássico), ainda os encarnados enchiam o pulmão de ar e esperança. 

Este foi um clássico muito parecido a tantos outros: intenso, bem jogado, polémico e com queixas de quem perdeu.  Mas começou a criar uma certa ideia de que a maior luta no topo a partir de agora será pelo segundo lugar. Dito por outras palavras: uma disputa entre o menos mau dos três grandes. É a repetição de uma tendência do século XXI.

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